O rio corre tão cristalino que parece impossível haver correnteza. Os paredões de calcário sobem a mais de 100 metros e, no fundo do cânion, a queda d’água explode em espuma branca. Bodoquena, no interior do Mato Grosso do Sul, é o tipo de destino que aparece por acidente no roteiro de quem vai a Bonito e acaba roubando o protagonismo da viagem.
Uma serra que já foi mar e hoje protege 77 mil hectares de mata
O nome vem do tupi-guarani e significa “nascente em cima da serra”. Análises geológicas indicam que a formação rochosa da região pode ser remanescente de crosta oceânica, o que reforça teorias de que essa faixa do Mato Grosso do Sul já esteve submersa em tempos remotos. A cidade foi elevada a município em 1980 e tem pouco mais de 8 mil habitantes.
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em 2000 pelo Governo Federal, abrange 77.021 hectares e é administrado pelo ICMBio. A unidade protege o maior remanescente de Floresta Estacional Decidual do estado, em uma zona de transição entre Cerrado, Mata Atlântica de interior e Pantanal. Já foram registradas cerca de 400 espécies de aves e 195 de mamíferos, incluindo onça-pintada, ariranha e anta.

O que fazer entre cânions e cachoeiras de água cristalina?
A transparência dos rios da região se explica pela geologia: as cabeceiras cortam áreas de calcário muito puro, o que reduz a turbidez das águas a quase zero. Os passeios exigem disposição e calçado fechado, mas recompensam com cenários que parecem editados.
- Cachoeira Boca da Onça: com 156 metros de queda, é a mais alta do Mato Grosso do Sul. O nome vem da formação rochosa que lembra a face de uma onça. O local oferece trilhas com paradas em outras cachoeiras menores e o maior rapel de plataforma do Brasil, paralelo aos paredões do cânion. Premiada com o Travellers’ Choice do TripAdvisor em 2023, 2024 e 2025.
- Cânions do Rio Salobra: águas verde-esmeralda entre paredões de mais de 100 metros. As opções incluem rafting suave com trilha e banho ou descida em caiaque inflável.
- Córrego Azul: passeio de barco pelo Rio Salobra seguido de flutuação nas águas cristalinas do córrego. Um dos pontos de maior transparência da região.
- Balneário Refúgio Canaã: às margens do Rio Salobra, a 25 km do centro. Opção mais tranquila, com piscinas naturais em meio à Mata Atlântica preservada.
- Morraria do Sul: vilarejo com mirantes de vista panorâmica para a Terra Indígena Kadiwéu e o Pantanal do Nabileque. Passeios de bike pela região complementam o roteiro.
O vídeo do canal Destinos Imperdíveis explora a cidade de Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, localizada a apenas 40 minutos de Bonito. A região é um refúgio de águas cristalinas, cânions e cachoeiras exuberantes.
Sopa paraguaia e carne de sol na mesa do Cerrado
A gastronomia de Bodoquena mistura sabores do Pantanal com influência da fronteira com o Paraguai. Os restaurantes são simples, mas entregam pratos com identidade forte.
- Sopa Paraguaia: bolo salgado de milho que aparece no café da manhã e acompanha refeições. Herança direta da vizinhança com o Paraguai.
- Carne de sol com mandioca: o clássico do interior sul-mato-grossense, servido em praticamente todos os restaurantes da cidade e nas fazendas turísticas.
- Chipa: pãozinho quente de queijo e polvilho, vendido nas estradas e nas paradas dos passeios.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio na serra?
O clima é tropical com estações bem definidas. O inverno seco garante rios mais cristalinos e trilhas sem lama. O verão é quente e chuvoso, mas as cachoeiras ficam mais volumosas.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à serra entre Bonito e o Pantanal?
Bodoquena fica a 70 km de Bonito e a 265 km de Campo Grande, capital do estado. De carro, o acesso principal é pela BR-262 seguida da MS-339. De Miranda, porta de entrada do Pantanal, são apenas 60 km. O Aeroporto Internacional de Campo Grande é o terminal aéreo mais próximo, com voos de diversas capitais. A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul reúne informações atualizadas sobre a região.
A serra que merece sair da sombra de Bonito
Bodoquena tem tudo o que tornou Bonito famoso, com a diferença de que a cidade ainda não encheu de gente. Os cânions do Salobra, a Boca da Onça e as flutuações em córregos cristalinos formam um roteiro que dispensa complemento, mas funciona ainda melhor combinado com os destinos vizinhos.
Você precisa incluir Bodoquena no roteiro pelo Mato Grosso do Sul e sentir o tamanho daquela cachoeira de 156 metros no fundo do cânion, sem filtro e sem multidão.










