Em João Pessoa, capital da Paraíba, o céu começa a clarear antes das 5 da manhã e os primeiros caminhantes já ocupam o calçadão. A Ponta do Seixas avança mais para leste do que qualquer outro ponto continental das Américas, e a cidade ainda guarda 47 m² de área verde por habitante.
O sol que toca a Ponta do Seixas antes de qualquer outro lugar do continente
A definição oficial veio em 1941, quando uma comissão da Marinha do Brasil mediu as coordenadas da costa nordestina. O resultado favoreceu a Paraíba: a Ponta do Seixas avança cerca de 1.683 metros a mais que a Ponta de Pedras, em Pernambuco, conforme registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pequena praia fica a 14 km do centro e tem cerca de 1,5 km de extensão. Logo acima dela, sobre a falésia, ergue-se o Farol do Cabo Branco, inaugurado em 1972 com formato triangular único no Brasil. Em dias de céu limpo, o sol surge antes das 5h no verão, e visitantes sobem o mirante ainda com lanterna para acompanhar o espetáculo.

Uma cidade fundada em 1585 com selo internacional de cidade verde
João Pessoa é a terceira cidade mais antiga do Brasil, fundada em 5 de agosto de 1585 com o nome de Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Hoje tem 833.932 habitantes, segundo o Censo IBGE de 2022, e mantém 30,67% de cobertura vegetal. Pela terceira vez consecutiva, a capital recebeu o selo Tree Cities of the World, conferido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a Arbor Day Foundation.
Foi a primeira cidade do Norte e Nordeste a conquistar o reconhecimento, segundo a Prefeitura de João Pessoa. A meta da gestão é plantar 500 mil mudas até 2030 e recuperar o título de cidade mais verde do mundo, conquistado pela primeira vez durante a Eco 92.
A pujança econômica de Uberlândia reflete sua importância como polo regional do Triângulo. O vídeo é do canal Renato Rezende Drones, com 11,6 mil inscritos, e detalha a infraestrutura urbana e o desenvolvimento da metrópole mineira:
A vida do morador entre mata urbana e qualidade de vida reconhecida
O Atlas da Violência 2024, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou João Pessoa como a capital mais segura do Nordeste. A Paraíba acumula queda de 31,3% na taxa de homicídios desde 2012. No Índice de Progresso Social Brasil 2025, a capital ficou em 9º lugar nacional e em 1º do Nordeste, à frente de cidades como Rio de Janeiro e Porto Alegre.
O cotidiano corre entre a orla, a Lagoa do Parque Solon de Lucena e os bairros arborizados da zona sul. O custo de vida atrai famílias e profissionais remotos, especialmente em bairros como Manaíra, Tambaú e Bessa. Quem mora no centro consegue almoçar a poucos metros do mar e voltar para casa em ruas com sombra natural de oitis e flamboyants.
O que visitar entre falésias coloridas e igrejas barrocas?
A maioria das atrações se concentra em uma faixa de poucos quilômetros entre o Centro Histórico e a orla. O roteiro cabe em dois ou três dias com calma.
- Ponta do Seixas e Farol do Cabo Branco: ponto mais oriental das Américas, com falésias avermelhadas e mirante a 50 metros sobre o mar.
- Estação Cabo Branco Ciência Cultura e Artes: complexo de mais de 8.500 m² projetado por Oscar Niemeyer, inaugurado em 2008 ao lado do farol.
- Centro Histórico: tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2007, com o Conjunto Franciscano de Santo Antônio iniciado em 1589.
- Picãozinho: piscinas naturais a 2 km da Praia de Tambaú, acessíveis por catamarã na maré baixa.
- Jardim Botânico Benjamim Maranhão: 515 hectares de Mata Atlântica reconhecidos pela UNESCO como Posto Avançado da Reserva da Biosfera desde 2004.

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O que comer entre peixadas e tapiocas recheadas?
A mesa pessoense mistura mar, sertão e tradição nordestina. Os restaurantes da orla servem do ingrediente fresco ao prato típico do interior paraibano.
- Peixada à paraibana: prato símbolo da capital, com peixe fresco, leite de coco, dendê e legumes.
- Carne de sol com macaxeira: clássico do interior, presente em quase todos os restaurantes da orla com queijo coalho derretido.
- Tapioca recheada: opção comum na feirinha de Tambaú, com carne de sol, queijo manteiga ou frutas no café da manhã.
- Rabada com pirão: receita tradicional que mantém viva a cozinha caseira paraibana, servida em casas de comida regional.
- Doce de caju queimado: sobremesa típica das feiras livres, ao lado da cocada de tabuleiro e do bolo de rolo.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical úmido tem temperaturas estáveis o ano todo. As chuvas se concentram entre abril e julho, e a alta temporada acontece nos meses mais secos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a João Pessoa?
A porta de entrada aérea é o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em Bayeux, a cerca de 10 km do centro, com voos diretos das principais capitais brasileiras. Por terra, a BR-101 liga a cidade ao Recife, distante 120 km, e a Natal, a 185 km. Quem vem de carro pelo litoral pode incluir Cabedelo no roteiro, vizinha que abriga o famoso pôr do sol da Praia do Jacaré, embalado pelo Bolero de Ravel ao saxofone.
Acorde cedo e descubra a Porta do Sol
João Pessoa entrega praia urbana, herança colonial de quatro séculos e mata nativa em pleno tecido urbano. Poucas capitais brasileiras combinam tanto verde, tanta segurança e tantos pontos de vista para o oceano.
Você precisa subir até o farol da Ponta do Seixas antes do amanhecer e sentir o sol bater primeiro nas suas costas para entender por que a capital paraibana ganhou o apelido de Porta do Sol.








