Entre 1737 e 1972, Fernando de Noronha funcionou como presídio. Os mesmos muros de pedra que um dia cercaram condenados hoje dividem espaço com praias de águas cristalinas e paisagens preservadas, como a Baía do Sancho, eleita a melhor praia do mundo pelo Travellers’ Choice em 2023.
Do presídio ao Patrimônio da Humanidade
Fernando de Noronha foi a primeira capitania hereditária do Brasil, entregue em 1504 ao navegador Fernão de Noronha. Com o passar dos séculos, a localização estratégica no Atlântico transformou o arquipélago em base militar e, posteriormente, em colônia penal utilizada pelo governo português e depois pelo Império brasileiro.
Grande parte das fortificações, estradas e construções históricas foi erguida pelos próprios presos ao longo dos séculos. A ocupação alterou profundamente a vegetação original da ilha, já que muitas áreas foram desmatadas para dificultar fugas. Em 2001, a UNESCO reconheceu o arquipélago, junto ao Atol das Rocas, como Patrimônio Mundial Natural, consolidando a transformação de antigo cárcere em um dos principais santuários ecológicos do planeta, segundo o registro oficial da administração do distrito.

Por que Noronha virou santuário ecológico?
Fernando de Noronha é o topo visível de uma formação vulcânica submarina cuja base está a cerca de 4 mil metros de profundidade, segundo estudos ligados ao IPHAN. Essa geografia ajuda a criar correntes marinhas ricas em nutrientes, favorecendo a presença de espécies como golfinhos-rotadores, tartarugas marinhas, tubarões e grandes colônias de aves oceânicas no Atlântico Sul.
O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha ocupa aproximadamente 70% do arquipélago e é administrado pelo ICMBio. Nos últimos anos, medidas ambientais passaram a restringir veículos movidos a combustão e controlar o número de visitantes simultâneos, buscando preservar os ecossistemas que transformaram Noronha em uma das áreas marinhas mais protegidas do Brasil.
O que visitar na ilha de 17 km quadrados?
O acesso às praias e trilhas exige ingresso do Parque Marinho, válido por dez dias. O roteiro básico se distribui entre o Mar de Dentro, mais calmo, e o Mar de Fora, com ondas fortes.
- Baía do Sancho: acessada por escada vertical entre fendas de pedra, foi eleita a melhor praia do mundo no Travellers’ Choice 2023.
- Praia do Leão: principal ponto de desova de tartarugas marinhas, com areia rosada e mirante de pedra.
- Forte Nossa Senhora dos Remédios: fortificação do século 18 construída por presos, com vista aberta para o Morro do Pico.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais entre pedras vulcânicas, com vista direta para os Dois Irmãos.
- Mirante dos Golfinhos: ponto de observação onde grupos de golfinhos-rotadores entram na baía ao amanhecer.
O vídeo é do canal Wout of the World, que apresenta um guia visual em 4K de todas as praias da ilha, incluindo a Praia do Sancho, eleita diversas vezes como a melhor do mundo pelo TripAdvisor:
A gastronomia que mistura mar e sertão
A cozinha local une frutos do mar frescos a temperos pernambucanos. Quase tudo chega de barco de Recife, o que faz da pesca permitida fora do parque a principal fonte de ingredientes.
- Peixe na folha de bananeira: filé assado lentamente na folha, com temperos regionais. É o prato mais pedido da ilha.
- Bolinho de tubalhau: versão noronhense do bolinho de bacalhau, feita com o tubalhau, peixe típico do arquipélago.
- Moqueca de peixe ou camarão: com leite de coco e dendê, servida em panela de barro.
- Peixada noronhense: cozido de garoupa, badejo ou cherne em molho de tomate, cebola e coentro.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A ilha tem duas estações bem definidas, seca e chuvosa, e temperatura estável o ano inteiro. O mar muda de cara conforme o período.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao arquipélago?
Noronha fica a 545 km de Recife, único acesso por voos comerciais que partem também de Natal. A viagem dura cerca de 1h20 e todos os turistas pagam taxa de preservação ambiental por dia de permanência, além do ingresso do Parque Nacional Marinho.
O paraíso que nasceu de uma prisão
Noronha é um dos poucos lugares do mundo onde história dura, natureza intocada e águas transparentes dividem o mesmo quilômetro quadrado. O silêncio das fortificações contrasta com o barulho dos golfinhos ao amanhecer.
Você precisa conhecer Fernando de Noronha e sentir o peso de uma ilha que trocou as grades pelos corais sem apagar as próprias cicatrizes.










