Em 1563, o Padre José de Anchieta ficou prisioneiro por quatro meses numa aldeia tupinambá enquanto negociava o que ficou conhecido como a Paz de Iperoig, o primeiro tratado de paz das Américas. Nesse mesmo trecho de areia, hoje chamado de Praia do Cruzeiro, ele escreveu o célebre Poema à Virgem. Ubatuba nasceu desse encontro e, quase cinco séculos depois, a “Capital do Surfe” continua reunindo história, mata atlântica e mar em 102 praias espalhadas por mais de 100 km de costa.
Da cidade mais rica de São Paulo ao paraíso esquecido
No início do século XIX, Ubatuba tinha rendas superiores às da capital paulista. O porto exportava café para a Europa e importava produtos industrializados. A construção da ferrovia Santos-Jundiaí deslocou a economia para o Oeste Paulista, e a cidade entrou em décadas de isolamento. Em 1940, restavam pouco mais de 3 mil habitantes.
A reabertura da Rodovia Oswaldo Cruz, nos anos 1930, reconectou Ubatuba ao Vale do Paraíba e iniciou o ciclo que define a cidade até hoje: o turismo. A antiga riqueza do café se transformou em patrimônio caiçara, e as praias que serviam de porto viraram destino de viajantes do Brasil inteiro. A Prefeitura destaca que Ubatuba figura entre os quatro municípios mais procurados por turistas no estado de São Paulo.

Quais praias não podem ficar de fora do roteiro?
Com 102 praias e mais de 20 ilhas, escolher é o maior desafio. O litoral se divide em região norte (praias mais preservadas, acesso por trilha ou barco), centro (infraestrutura urbana) e sul (enseadas com mar calmo). Ter carro facilita o roteiro, já que as distâncias entre as praias podem passar de 50 km.
- Praia do Félix: águas cristalinas, faixa de areia cercada por mata atlântica e mirante com vista panorâmica na Rodovia Rio-Santos.
- Itamambuca: um dos berços do surfe brasileiro. Mar forte, areia clara e comunidade caiçara preservada. Ubatuba sediou o primeiro Festival Brasileiro de Surfe em 1972, nesta região.
- Praia do Camburi: última praia do litoral norte, na divisa com Paraty. Areia branca, águas verdes e natureza exuberante em área de proteção ambiental.
- Praia da Fortaleza: mar calmo e raso, ideal para famílias. Piscinas naturais entre as rochas na maré baixa.
- Ilha Anchieta: acessível de barco a partir do Saco da Ribeira. O Parque Estadual protege 828 hectares de mata atlântica e praias desertas. As ruínas do antigo presídio (desativado após uma rebelião em 1952) fazem parte do roteiro.
Ubatuba é um dos destinos mais completos do litoral norte de São Paulo, oferecendo mais de 100 praias e 20 ilhas espalhadas por cerca de 100 km de costa. O vídeo do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 100 mil inscritos, apresenta um guia essencial para planejar a sua viagem, dividindo a cidade em três regiões principais:
O que fazer além da praia?
Cerca de 80% do território de Ubatuba é área de preservação. A serra, as trilhas e a cultura caiçara oferecem programas para dias nublados ou para quem quer mais do que areia e mar.
- Projeto Tamar: base de preservação de tartarugas marinhas com tanques ao ar livre, centro de visitantes e loja. Funciona o ano inteiro.
- Aquário de Ubatuba: 12 tanques de água salgada, incluindo o maior tanque marinho do Brasil, com 80 mil litros. Raias, tubarão-lixa, lagostas e moréias fazem parte do acervo.
- Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Picinguaba): com mais de 47 mil hectares, abriga trilhas em mata atlântica que levam a cachoeiras e comunidades quilombolas.
- Sobradão do Porto: casarão de 1846, um dos raros exemplos da arquitetura do ciclo do café preservados na cidade.
- Rota do Artesanato da Casanga: ateliês de entalhe em madeira e confecção de remos pintados à mão, tradição caiçara transmitida entre gerações.
O que comer na capital caiçara?
A gastronomia de Ubatuba vive entre o mar e a roça. O peixe fresco, a banana e a mandioca são a base de pratos que os caiçaras servem há gerações.
- Peixe caiçara na folha de bananeira: preparado com peixe fresco, banana e temperos da roça, assado em forno a lenha.
- Camarão à ubatubana: receita local servida com banana frita e farofa de mandioca.
- Pastel de camarão: encontrado em quiosques de praia e na feira de Itaguá, é parada obrigatória.

Quando ir a Ubatuba?
O clima é tropical úmido, com chuvas frequentes no verão. A baixa temporada (abril a junho) oferece praias vazias, preços acessíveis e dias ensolarados entre as pancadas. A Festa de São Pedro Pescador, em 29 de junho, é o maior evento popular da cidade, com procissão marítima e Benção dos Anzóis.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao litoral norte paulista?
Ubatuba fica a 250 km de São Paulo. O acesso mais comum é pela Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto até São José dos Campos, seguindo pela Rodovia dos Tamoios até Caraguatatuba e depois pela Rio-Santos. Quem vem do Rio de Janeiro segue direto pela Rio-Santos. O aeroporto local recebe apenas aviões de pequeno porte; os aeroportos mais próximos com voos comerciais são os de São Paulo e Guarulhos.
Muito além das 102 praias
Ubatuba é daqueles destinos onde a praia é só a porta de entrada. Por trás da areia estão a serra, as trilhas em mata atlântica, as comunidades caiçaras e quilombolas, e uma história que começa no primeiro acordo de paz do continente. Quase cinco séculos depois da Paz de Iperoig, a cidade continua convidando o visitante a ficar mais um dia.
Se você busca litoral com alma, onde o surfe divide espaço com a canoa de pescador e a mata desce até a areia, Ubatuba é o lugar para perder a conta das praias e encontrar o ritmo caiçara.










