Você está escrevendo uma redação, revisando um TCC ou fazendo uma prova e, de repente, trava: uso a personagem ou o personagem? Essa dúvida é muito comum, especialmente quando falamos de livros, filmes, séries e peças de teatro, e pode gerar insegurança na hora de produzir um texto mais formal.
Qual é a forma recomendada pela norma-padrão
Pela tradição gramatical mais consolidada, a forma preferencial é a personagem. Nessa visão, “personagem” é um substantivo de gênero comum de dois, que varia apenas pelo artigo: a personagem, a personagem principal, a personagem secundária, independentemente do sexo da figura retratada.
Em textos mais formais, como redações avaliativas, materiais didáticos ou artigos acadêmicos, é mais frequente encontrar “a personagem central do romance” ou “a personagem vive um conflito interno”. Aqui, o termo se refere ao papel narrativo, e não ao sexo ou à identidade de gênero de quem aparece na história.

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Como funciona o uso de “a personagem” e “o personagem” no dia a dia
Na prática, muita gente fala e escreve “o personagem” quando se refere a uma figura masculina e “a personagem” para uma feminina. Assim, aparecem frases como “o personagem João é o protagonista” e “a personagem Maria simboliza a resistência”, aproximando o artigo do gênero de quem está sendo retratado.
Esse comportamento mostra que o termo também funciona, no uso real, por uma espécie de concordância semântica. Gramáticas mais descritivas já registram essa variação, reconhecendo que as duas formas convivem hoje, embora muitas bancas ainda prefiram a personagem em contextos de maior rigor linguístico.
Como escolher a forma ideal em textos formais
Em situações em que você não quer correr riscos, como concursos, vestibulares ou trabalhos acadêmicos, a escolha mais segura é usar a personagem de maneira geral: “A personagem desempenha um papel importante no enredo”; “A personagem é construída de forma complexa”. O foco está na função narrativa, e não no sexo da figura.
Quando for importante destacar que se trata de um homem ou de uma mulher, é possível recorrer a expressões mais específicas, como herói, heroína, vilão, vilã, protagonista, ou ainda descrever: “a personagem, um homem de meia-idade, enfrenta diversos conflitos”, ajustando o texto ao que você quer realmente destacar.

Existe diferença entre o uso literário, coloquial e acadêmico
Em artigos acadêmicos, análises literárias e estudos narrativos, predomina o uso de a personagem, especialmente em expressões como “a personagem-narradora” ou “a personagem antagonista”. Nesse tipo de texto, espera-se uma escrita mais alinhada à norma-padrão, com maior cuidado de forma e coerência.
Já em reportagens culturais, críticas de cinema ou conversas informais, “o personagem” aparece com bastante frequência, soando mais espontâneo para muitos falantes. Nesses casos, pesa mais a naturalidade comunicativa, enquanto em ambientes escolares e universitários costuma-se valorizar o alinhamento às recomendações de gramática.
Quais cuidados ajudam a manter a concordância correta
Alguns cuidados simples deixam seu texto mais claro e evitam deslizes de concordância. O principal é manter a coerência: depois de escolher se vai usar “a personagem” ou “o personagem”, tente sustentar a mesma forma ao longo do texto, ajustando adjetivos e pronomes ao gênero adotado.
Para facilitar ainda mais essa revisão, vale seguir alguns passos práticos que ajudam a organizar o raciocínio e deixam a escrita mais segura e fluida:
- Definir antes de escrever se o texto seguirá a orientação da norma-padrão (“a personagem”) ou se acompanhará o gênero da figura retratada;
- Revisar os trechos em que “personagem” aparece, conferindo se artigos, pronomes e adjetivos estão em concordância;
- Variar o vocabulário quando houver muitas repetições, usando alternativas como “figura”, “papel”, “protagonista” ou “figura ficcional”, se fizer sentido no contexto;
- Adequar o registro ao tipo de texto, sendo mais rigoroso em textos acadêmicos e um pouco mais flexível em textos de divulgação ou análise cultural.
Com essas escolhas conscientes, a dúvida entre “a personagem” e “o personagem” deixa de travar a escrita e passa a ser só mais um detalhe que você domina para adaptar o texto à situação de comunicação.










