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Início Curiosidades

O som que rasgou o planeta: como o Krakatoa atingiu 310 dB e deu 3 voltas ao mundo

Por Daniely Cardoso
23/06/2026
Em Curiosidades
Nos arredores do Krakatoa, relatos históricos mencionam tímpanos rompidos, janelas estilhaçadas e estruturas danificadas a dezenas de quilômetros da ilha

Nos arredores do Krakatoa, relatos históricos mencionam tímpanos rompidos, janelas estilhaçadas e estruturas danificadas a dezenas de quilômetros da ilha

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Imagine ouvir um estrondo tão forte e tão assustador que faz janelas tremerem, pessoas se jogarem no chão e instrumentos pelo mundo todo registrarem a mesma onda de choque. Foi isso que aconteceu em 1883, quando a erupção do vulcão Krakatoa produziu o que muitos consideram o som mais alto já registrado na Terra, estimado em cerca de 310 decibéis e ouvido a aproximadamente 4.800 quilômetros de distância.

O que significa dizer que o Krakatoa atingiu 310 decibéis

A estimativa de que a erupção do vulcão Krakatoa chegou a cerca de 310 dB vem de relatos de testemunhas, medições indiretas de pressão atmosférica e análises posteriores de especialistas em acústica e geofísica. Em 1883 não havia medidores de som modernos, então o número resulta de cálculos que relacionam a energia liberada, o alcance do ruído e os registros barométricos espalhados pelo globo.

Os decibéis formam uma escala logarítmica, em que pequenos aumentos numéricos representam grandes saltos de intensidade. Um som 20 dB mais alto é 100 vezes mais intenso em termos de energia, o que ajuda a entender por que um estrondo de 310 dB ultrapassa qualquer limite suportável ao ouvido humano e beira algo mais próximo de uma onda de choque do que de um som comum no ar, sendo estudado hoje em áreas como a psicoacústica para entender seus efeitos extremos na percepção humana.

Esse ruído assustador viajou milhares de quilômetros e pôde ser ouvido nitidamente por populações localizadas no meio do Oceano Índico

Leia também: Brasil se aproxima de Canadá, Chile e Estados Unidos ao apostar em painéis SIP na construção civil: o que muda no isolamento, desperdício e prazo da obra

Quais foram os impactos do estrondo do Krakatoa ao redor do mundo

Nos arredores do Krakatoa, relatos históricos mencionam tímpanos rompidos, janelas estilhaçadas e estruturas danificadas a dezenas de quilômetros da ilha. A cerca de 160 km de distância, estimativas apontam que o nível sonoro ainda estava em torno de 172 dB, o suficiente para causar lesões auditivas severas em qualquer pessoa exposta ao estrondo por um curto período, algo que hoje seria classificado como cenário de risco máximo em normas de segurança ocupacional.

Em pontos muito mais distantes, o ruído foi percebido como um disparo de artilharia ou um trovão prolongado, confundindo moradores e navegadores em diferentes regiões do planeta. Em vários portos, marinheiros anotaram em diários o misterioso som que parecia vir de lugar nenhum, mostrando como esse evento marcou a memória de quem viveu aquela época e se tornou referência clássica em estudos de historiografia científica.

Para mais sobre esse vulcão, separamos um vídeo do canal Cortes do Stag com a históriado Krakatoa:

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Como o som do Krakatoa se compara a outros grandes estrondos históricos

O chamado evento de Tunguska, em 1908, é um dos principais candidatos a competir em intensidade sonora com o Krakatoa. A explosão, provavelmente causada pela entrada de um corpo celeste na atmosfera sobre a Sibéria central, devastou milhares de hectares de floresta e foi ouvida a centenas de quilômetros de distância, com relatos de clarões e forte calor, servindo hoje como caso emblemático em modelos de impactos cósmicos.

Estudos sugerem que Tunguska pode ter atingido algo em torno de 300 dB em seu ponto de origem, valor semelhante ao atribuído ao Krakatoa. Já entre eventos provocados pelo ser humano, a Tsar Bomba, testada pela União Soviética em 1961, alcançou cerca de 224 dB nas proximidades da explosão, muito abaixo dos grandes fenômenos naturais, embora ainda seja um feito impressionante da tecnologia humana e um marco na discussão sobre limites de armamentos nucleares.

pressão gerada pela explosão vulcânica rompeu instantaneamente os tímpanos de marinheiros que navegavam a dezenas de quilômetros do local

Quais são os efeitos de ruídos extremos em pessoas, estruturas e no ambiente

Ruídos de altíssima intensidade, como o som do Krakatoa, podem deixar marcas profundas em quem estava por perto e também nas cidades e paisagens. Para entender melhor essas consequências, vale olhar para alguns dos principais efeitos observados ou estimados em situações de estrondos muito acima do nível considerado seguro, o que ajuda a definir normas de proteção civil em áreas de risco.

  1. Danos auditivos: rompimento de tímpanos, perda súbita de audição e zumbidos persistentes em pessoas expostas ao impacto.
  2. Impacto fisiológico: alterações na pressão interna do corpo, desconforto intenso, tonturas e sensação de desorientação imediata.
  3. Efeitos em edifícios: janelas quebradas, portas arrancadas e danos em paredes e telhados, mesmo a muitos quilômetros da origem.
  4. Influência ambiental: deslocamento de animais, ondas em corpos d’água, queda de árvores e mudanças temporárias no comportamento da fauna.

Como uma onda de choque tão intensa consegue dar a volta ao mundo

Quando um evento libera energia em escala colossal, como no Krakatoa, o que se espalha não é apenas um som cotidiano, mas uma verdadeira onda de choque atmosférica. Essa perturbação viaja grandes distâncias e pode ser detectada por instrumentos sensíveis, mesmo quando já não é mais audível, como mostraram os barógrafos em 1883 e como demonstram hoje as redes globais de monitoramento de infrasom.

A propagação depende de fatores como temperatura, densidade do ar e altitude, que podem guiar e refletir essas ondas em determinadas camadas da atmosfera. No caso da erupção indonésia, estudos indicam que a onda de choque completou ao menos três voltas ao redor da Terra antes de se dissipar, algo que hoje ainda intriga pesquisadores e entusiastas e inspira simulações computacionais em modelos de climatologia acústica.

Tags: acústicahistóriaKrakatoa
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