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Início Curiosidades

Ventos de milhares de quilômetros por hora espalham vidro em HD 189733 b, segundos os astronômos

Por Maria Beatriz Bezerra
08/07/2026
Em Curiosidades

Uma noite chuvosa na Terra pode trazer o som relaxante das gotas caindo no telhado. Agora imagine um lugar onde a chuva não é feita de água, mas de partículas de vidro impulsionadas por ventos mais rápidos do que qualquer furacão já registrado em nosso planeta. Parece ficção científica, mas um exoplaneta conhecido como HD 189733 b apresenta condições tão extremas que desafiam a nossa imaginação.

Por que esse planeta é tão diferente da Terra?

HD 189733 b é um gigante gasoso localizado a dezenas de anos-luz de distância. Ele orbita sua estrela tão de perto que completa uma volta em pouco mais de dois dias terrestres, ficando exposto a temperaturas escaldantes.

Esse calor intenso transforma minerais presentes na atmosfera em partículas de silicato. Em determinadas condições, esses materiais podem se condensar, formando uma espécie de chuva composta por minúsculos fragmentos semelhantes ao vidro.

planeta azul
As características mais impressionantes já observadas em um exoplaneta

Como pode chover vidro de lado?

Além das temperaturas extremas, esse mundo é marcado por ventos estimados em cerca de 7.000 quilômetros por hora. Essa velocidade é suficiente para transportar as partículas de silicato quase horizontalmente através da atmosfera.

Na prática, qualquer material exposto seria atingido por uma tempestade de partículas em altíssima velocidade, um ambiente muito mais hostil do que qualquer fenômeno meteorológico conhecido na Terra.

Veja a seguir um vídeo do YouTube do canal Universo CuriosoBR que apresenta o exoplaneta WASP-76b, um lugar extremo onde o ambiente é tão hostil que, durante a noite, metais vaporizados resfriam e caem como gotas afiadas de vidro, sendo carregadas por ventos de 17.000 km/h:

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Por que esse planeta parece azul?

Uma das imagens mais famosas de HD 189733 b mostra um planeta de um azul profundo, lembrando os oceanos terrestres. A aparência, porém, é enganosa.

Os cientistas acreditam que essa coloração esteja relacionada ao espalhamento da luz e à presença de partículas na atmosfera, e não à existência de água líquida. O que parece um mundo tranquilo é, na realidade, um dos ambientes mais extremos já estudados.

Listamos abaixo os principais fatores que explicam a ilusão da cor azul em certos exoplanetas, esclarecendo que, ao contrário do que a aparência sugere, essas características não indicam a presença de oceanos ou condições habitáveis:

Como os astrônomos descobriram tudo isso?

Mesmo estando muito distante, HD 189733 b pode ser estudado quando passa em frente à sua estrela. Nesse momento, parte da luz atravessa sua atmosfera, permitindo identificar elementos químicos e estimar temperatura, ventos e composição.

Combinando essas observações com modelos físicos, os pesquisadores conseguem reconstruir como funciona o clima desse mundo extraordinário.

O cenário é ainda mais assustador do que parece

Se fosse possível visitar HD 189733 b, a chuva provavelmente não seria o primeiro problema. Antes mesmo de pensar nas partículas de silicato, uma pessoa enfrentaria temperaturas capazes de destruir qualquer equipamento convencional e uma atmosfera incompatível com a sobrevivência humana.

Ainda assim, a ideia de partículas semelhantes a vidro sendo arremessadas lateralmente por ventos de milhares de quilômetros por hora mostra como o Universo consegue criar ambientes que ultrapassam qualquer cenário imaginado na Terra. O planeta de aparência azul pode até lembrar um paraíso distante, mas está muito mais próximo de um verdadeiro inferno cósmico.

Tags: atmosferachuva de vidroExoplanetagigante gasosoventos de 7.000 km/h
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