Em Cambará do Sul, na fronteira com Santa Catarina, a serra termina de forma abrupta. Os campos de altitude param e dão lugar a fendas de 720 m de profundidade, que renderam à cidade o apelido de Terra dos Cânions.
Por que a cidade é chamada de Terra dos Cânions?
O nome do principal atrativo, o Cânion Itaimbezinho, vem do tupi-guarani e une “ita” (pedra) e “aimbé” (afiada), uma referência direta às paredes verticais que parecem cortadas a facão. A imagem é literal quando se observa o paredão pela primeira vez.
A cidade integra o Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul, reconhecido em 2022 e formado por sete municípios entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O território tem 2.830 km² e abriga a maior concentração de cânions da América Latina, com escarpas que atingem mais de 1.100 m.

O Itaimbezinho e o Fortaleza, os gigantes da serra
Os dois cânions mais visitados estão dentro de parques nacionais administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As trilhas de borda são leves e dão acesso a mirantes monumentais.
- Cânion Itaimbezinho: 5,8 km de extensão e até 720 m de profundidade, no Parque Nacional Aparados da Serra, a 18 km do centro.
- Cânion Fortaleza: 7,5 km de extensão e 1.157 m de altitude, com mirante que avista o litoral e a cidade de Torres em dias claros.
- Cachoeira do Tigre Preto: queda de cerca de 250 m que despenca pelo paredão do Fortaleza, na trilha da Borda Sul.
- Pedra do Segredo: bloco de 30 toneladas equilibrado em uma base de 50 cm, parada obrigatória na trilha do Fortaleza.
O interior mineiro guarda histórias e riquezas únicas. O vídeo é do canal Cidades do Interior, com 20 mil inscritos, e detalha a economia, o turismo e o desenvolvimento de Patos de Minas. Cidades do Interior é referência em municípios.
Quais trilhas escolher dentro dos parques?
O ingresso único cobre os dois parques e vale por até três visitas em sete dias, segundo a Urbia Cânions Verdes, concessionária responsável pela visitação. Cada trilha oferece um ângulo diferente da paisagem.
A Trilha do Vértice, no Itaimbezinho, tem 1,5 km e é acessível, com vista para as cascatas Véu de Noiva e Andorinhas. Já a Trilha do Cotovelo percorre 6 km na borda do cânion e leva ao mirante mais clássico. Para os preparados, a Trilha do Rio do Boi exige guia credenciado, parte de Praia Grande em Santa Catarina e atravessa o leito do rio dentro do cânion por cerca de 7 horas.
Sabores da serra: pinhão, galeto e mel de araucária
Cambará é a Capital do Mel de Florada Nativa e tem na apicultura uma das atividades mais tradicionais. A gastronomia mistura herança italiana, raízes campeiras e ingredientes do alto da serra.
- Entrevero de pinhão: prato campeiro com carne de porco, linguiça, pinhão e legumes, servido em panela de ferro.
- Galeto al primo canto: frango pequeno assado no espeto, herança da imigração italiana, normalmente acompanhado de polenta e capeletti.
- Truta da serra: pescada em criadouros locais e servida grelhada ou ao molho de alcaparras, comum nos restaurantes próximos aos rios.
- Mel de florada nativa: produzido com flores da Mata Atlântica e da floresta de araucárias, vendido direto nos apiários do interior.

Quando o frio é uma atração e quando dá para curtir o sol?
A 1.031 m de altitude, Cambará é uma das cidades mais frias do Brasil e teve registro de neve em maio de 2025, com 2,4°C medidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O verão é ameno e ideal para trilhas longas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Cambará do Sul saindo de Porto Alegre?
A cidade fica a 185 km da capital Porto Alegre, com cerca de 3 horas de viagem pela BR-116 e RS-020. Há ônibus diários partindo da rodoviária da capital, e o aeroporto mais próximo é o Salgado Filho. Quem vem do litoral catarinense pode subir a serra por Praia Grande, em estrada panorâmica que cruza o Geoparque.
Suba a serra e veja onde o Brasil termina em paredão
A Terra dos Cânions guarda paisagens que parecem fora do mapa brasileiro: araucárias, geadas, fendas vulcânicas e silêncio de altitude. Poucos lugares no país oferecem essa combinação tão completa entre natureza preservada, cultura campeira e gastronomia de serra.
Você precisa conhecer Cambará do Sul e sentir a vertigem de olhar para baixo do alto de um paredão de 720 metros que ficou assim por milhões de anos.










