O vapor que sobe das piscinas termais mesmo durante as noites frias é uma das marcas registradas de Caldas Novas, em Goiás. A cerca de 170 quilômetros de Goiânia, a cidade abriga um fenômeno geológico raro: águas aquecidas naturalmente no subsolo que emergem à superfície com temperaturas que podem ultrapassar os 70°C, alimentando um dos destinos turísticos mais famosos do Brasil.
O mistério geológico por trás da serra que chamou atenção da NASA
Em 2025, uma imagem divulgada pela NASA chamou atenção nas redes sociais ao mostrar uma formação ovalada cercada pelo Cerrado brasileiro. O destaque era a Serra de Caldas Novas, um planalto que se eleva sobre a paisagem da região e abriga o sistema hidrotermal responsável pelas famosas águas quentes da cidade.
A publicação gerou milhares de comentários e teorias curiosas sobre o local. Especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB) explicaram que o fenômeno não tem relação com atividade vulcânica ou instalações ocultas, mas sim com um enorme reservatório subterrâneo de águas termais. Esse sistema abastece centenas de nascentes e sustenta a principal atividade econômica de Caldas Novas, reconhecida por possuir uma das maiores concentrações de águas termais do mundo.
O fenômeno subterrâneo que aquece as águas de Caldas Novas
O segredo das águas termais de Caldas Novas está muito abaixo da superfície. A água da chuva infiltra-se pelas fissuras das antigas rochas da Serra de Caldas, percorre grandes profundidades e se aquece naturalmente devido ao calor interno da Terra. Em seguida, retorna à superfície sob pressão, emergindo em fontes que podem registrar temperaturas entre 43°C e 70°C.
Durante muitos anos, lendas locais atribuíram o aquecimento das nascentes à existência de um vulcão adormecido. Pesquisas geológicas, porém, demonstraram que não há qualquer atividade vulcânica na região. O valor científico desse sistema natural é tão relevante que a serra foi reconhecida como um dos mais importantes sítios geológicos brasileiros. Os registros históricos das águas quentes remontam ao século XVIII, quando bandeirantes e exploradores relataram a descoberta de nascentes de temperatura incomum em meio ao Cerrado goiano.

O que fazer além dos parques aquáticos em Caldas Novas?
A Capital das Águas Quentes vai muito além de toboáguas. Natureza, história e lazer náutico se combinam a poucos minutos do centro.
- Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN): primeira unidade de conservação de Goiás, criada em 1970, com 12,3 mil hectares de Cerrado. Duas trilhas levam a cachoeiras de água fria, a Cascatinha (716 m) e a do Paredão (1,1 km). Entrada gratuita, das 6h às 16h.
- Lagoa de Pirapitinga: nascente histórica onde a água chega a 57°C. O chamado “poço do ovo”, que cozinha um ovo em poucos minutos, é a atração mais curiosa do complexo.
- Lago de Corumbá: represa com 64 km² às margens da cidade, procurada para passeios de lancha, jet-ski e pesca esportiva.
- Jardim Japonês e Casa Goiana: ponto turístico familiar que abriga uma das casas mais antigas da cidade, com arquitetura preservada do início do século XX.
- Feira do Luar: espaço com mais de 20 anos de tradição e cerca de 153 barraquinhas que vendem quitutes goianos, artesanato e doces caseiros todas as noites.
O vídeo é do canal 3em3, que conta com mais de 317 mil inscritos, e detalha os melhores parques aquáticos da região, como o diRoma Acqua Park e o Náutico Praia Clube, além do sereno Jardim Japonês.
Sabores goianos entre um mergulho e outro
A mesa caldense reflete o interior de Goiás: temperos fortes, ingredientes do Cerrado e porções generosas. O pequi domina o cardápio, mas não está sozinho.
- Arroz com pequi: clássico goiano de aroma marcante, servido em praticamente todos os restaurantes da cidade.
- Empadão goiano: torta salgada recheada com frango, guariroba, linguiça e queijo. O Empadão Goiano da Tânia, no centro, virou parada obrigatória.
- Pamonha: doce ou salgada, recheada com queijo, frango ou guariroba. Vendida fresca em dezenas de pamonharias espalhadas pela cidade.
- Peixe na telha: prato regional preparado com temperos locais, encontrado nos restaurantes ao redor do Lago de Corumbá.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical de Caldas Novas tem duas estações bem definidas: verão chuvoso e inverno seco. As águas termais podem ser aproveitadas o ano inteiro, mas cada período oferece uma experiência diferente.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.

Como chegar à capital das águas quentes?
Caldas Novas fica a 170 km de Goiânia pela GO-213 e a 308 km de Brasília. O acesso rodoviário é bem sinalizado, com postos de apoio ao longo do trajeto. A cidade conta com o Aeroporto Nelson Ribeiro Guimarães, que recebe voos comerciais de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, especialmente na alta temporada.
A cidade que a NASA colocou no mapa
Poucas cidades brasileiras reúnem um fenômeno geológico raro, banho termal a céu aberto, trilhas no Cerrado preservado e gastronomia de raiz na mesma semana. Caldas Novas entrega tudo isso com ritmo de interior e infraestrutura de cidade grande.
Você precisa sentir a água quente brotando do chão e entender por que mais de 3 milhões de pessoas voltam todos os anos a esse pedaço improvável do Cerrado goiano.










