Você responde uma mensagem enquanto participa de uma reunião, abre a planilha, volta para o e-mail, e ainda acha que está sendo produtivo. Mas o seu cérebro não faz duas coisas complexas ao mesmo tempo, mesmo que pareça. Na verdade, ele troca de foco em frações de segundo, um esforço que cobra um preço no fim do dia. Esse preço tem nome, e a neurociência já explica exatamente por que você termina tantos dias se sentindo esgotado sem ter feito nada de fisicamente cansativo.
O que realmente acontece quando você faz multitarefa?
O cérebro depende de funções executivas para organizar prioridades, tomar decisões e manter a atenção. Quando duas tarefas exigem raciocínio, linguagem ou memória, essas funções entram em disputa, obrigando o cérebro a trocar constantemente de contexto.
Em vez de executar duas atividades simultaneamente, a mente faz pequenas mudanças de foco em frações de segundo. Quanto maior a complexidade das tarefas, maior será o tempo necessário para retomar a concentração em cada uma delas.

Por que trocar de tarefa cansa tanto?
Cada mudança de atenção exige que o cérebro interrompa um conjunto de informações, recupere outro e reorganize a memória de trabalho. Esse processo consome energia e aumenta a atividade de diferentes regiões cerebrais envolvidas no controle da atenção.
Listamos abaixo os principais indicadores de sobrecarga mental que podem auxiliar na identificação desse estado e na adoção de medidas preventivas para o bem-estar:

O que é a “ressaca” da multitarefa?
Muitas pessoas terminam o expediente com a impressão de que passaram o dia ocupadas, mas produziram menos do que esperavam. Essa sensação ocorre porque o cérebro permanece tentando reorganizar informações deixadas incompletas a cada interrupção.
Esse custo cognitivo pode provocar fadiga mental, dificuldade para manter o foco, perda de memória recente e até aumento da sensação de estresse. Quanto mais frequentes forem as interrupções, maior tende a ser esse desgaste ao longo do dia.
Veja a seguir um vídeo do YouTube da Dra. Gladys Marques, que aborda os desafios de quem tenta realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo e a importância fundamental do foco para alcançar o sucesso profissional:
Existe alguma situação em que a multitarefa funciona?
Sim, mas apenas quando uma das atividades já é praticamente automática. Caminhar enquanto conversa, ouvir música durante uma atividade repetitiva ou dobrar roupas enquanto assiste à televisão exigem menos competição pelos mesmos recursos cognitivos.
Já combinar tarefas que dependem de leitura, escrita, cálculo, tomada de decisão ou aprendizado costuma reduzir o desempenho em ambas, justamente porque elas utilizam os mesmos sistemas de atenção e memória.
Como trabalhar com mais foco e menos desgaste?
A boa notícia é que pequenas mudanças de hábito podem diminuir significativamente o custo da alternância de atenção. Criar períodos dedicados a uma única atividade permite que o cérebro mantenha o foco por mais tempo e utilize melhor seus recursos cognitivos.
Algumas estratégias simples podem ajudar: reserve blocos de tempo para uma única tarefa importante, desative notificações durante atividades que exigem concentração, agrupe tarefas semelhantes, como responder e-mails em horários específicos, faça pequenas pausas entre blocos de trabalho para recuperar a atenção e evite alternar constantemente entre aplicativos e dispositivos.




