Para quem está planejando uma viagem internacional em 2026, a regra número um é a de sempre: conferir a documentação de entrada com antecedência. E neste ano isso ficou ainda mais importante, porque vários destinos populares entre os brasileiros mudaram suas exigências — alguns tornando a entrada mais burocrática, outros, surpreendentemente, mais fácil. Reunimos abaixo o que mudou em três dos destinos que mais geram dúvidas: Reino Unido, Austrália e China.
Antes de tudo, um aviso prático: as regras de imigração mudam com frequência, então use este texto como ponto de partida e confirme sempre nos canais oficiais de cada país antes de comprar passagens.
Reino Unido: agora é obrigatória a autorização eletrônica (ETA)
Essa é a mudança mais relevante do ano para o viajante brasileiro. Desde 25 de fevereiro de 2026, turistas brasileiros que desejam visitar o Reino Unido precisam solicitar uma Autorização Eletrônica de Viagem (ETA, na sigla em inglês), um documento digital obrigatório para a entrada no país. A decisão encerrou o período de transição iniciado em 2023 e estabeleceu a verificação digital como passo indispensável para a entrada.
A regra vale para estadias de até seis meses. Ela se aplica a quem viaja a turismo, negócios ou visitas curtas — mas não a quem já possui vistos de residência ou trabalho. Um ponto de atenção importante: diferentemente do que acontecia antes, quando a liberação ocorria no balcão de imigração, agora é necessário passar por uma pré-verificação digital, e sem o documento aprovado o embarque pode ser negado pelas próprias companhias aéreas ainda no Brasil.
Sobre o custo e a validade: a taxa passou a ser de 20 libras esterlinas (cerca de R$ 140) a partir de abril de 2026, contra as 16 libras anteriores. Uma vez aprovada, a autorização vale por até dois anos e permite múltiplas viagens, ou até o vencimento do passaporte, o que ocorrer primeiro. O pedido é feito pelo aplicativo oficial “UK ETA” ou pelo site do governo britânico, e a recomendação é solicitar com pelo menos três dias úteis de antecedência. Vale reforçar: a Embaixada do Reino Unido no Brasil alerta que a taxa deve ser paga apenas nos canais oficiais, e que não são aceitos pagamentos via Pix.

Austrália: visto eletrônico continua obrigatório para brasileiros
No caso da Austrália, não houve um endurecimento novo em 2026 — mas vale o esclarecimento, porque muita gente tem dúvida. Brasileiros sempre precisaram de visto para entrar na Austrália, e todo o processo é eletrônico. A entrada é feita por meio de uma autorização eletrônica de viagem, e o processo é totalmente online.
Um detalhe recente que reforça que a Austrália não facilitou as coisas para os brasileiros: desde março de 2026, o país ampliou o alcance de seu aplicativo de imigração, o app Immi, para 47 países — mas o Brasil ficou de fora dessa lista. Na prática, isso significa que brasileiros continuam precisando de visto e seguem o caminho tradicional de solicitação. Ou seja, quem planeja conhecer a Austrália precisa se organizar com a documentação como sempre foi.
China: o caminho oposto — agora brasileiros entram sem visto
E aqui vem a boa notícia, que vai na direção contrária do Reino Unido. A China implementou uma política experimental de isenção de visto para cidadãos brasileiros com passaporte comum, válida desde 1º de junho de 2025 até 31 de dezembro de 2026.
Sob essa política, brasileiros podem entrar na China sem visto para estadias de até 30 dias por entrada, para fins de turismo, negócios, visita a familiares ou amigos, intercâmbio ou trânsito. A ressalva fica para quem pretende ficar mais tempo ou tem outro objetivo: se a estadia exceder 30 dias ou a finalidade não estiver incluída — como trabalho ou estudo —, é obrigatório solicitar o visto correspondente.
É uma mudança e tanto, já que a China sempre foi conhecida por um processo de visto burocrático para brasileiros. Vale lembrar que, por ser uma política experimental com data para acabar, é fundamental confirmar se ela continua válida na data da sua viagem.

Resumo: o que mudou em cada destino
Para facilitar o planejamento, veja o panorama das três mudanças:
| País | Situação em 2026 para brasileiros |
|---|---|
| Reino Unido | Passou a exigir ETA (autorização eletrônica) obrigatória para turismo, desde 25/02/2026 |
| Austrália | Visto eletrônico continua obrigatório, como sempre foi; sem facilitação nova |
| China | Isenção de visto para estadias de até 30 dias, em política válida até 31/12/2026 |
Checklist antes de viajar em 2026
Para evitar surpresas, vale se organizar com antecedência: confira a validade do passaporte com folga em relação à data de retorno; verifique a exigência de visto ou autorização eletrônica do destino com semanas de antecedência; no caso do Reino Unido, solicite o ETA pelos canais oficiais antes de embarcar; e, para qualquer destino, confirme as regras atualizadas no site oficial da embaixada ou consulado, já que políticas — especialmente as experimentais, como a da China — podem mudar.
No fim das contas, o cenário de 2026 mostra que não existe uma regra única: cada país segue sua própria direção. Enquanto alguns destinos apertam os controles com verificações digitais prévias, outros abrem as portas para atrair visitantes. Para o viajante brasileiro, a lição é simples — informação atualizada é o melhor item da mala.








