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Início Curiosidades

Sob 2 quilômetros de gelo, cientistas encontraram uma paisagem preservada há 14 milhões de anos

Por Daniely Cardoso
09/06/2026
Em Curiosidades
Sob 2 quilômetros de gelo, cientistas encontraram uma paisagem preservada há 14 milhões de anos

Perfurações no gelo revelam paisagens antigas preservadas

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Durante milhões de anos, a Antártida escondeu sob o gelo um cenário antigo que permanece fora do alcance direto da observação humana. A atual superfície branca e homogênea, vista em imagens de satélite e em expedições científicas, oculta um relevo complexo, com vales e planaltos que remontam a épocas em que o clima do planeta era muito diferente do atual, funcionando como um arquivo natural sobre a história climática da Terra.

O que revela a paisagem subglacial preservada da Antártida Oriental

Essa paisagem enterrada estende-se principalmente na região da Antártida Oriental, em áreas afastadas da borda do manto de gelo, o que ajuda a explicar a preservação do terreno. Estudos recentes indicam que grande parte desse relevo permaneceu praticamente intacto por pelo menos 14 milhões de anos, possivelmente mais, oferecendo pistas sobre como o continente reagiu a antigas fases de aquecimento e resfriamento global.

Esse intervalo de tempo, que ultrapassa de longe toda a história da presença humana na Terra, chama a atenção de geólogos e climatologistas interessados em reconstruir o passado remoto do continente. Ao compreender esse “fóssil de paisagem”, pesquisadores conseguem comparar estados antigos da Antártida com projeções futuras sob diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa, refinando nossa compreensão sobre a dinâmica do gelo.

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Essa paisagem enterrada estende-se principalmente na região da Antártida Oriental, em áreas afastadas da borda do manto de gelo

Como era a Antártida antes de se tornar um deserto branco

Antes de se tornar uma vasta “deserto branco”, a paisagem da Antártida apresentava características muito distintas das atuais. Evidências geológicas e modelos climáticos apontam para um ambiente com temperaturas mais amenas, presença de cursos d’água superficiais e processos intensos de erosão fluvial, possivelmente semelhantes aos de regiões frias e úmidas do hemisfério Norte atual, revelando um antigo quadro de maior umidade e dinâmica hidrológica.

Em períodos ainda mais antigos, a região teria abrigado vegetação e até florestas, num cenário que contrasta com a imagem de frio extremo associada hoje ao continente. Nesses tempos remotos, rios moldaram vales profundos e esculpiram planaltos, criando um mosaico de relevos comparável a cadeias montanhosas de outras partes do mundo, o que sugere uma antiga biodiversidade bem mais rica que a atual e possíveis ecossistemas complexos, com fauna adaptada a condições mais amenas.

O que o mundo escondido sob o gelo revela sobre o relevo antártico

A paisagem antiga da Antártida, mapeada com mais detalhes nas últimas décadas, inclui extensas bacias subglaciais, planaltos e sistemas de vales que se estendem por dezenas de milhares de quilômetros quadrados. Em certas áreas da Antártida Oriental, a superfície rochosa está coberta por quase 2 quilômetros de gelo, agindo como um tampão físico entre a crosta e a atmosfera e preservando formas delicadas do relevo que funcionam como um grande arquivo geomorfológico.

  • Vales profundos apontam para intensa erosão fluvial em períodos anteriores ao congelamento generalizado.
  • Planaltos suaves indicam antigas superfícies de erosão estabilizadas antes da cobertura por gelo, preservando pistas sobre o antigo clima continental.
  • Bacias subglaciais podem controlar a direção e a velocidade do fluxo de gelo atual em direção ao oceano, influenciando a dinâmica das geleiras costeiras e a futura estabilidade da camada de gelo.

Em vez de desgastar o terreno, como ocorre em muitas geleiras de montanha, esse gelo funcionou como um escudo, reduzindo a erosão direta. O gelo mais espesso e relativamente estável parece ter deslizado de forma mais lenta ou com menor fricção com o substrato, preservando formas como vales em “V” herdados de rios antigos, cristas alongadas e superfícies de planalto pouco alteradas, o que torna essa região uma espécie de laboratório natural para os cientistas que estudam a evolução do relevo.

Se você gosta de curiosidades, separamos esse vídeo do canal INCRÍVEL falando mais sobre esse tema:

Quais métodos revelam a antiga paisagem da Antártida

O acesso direto ao terreno rochoso sob o gelo antártico é extremamente limitado, por razões logísticas e ambientais. Para contornar essa barreira, cientistas utilizam radar de penetração no gelo e dados de satélite, complementados por levantamentos sísmicos, medições gravitacionais e observações de pequenas variações na altitude da superfície do gelo, integrando essas informações em bases de dados globais sobre a criosfera.

A partir do tempo de retorno dos sinais de radar, é possível reconstruir o relevo subglacial com boa precisão, criando mapas tridimensionais de bacias e planaltos da Antártida Oriental. Esses mapas alimentam modelos numéricos usados para simular tanto o passado quanto o futuro da calota de gelo, que são comparados com dados de perfurações profundas e registros de sedimentos marinhos ao redor do continente, permitindo testar diferentes cenários de aquecimento global e avaliar potenciais pontos de não retorno do sistema de gelo.

Essas informações são incorporadas a modelos climáticos globais utilizados para estimar quanto o derretimento das geleiras

Por que a antiga Antártida é crucial para entender o clima

Compreender a Antártida antes de se tornar totalmente gelada é fundamental para melhorar projeções sobre o comportamento das calotas atuais em um cenário de aquecimento global. O formato do relevo subterrâneo influencia diretamente o modo como o gelo escoa em direção ao oceano, afetando a elevação do nível do mar e a estabilidade de plataformas de gelo costeiras, que atuam como uma espécie de barreira para o gelo continental e regulam a perda de massa das geleiras.

Essas informações são incorporadas a modelos climáticos globais utilizados para estimar quanto o derretimento das geleiras pode contribuir para o aumento do nível dos mares até o fim do século XXI e além. Ao reconstruir fases anteriores do clima da Terra, pesquisadores identificam limites naturais do sistema climático e avaliam até que ponto mudanças atuais podem alterar de forma duradoura as grandes massas de gelo do planeta, ajudando a orientar políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e evidenciando a importância de reduzir as emissões de carbono.

Tags: gelo antárticopaisagem preservadaplaneta
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