Entre rios escuros, praias cercadas por Mata Atlântica e morros cobertos de coqueiros, Itacaré passou de porto cacaueiro isolado a um dos destinos de ecoturismo mais desejados do Brasil. No litoral sul da Bahia, a vila do cacau viveu décadas escondida atrás de estradas precárias, cenário que acabou preservando praias selvagens, trilhas e rios que hoje atraem surfistas e viajantes do mundo inteiro.
O cultivo de cacau que ajudou a preservar a Mata Atlântica
A origem de Itacaré remonta ao século XVIII, quando o jesuíta Luís da Grã construiu uma capela dedicada a São Miguel na foz do Rio de Contas. O povoado foi elevado à categoria de município em 1732 e adotou oficialmente o nome Itacaré apenas em 1931. Antes da abertura das estradas modernas, a região era marcada pela navegação fluvial, pela presença de contrabandistas e por quilombos formados por escravizados fugitivos.
No fim do século XIX, o cacau transformou a economia local. Diferentemente de outras culturas agrícolas, o fruto passou a ser cultivado no sistema cabruca, técnica que mantém as árvores nativas da Mata Atlântica como sombra para os cacaueiros. Enquanto vastas áreas do país foram desmatadas para o avanço da cana-de-açúcar e do café, Itacaré preservou grande parte da floresta original. Quando a praga da vassoura-de-bruxa devastou as plantações nos anos 1980, a vegetação retomou ainda mais espaço, criando o cenário de mata avançando sobre a areia que hoje virou marca registrada da cidade.

Quais são as melhores praias de Itacaré?
São mais de 20 faixas de areia com personalidades distintas. As urbanas ficam a poucos passos do centro; as rurais exigem trilhas pela mata ou acesso de barco.
- Praia da Concha: a mais próxima do centro, formada pelo encontro do Rio de Contas com o mar. Águas calmas, quiosques e pôr do sol no Mirante da Ponta do Xaréu.
- Tiririca: palco de etapas de campeonatos de surfe, com ondas consistentes o ano inteiro. Point de gente descolada.
- Prainha: enseada protegida por morros cobertos de floresta, acessível por trilha de 30 minutos. Considerada uma das mais bonitas da Costa do Cacau.
- Jeribucaçu: cercada por mata virgem e emoldurada por rochas. Um rio de mesmo nome deságua na areia, criando um cenário de postal.
- Itacarezinho: faixa de mais de 3 km, ideal para caminhadas longas e observação de tartarugas marinhas entre setembro e março.
Entre a Mata Atlântica e a foz do Rio de Contas, este destino encanta pela harmonia com a natureza. O vídeo é do canal Tesouros do Brasil, com mais de 140 mil inscritos, e apresenta trilhas, praias urbanas e gastronomia local:
O que fazer além do mar na Costa do Cacau?
O relevo acidentado e os rios da região multiplicam as opções de passeio. Trilhas, cachoeiras e esportes de aventura ocupam os dias de quem quer ir além da praia.
- Trilha das Quatro Praias: percurso de dificuldade média pela Mata Atlântica que liga Engenhoca, Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho. O passeio mais completo para combinar caminhada e banho de mar.
- Cachoeira do Tijuípe: acesso fácil pela BA-001, com piscina natural cercada por pedras e infraestrutura de restaurante.
- Cachoeira do Cleandro: travessia de barco ou caiaque pelo mangue do Rio de Contas, passando por fazenda de cacau até três quedas d’água.
- Rafting em Taboquinhas: corredeiras do Rio de Contas a 30 km do centro, com opção de visita à Fazenda Vila Rosa para conhecer a produção artesanal de chocolate.
- Mirante de Serra Grande: à beira da BA-001, oferece uma das vistas mais amplas do litoral baiano.

Onde comer entre o dendê e o cacau?
A Rua Pedro Longo, conhecida como Pituba, concentra a vida gastronômica e noturna da cidade. De dia, os restaurantes servem moquecas caprichadas, bobós de camarão e peixes frescos. De noite, bares com música ao vivo e casas de forró pé-de-serra esquentam o centrinho até a madrugada.
- Moqueca e frutos do mar: o dendê é protagonista nos restaurantes da Pituba e da orla. O Tia Deth é referência entre moradores e turistas.
- Acarajé: frito na hora pelas baianas nas ruas do centro histórico.
- Chocolate artesanal: a Fazenda Vila Rosa, na estrada Itacaré-Taboquinhas, oferece tour da colheita à fabricação. A caipirinha de cacau é invenção local.
- Tapioca e açaí: presentes nos mercados e nas barraquinhas de praia o dia inteiro.
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Quando o clima favorece praias e trilhas em Itacaré?
O clima tropical úmido garante calor o ano inteiro, com temperatura média de 25°C. Não existe estação completamente seca, mas a intensidade das chuvas varia.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo.

Como chegar a Itacaré saindo de Salvador ou Ilhéus?
Itacaré fica a 70 km ao norte de Ilhéus e a 260 km ao sul de Salvador. O aeroporto mais próximo é o de Ilhéus (Jorge Amado), que recebe voos de Salvador, São Paulo e Belo Horizonte. De Ilhéus, o trajeto pela BA-001, inaugurada em 1998 como a primeira estrada ecológica do país, leva cerca de 1h30 por uma serra coberta de Mata Atlântica. De Salvador, a viagem de carro dura aproximadamente 5 horas pela BR-101 e depois pela BA-001. Ônibus diretos também fazem o trajeto diariamente.
A vila onde o isolamento virou presente
O mesmo abandono que quase apagou Itacaré do mapa foi o que preservou sua floresta, suas praias e o ritmo de vila de pescadores. A APA Costa de Itacaré/Serra Grande, criada em 1993, protege quase 63 mil hectares de mata, manguezais e praias que hoje sustentam o turismo como principal atividade econômica do município.
Você precisa percorrer as trilhas entre morros de Mata Atlântica, mergulhar numa cachoeira depois do surfe e terminar o dia com uma moqueca na Pituba, ouvindo o som do Rio de Contas encontrando o Atlântico.










