Fundada em 1737 por ordem da coroa portuguesa, Rio Grande guarda o título de município mais antigo do Rio Grande do Sul. A 320 km de Porto Alegre, a cidade portuária reúne casarões tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a faixa de areia mais extensa do planeta.
O berço gaúcho que nasceu para guardar fronteira
O município foi erguido como forte militar para garantir a posse das terras ao sul do Brasil colonial. Por décadas, funcionou como ponto de disputa entre Portugal e Espanha, antes de virar a primeira capital da então província gaúcha.
Essa origem militar moldou a paisagem urbana atual. O centro histórico preserva igrejas do século XVIII, ruas de paralelepípedo e construções tombadas, como mostra a Secretaria de Turismo do RS. A Catedral de São Pedro, inaugurada em 1755, é considerada a igreja mais antiga do estado.

A praia de 254 km que entrou para o Guinness
A Praia do Cassino foi reconhecida pelo Guinness World Records em 1994 como a maior praia contínua do mundo em extensão. A faixa de areia começa nos Molhes da Barra, no acesso ao porto, e segue ininterrupta até a foz do Arroio Chuí, na fronteira com o Uruguai.
Outra peculiaridade rara no litoral brasileiro: os carros podem descer direto à praia e estacionar à beira-mar. O balneário também é o mais antigo do país, inaugurado em 1890 como complexo turístico com hotéis de luxo e cassinos, hábito que deu nome ao distrito.
O que visitar além da imensidão de areia?
O roteiro pela cidade portuária combina engenharia oceânica, museus científicos e fortalezas coloniais. Várias atrações ficam a poucos minutos do centro histórico.
- Molhes da Barra: avançam cerca de 4 km mar adentro, consideradas uma das maiores obras de engenharia oceânica do século XX.
- Museu Oceanográfico Eliézer de Carvalho Rios: maior acervo de moluscos da América Latina, ligado à Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
- Trenzinho do Molhe Oeste: vagonete movido a vela percorre 4,3 km sobre trilhos até o farol, com chance de avistar golfinhos.
- Navio Altair: cargueiro que encalhou em 1976 após um temporal e virou parada obrigatória na areia, a 21 km dos molhes.
- Forte de Santa Bárbara: fortificação do século XVIII com canhões preservados e vista para a Lagoa dos Patos.
Pescados frescos direto da Lagoa dos Patos
A culinária local gira em torno dos frutos do mar trazidos pela pesca artesanal. Os restaurantes da orla e do centro servem pratos que carregam o frescor do Atlântico e da maior laguna do Brasil.
- Camarão-rosa: espécie emblemática da região, preparada na chapa, empanada ou em moquecas.
- Anchova e corvina grelhadas: chegam direto dos barcos de pesca de Rio Grande e São José do Norte.
- Tainha assada: tradição do inverno gaúcho, servida com farofa e limão.
- Churrasco de chão: a marca da culinária gaúcha aparece nas churrascarias ao lado dos frutos do mar.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O verão concentra a alta temporada, com o balneário lotado entre dezembro e fevereiro. Fora desse período, a praia vira destino quase deserto, ideal para caminhadas e observação de aves.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade portuária do extremo sul?
Rio Grande fica a 320 km de Porto Alegre pelas BR-116 e BR-392, cerca de 4 horas de carro. O aeroporto mais próximo é o de Pelotas, a 60 km, com voos regulares para a capital gaúcha e São Paulo. Ônibus diretos saem todos os dias da rodoviária de Porto Alegre.
Conheça a cidade que guarda o início do Rio Grande do Sul
O extremo sul gaúcho reúne quase 300 anos de história, um porto que move a economia regional e uma faixa de areia que se perde no horizonte. Poucos lugares no Brasil conseguem oferecer essa mistura de patrimônio colonial e natureza em escala continental.
Você precisa conhecer Rio Grande e dirigir pela areia da Praia do Cassino até o sol se pôr sobre o Atlântico.










