O cheiro de alho fritando na banha e o som grave do berrante recebem quem chega a Barretos, no norte do Estado de São Paulo. A 421 km da capital, a cidade é conhecida como “Capital Nacional do Cavalo” de 122 mil habitantes carrega dois títulos improváveis: sede do maior rodeio da América Latina e berço de um dos hospitais oncológicos mais respeitados do continente.
De parada de boiadeiros a Capital Nacional do Rodeio
Fundada em 1854, Barretos cresceu como entreposto de gado. Tropeiros cruzavam a região levando boiadas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso rumo aos frigoríficos locais. No fim do dia, os peões competiam entre si para ver quem montava melhor nos cavalos bravos. Essa brincadeira virou tradição.
Em 1956, o clube Os Independentes organizou a primeira Festa do Peão de Boiadeiro. Sete décadas depois, o evento atrai cerca de 1 milhão de visitantes em 11 dias e movimenta centenas de milhões de reais na economia regional, segundo a Secretaria de Turismo de São Paulo (Setur-SP).

O que tem dentro de um parque de 2 milhões de metros quadrados?
O Parque do Peão foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1985. São 2 milhões de m² de área, o dobro do Autódromo de Interlagos. O coração do complexo é o Estádio de Rodeios, em formato de ferradura, com capacidade para 35 mil pessoas sentadas.
Fora da temporada de agosto, o parque segue aberto à visitação. O Monumento ao Peão (Jeromão) tem 27 metros de altura. Ao lado, o Memorial do Peão conta a história do rodeio brasileiro desde a primeira edição. A estátua do Boi Bandido marca o túmulo do touro mais temido das arenas, jamais vencido por qualquer competidor.
A energia da “Capital do Rodeio”, um destino que vibra com a tradição sertaneja e é referência mundial em solidariedade. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 30 mil inscritos, e apresenta Barretos, destacando a grandiosidade da Festa do Peão, o Hospital de Amor e o Parque do Peão, projetado por Oscar Niemeyer:
Hospital de Amor: solidariedade que virou referência mundial
Em 1962, os médicos Paulo Prata e Scylla Duarte Prata fundaram um pequeno hospital de 2 mil m² no centro da cidade. A população da região precisava viajar centenas de quilômetros até São Paulo para tratar câncer. O Hospital de Amor hoje ocupa mais de 200 mil m² e realizou mais de 2 milhões de atendimentos em 2024, todos pelo SUS.
A instituição mantém unidades em cinco estados e conta com mais de 5.300 colaboradores. Boa parte dos recursos vem de doações da sociedade e de leilões realizados durante a própria Festa do Peão, uma parceria que já dura mais de 30 anos. Barretos é, ao mesmo tempo, a terra do rodeio e da solidariedade.
Como é viver na terra do rodeio nos outros 354 dias do ano?
Fora de agosto, a Capital do Rodeio tem ritmo de cidade média do interior paulista. O IDH de 0,789, considerado alto pelo IBGE, reflete bons índices de escolarização e saneamento. A taxa de urbanização supera 97%, e o acesso a água tratada atende mais de 95% da população.
A economia gira em torno do agronegócio e dos serviços de saúde. O Parque dos Lagos é o ponto de encontro para caminhadas e pedaladas. A Catedral do Divino Espírito Santo, em estilo greco-romano, e o Museu Histórico Ruy Menezes complementam o circuito urbano para quem quer conhecer a cidade além da arena.

Queima do Alho e outros sabores que vieram da estrada
A Queima do Alho nasceu nas comitivas tropeiras. Durante a cavalgada, um peão descascava o alho e o guardava em conserva de gordura animal para adiantar o preparo da refeição. O nome vem do cheiro forte do alho fritando na banha, capaz de abrir o apetite a metros de distância.
O cardápio dos tropeiros permanece intacto: arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne seca e churrasco na chapa. Na Festa do Peão, 20 comitivas disputam o concurso oficial, preparando tudo em fogo de chão e utensílios rústicos. O Barretos Country Resort & Thermas, primeiro resort country do país, oferece gastronomia regional o ano inteiro.
Leia também: A “Manchester Goiana” a 1.000m de altitude, produz seis dos dez remédios mais vendidos e move a saúde do Brasil.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio em Barretos?
O clima é tropical com estação seca. Os verões são quentes e chuvosos, e o inverno concentra os dias mais amenos, com umidade do ar que pode cair bastante.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Capital Nacional do Rodeio
Barretos fica a 421 km de São Paulo pela SP-326 (Rodovia Faria Lima), com acesso pelas rodovias SP-348 (Bandeirantes) e SP-310 (Washington Luiz). O trajeto leva cerca de 5 horas de carro. A cidade também está a 120 km de Ribeirão Preto, que possui aeroporto com voos regulares.
A cidade onde rodeio e solidariedade dividem a mesma arena
Barretos carrega uma combinação rara no interior paulista: a energia de um evento que reúne 1 milhão de pessoas e a delicadeza de um hospital que acolhe pacientes do país inteiro, sem cobrar nada. Entre uma coisa e outra, sobra espaço para calçadas largas, churrasco na chapa e pôr do sol alaranjado sobre o cerrado.
Você precisa sentir o chão tremer na arena de Niemeyer e provar um arroz carreteiro feito em fogo de chão, porque Barretos só se entende de perto.










