Em Itu, a 101 km da capital paulista, um semáforo do tamanho de um poste e um orelhão de três metros recebem quem chega à praça central. O apelido de cidade dos exageros nasceu de uma piada de TV, mas escondidos por trás dos objetos gigantes ficam um patrimônio republicano e uma rocha de 280 milhões de anos.
O caipira Simplício transformou Itu na Cidade dos Exageros
A fama começou na década de 1960 com o humorista ituano Francisco Flaviano de Almeida, que interpretava o caipira Simplício no programa A Praça da Alegria, da extinta TV Tupi. Em cada quadro, comparava a cidade natal com São Paulo e garantia que em Itu tudo era maior, popularizando o bordão “Conta pra eles, Ofélia, o tamanho da mandioca lá de Itu”.
A brincadeira viralizou antes da internet existir. A prefeitura abraçou o título e, segundo o portal oficial de Turismo de Itu, espalhou objetos gigantes pelas praças e calçadas. Em 1979, o município se tornou a terceira Estância Turística do estado de São Paulo.

O Berço da República fica num sobrado azulejado de 1867
Antes de virar piada, Itu foi a vila mais rica da província paulista. Fundada em 1610 pelo bandeirante Domingos Fernandes como ponto de apoio para expedições pelo rio Tietê, prosperou com a cana e depois com o café. Em 18 de abril de 1873, mais de 130 fazendeiros e políticos se reuniram em um sobrado do centro para fundar o Partido Republicano Paulista.
O encontro entrou para a história como Convenção de Itu e marcou o início da campanha que derrubaria o Império. O sobrado virou Museu Republicano, inaugurado em 1923 no cinquentenário da Convenção, e hoje funciona como extensão do Museu Paulista da USP.
Viver no interior paulista oferece infraestrutura de metrópole com a paz de Itu. O vídeo é do canal MAIS 50, com 484 mil inscritos, e detalha os pontos fortes e o custo de vida local:
A vida do morador entre praças e patrimônio preservado
Com cerca de 174 mil habitantes e altitude de 583 metros, Itu mantém clima tropical de altitude e centro histórico de paralelepípedos. O cotidiano do ituano corre entre missas na Matriz de Nossa Senhora da Candelária, café da tarde nos casarões e caminhadas no Parque do Varvito. O município é Estância Turística e investiu em condomínios de alto padrão nos últimos 20 anos, especialmente na região do Plaza Athénée e do Terras de São José.
Quem mora valoriza a proximidade com Salto, Sorocaba e Campinas, e o acesso direto às rodovias Castelo Branco e Bandeirantes. A cidade combina rotina interiorana com infraestrutura urbana completa, e os moradores defendem com orgulho o título de Berço da República.

O que visitar entre orelhões gigantes e rochas glaciais?
O centro histórico cabe em um dia de caminhada, e os parques ficam a poucos minutos de carro. As atrações combinam patrimônio sério com brincadeira escancarada.
- Praça Padre Miguel: coração da cidade, com o orelhão de três metros, o semáforo gigante e dezenas de lojas que vendem souvenirs em escala ampliada.
- Parque do Varvito: monumento geológico de 44 mil m² com rochas sedimentares de 280 milhões de anos, formadas durante uma era glacial no sudeste sul-americano.
- Museu Republicano: sobrado de 1867 com a sala onde aconteceu a Convenção de 1873 preservada, mais móveis e quadros da família Almeida Prado.
- FAMA Museu: 25 mil m² em uma antiga fábrica têxtil de 1911, com cerca de 2 mil obras de arte moderna e contemporânea brasileira.
- Trem Republicano: percurso de 7 km entre Itu e Salto em locomotiva histórica, com guias contando episódios da campanha republicana.
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Onde comer a parmegiana mais famosa do interior?
A gastronomia também segue o espírito do exagero. A cidade disputa o título de melhor parmegiana do estado, e o prato carro-chefe atravessa séculos sem perder o tamanho.
- Bar do Alemão: aberto desde 1902 na Rua Paula Souza, serve a parmegiana clássica em porção que alimenta uma família inteira.
- Filé à parmegiana ituense: prato disputado entre restaurantes do centro, com versões de frango, berinjela e mignon.
- Café colonial: mesa farta com pães, biscoitos amanteigados, cucas e doces de leite, tradição herdada das antigas fazendas de café.
- Doces gigantes: pirulitos, lápis e cotonetes de chocolate vendidos como souvenirs comestíveis nas docerias da praça.
- Fazenda do Chocolate: produção artesanal a poucos minutos do centro, com tour, degustação de chocolates, queijos e pães caseiros.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical de altitude rende verões úmidos e invernos secos e amenos. A baixa pluviosidade do meio do ano combina bem com o roteiro pelo centro histórico.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Itu?
Itu fica a 101 km de São Paulo pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) ou pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), em cerca de 1h15 de viagem. Quem chega de avião pode usar o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, a 47 km. Ônibus partem da Rodoviária do Tietê com várias saídas diárias, e a malha rodoviária permite integrar o roteiro a Salto, Sorocaba e à própria Campinas.
Suba a serra e descubra a cidade onde tudo é maior
Itu transforma uma piada de TV em identidade turística sem perder a profundidade do passado republicano. A cidade entrega rocha de era glacial, museu de Convenção, parmegiana farta e orelhões fotogênicos a uma hora da capital.
Você precisa conhecer Itu e descobrir como uma cidade de 1610 conseguiu virar a capital nacional do exagero sem deixar de ser o berço da República.










