Fundada em 1727 durante o ciclo do ouro, Pirenópolis conserva ruas de pedra, casarões coloniais e mais de 80 quedas d’água espalhadas pelo cerrado. A 150 km de Goiânia, a cidade de 26 mil moradores recebe 1,3 milhão de turistas por ano.
Do garimpo de ouro ao tombamento federal
O arraial nasceu às margens do Rio das Almas, quando garimpeiros do bandeirante Anhanguera chegaram à região atrás de novas jazidas. O nome original era Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, conforme registra a Prefeitura de Pirenópolis.
Em 1890, o município passou a se chamar Pirenópolis, em referência à Serra dos Pireneus, batizada por moradores que comparavam o relevo à cadeia europeia. Quase um século depois, em 1988, o conjunto arquitetônico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O centro histórico que sobreviveu a três séculos
O passeio começa pelas ruas de pedra quartzítica do centro, onde casarões coloniais e igrejas barrocas mantêm a feição original. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, com obras iniciadas em 1728, foi o primeiro monumento tombado pelo IPHAN em todo o Centro-Oeste, em 1941.
A construção foi parcialmente destruída por um incêndio em 2002 e restaurada nos anos seguintes. Continua sendo o maior templo religioso de Goiás. No entorno, o Teatro Sebastião Pompeu de Pina e a antiga Casa de Câmara e Cadeia formam o cartão-postal da cidade, segundo a Goiás Turismo.
O que fazer entre cachoeiras e mirantes do cerrado?
A região tem mais de 80 quedas d’água catalogadas em propriedades particulares e parques estaduais. A maioria fica em raio de 30 km do centro, com estrutura de trilhas e acesso pago.
- Cachoeira do Rosário: 42 metros de queda livre em uma das paisagens mais fotografadas da região.
- Cachoeira do Abade: 22 metros de altura, com poço amplo e praia de areia branca a 17 km do centro.
- Cachoeiras dos Dragões: conjunto de quedas em propriedade particular com trilha leve em meio à mata.
- Parque Estadual dos Pireneus: o Pico dos Pireneus chega a 1.300 metros de altitude, com vista de Anápolis e Brasília em dias claros.
- Fazenda Babilônia: engenho de 1800 com capelas originais e o tradicional Café Sertanejo no fogão a lenha.

Cavalhadas completam 200 anos de tradição em 2026
A Festa do Divino Espírito Santo é reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2010. A celebração acontece 50 dias após a Páscoa e mistura novenas, folias, máscaras e o cortejo do Imperador do Divino.
O ponto alto são as Cavalhadas, encenação medieval da batalha entre cristãos e mouros que segue um ritual de três dias no Campo das Cavalhadas. Introduzidas em 1826 pelo Padre Manuel Amâncio da Luz, a tradição completa duas décadas de história em 2026. A festa atrai cerca de 30 mil visitantes por edição, segundo o Ministério do Turismo.
A cozinha que celebra ingredientes do cerrado
A gastronomia local valoriza frutos típicos do cerrado e receitas herdadas das fazendas coloniais. O eixo gastronômico se concentra na Rua do Rosário, fechada para carros à noite.
- Empadão goiano: torta recheada com frango, linguiça, guariroba e azeitona, servida em fatias generosas.
- Galinhada com pequi: arroz cremoso com frango caipira e o fruto símbolo do cerrado.
- Pamonha de milho verde: versão doce ou salgada, vendida em barraquinhas e padarias.
- Carne de lata: técnica antiga de conservação em banha, resgatada nos restaurantes do centro.
- Cervejas artesanais: a cidade tem cervejarias próprias, como a Casarão e a Santa Dica.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A estação seca, entre maio e setembro, é a melhor época para trilhas e festas. No verão, as cachoeiras ficam volumosas, mas as estradas de terra exigem atenção redobrada.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Capital da Prata no interior de Goiás?
Pirenópolis fica a 150 km de Goiânia e a 170 km de Brasília, pela BR-070 e GO-225. O aeroporto mais prático é o de Brasília, com cerca de 2h30 de carro até a cidade. Ônibus regulares saem das rodoviárias das duas capitais todos os dias.
A cidade que guarda o berço da cultura goiana
O interior do cerrado preserva quase 300 anos de história, cachoeiras de água cristalina e uma das festas populares mais antigas do Brasil. Poucos destinos reúnem em um só lugar arquitetura colonial, natureza preservada e tradições que atravessam séculos.
Você precisa conhecer Pirenópolis, dormir no casario tombado e acompanhar de perto os 200 anos das Cavalhadas em 2026.









