Você já ficou em dúvida na hora de escrever um e-mail profissional e se perguntou se deveria usar este ou “esse”? Essa pequena escolha, que muita gente faz no automático, pode mudar a clareza do texto e deixar sua escrita mais profissional, especialmente em contextos formais, acadêmicos ou jornalísticos. Embora na fala do dia a dia quase ninguém repare nisso, quem domina bem esses pronomes evita ambiguidade e mostra segurança na língua, em situações comuns como mensagens de trabalho, redações e documentos oficiais.
Qual é a diferença prática entre “este” e “esse”?
A chave para entender essa diferença está nos pronomes demonstrativos, em especial na oposição entre esse e “esse”. De forma simples, a norma culta orienta que “este” indica algo mais próximo do ponto de referência, enquanto “esse” aponta para algo um pouco mais distante. Esse ponto de referência pode ser o corpo de quem fala, o momento em que se fala ou até a posição das ideias dentro de um texto.
No português atual, essa distinção aparece principalmente em três eixos: proximidade física (o que está perto ou longe), referência de tempo (passado, presente, futuro) e organização do texto (o que já foi dito ou o que ainda será dito). É justamente nesse último ponto que muita gente se confunde, porque a diferença exige atenção à ordem em que as informações aparecem.

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Como funciona a proximidade no uso de “este” e “esse”?
Quando falamos de proximidade espacial, a norma clássica trabalha com três níveis: algo perto de quem fala, algo perto do interlocutor e algo distante de ambos. Em contextos mais formais, esse sistema ainda é valorizado, principalmente na escrita, para deixar a comunicação mais clara e organizada.
Assim, “este”, essa família de pronomes e também “aquele” ajudam a marcar se algo está perto de quem fala, perto de quem ouve ou mais longe. Mesmo que na fala do dia a dia muita gente use quase sempre esse, textos técnicos, jurídicos e acadêmicos ainda preferem essa distinção para reforçar a coesão das ideias.
Como a norma culta usa “este” e “esse” dentro do texto?
Quando o assunto é o próprio texto escrito, a gramática tradicional faz uma separação importante: “este” costuma apontar para algo que ainda será apresentado, enquanto “esse” remete a algo que já apareceu. Essa lógica é muito útil em redações longas, relatórios e artigos, em que o leitor precisa se localizar nas ideias.
De modo geral, usa-se “este” para introduzir uma ideia, um parágrafo, um item ou uma explicação que ainda não foi desenvolvida; já “esse” retoma um conceito, argumento ou dado que foi mencionado antes. “Aquele” costuma servir para algo ainda mais distante no texto ou para contrastar duas ideias diferentes.

Quais usos comuns fogem da norma tradicional?
No dia a dia, é muito comum que as pessoas misturem “este” e “esse” sem nem perceber. A fala espontânea tende a simplificar o sistema, e muitos acabam usando quase sempre “esse” tanto para o que está perto quanto para o que está longe. Isso normalmente não impede o entendimento, mas afasta a escrita da norma culta mais cuidadosa, especialmente quando se deseja produzir um texto realmente formal.
Em ambientes profissionais com manuais de redação, como redações de jornais, órgãos públicos e instituições de ensino, ainda se recomenda certa atenção a essa diferença. Nesses contextos, o emprego adequado de “este” e “esse” pode ser um critério de avaliação em provas, concursos e processos seletivos, além de contribuir para a impressão de maior profissionalismo.
Como memorizar o uso de “este” e “esse” de forma simples?
Para não depender de explicações muito técnicas, ajuda criar pequenas associações mentais na hora de escrever um texto mais formal. Assim, você ganha segurança ao revisar uma redação escolar, um relatório de trabalho ou um e-mail mais importante. Use a lógica abaixo como um atalho sempre que bater a dúvida sobre qual pronome escolher.
- Relacionar “este” a aqui, “agora” e ao que vem adiante no texto.
- Relacionar “esse” a aí, ao que veio antes e já foi mencionado.
- Relacionar “aquele” a lá, a algo distante ou bem mais antigo no discurso.
Ao revisar o que escreveu, pergunte-se se está falando de algo que já apareceu ou que ainda será apresentado. Em seguida, ajuste o pronome: “esse” para o que ficou para trás e “este” para o que ainda virá. Com o hábito, essa escolha se torna quase automática e deixa sua escrita mais clara, natural e alinhada ao padrão culto.










