O cheiro de pinhão assado e o frio fino da serra recebem quem sobe a RS-235 até Canela. A 837 metros de altitude e a apenas 7 km de Gramado, a cidade guarda algumas das paisagens naturais mais impressionantes do Rio Grande do Sul, com cânions, cachoeiras e parques que atraem mais de 2,5 milhões de visitantes por ano.
Uma caneleira que virou cidade turística
O nome vem de uma árvore. Uma caneleira próxima à atual Praça João Corrêa servia de ponto de encontro e descanso de tropeiros que cruzavam a serra no século XIX. O Coronel João Corrêa Ferreira da Silva foi o desbravador do povoado e responsável pela construção da estrada de ferro que ligou Canela a Taquara, concluída em 1924.
A colonização alemã e italiana moldou a arquitetura, a gastronomia e as festas da Região das Hortênsias. Emancipada em 1944, a cidade transformou serrarias em hotéis e trilhas em roteiros turísticos. Hoje, Canela forma com Gramado um dos destinos mais procurados do Brasil.

Quais parques naturais não podem ficar de fora?
A natureza é o grande trunfo de Canela. Cascatas, cânions e mata nativa estão a poucos minutos do centro, com infraestrutura preparada para todas as idades.
- Parque Estadual do Caracol: 100 hectares de área preservada e o principal cartão-postal da cidade. A Cascata do Caracol despenca 131 metros por rochas basálticas em meio à Mata Atlântica. Mirantes, trilhas e observatório ecológico completam a visita.
- Bondinhos Aéreos Parques da Serra: cabines fechadas que cruzam o vale até a altura da cascata, com paradas em dois níveis e exposição de esculturas em madeira ao longo do percurso.
- Skyglass Canela: plataforma de vidro que avança 35 metros sobre o cânion do Vale da Ferradura, a 360 metros de altura. Inaugurada em 2020, é uma das mais longas do mundo nesse formato.
- Ecoparque Sperry: trilhas ecológicas em meio à mata nativa com cachoeiras preservadas, ideal para quem busca silêncio e contato direto com a natureza.
Canela é um dos destinos mais completos da Serra Gaúcha, unindo natureza exuberante, história e uma gastronomia de alto nível. O vídeo é do canal VIVA ESSA VIAGEM, que conta com mais de 109 mil inscritos, e apresenta a Cascata do Caracol sob diversos ângulos, o charme do Castelinho Caracol e o show de luzes na Catedral de Pedra:
Catedral de Pedra e outras atrações no centro da cidade
A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, conhecida como Catedral de Pedra, é o cartão-postal urbano de Canela. Revestida em pedra basalto e construída em estilo gótico inglês a partir de 1953, a igreja ergue uma torre de 65 metros visível de qualquer ponto da cidade. Seus 12 sinos de bronze foram fabricados pela fundição Giácomo Crespi, na Itália. À noite, um show de luzes ilumina a fachada.
A poucos passos da catedral, a Estação Campos de Canella funciona como rua coberta com lojas de artesanato, chocolate e malhas. No caminho para o Caracol, o Castelinho Caracol surpreende: construído entre 1913 e 1915 em madeira de araucária, não tem um único prego nas paredes. São 18 cômodos encaixados e parafusados, e a torre do último andar oferece vista de 180 graus. O apfelstrudel servido no local é parada obrigatória.
Para famílias, o Alpen Park reúne trenó alpino, tirolesa e montanha-russa em 60 mil m² de área verde. O Mundo a Vapor recria locomotivas e máquinas em miniatura com riqueza de detalhes. O Parque Terra Mágica Florybal tem esculturas, trilhas temáticas e diversão para crianças.

O que comer entre uma atração e outra?
A gastronomia de Canela carrega a herança alemã e italiana da serra. Os sabores combinam com o frio e fazem parte da experiência tanto quanto os parques.
- Café colonial: mesas fartas com waffles, schmiers (geleias artesanais), cucas, pães caseiros e embutidos. Tradição herdada dos imigrantes alemães.
- Fondue: de queijo, carne ou chocolate, servido em dezenas de restaurantes do centro e arredores. No inverno, é quase unanimidade entre os visitantes.
- Apfelstrudel: a versão do Castelinho Caracol ficou famosa, mas várias cafeterias da cidade servem o doce de massa folhada recheado com maçã e canela.
- Chocolate artesanal: fábricas e lojas espalhadas pela cidade oferecem tabletes, trufas e bombons produzidos na região.
- Vinícola Jolimont: tour com degustação de vinhos e espumantes cultivados na serra, a poucos minutos do centro.
Leia também: Com mais de 94 m² de verde por habitante, essa capital planejada virou referência mundial em qualidade de vida.
Quando visitar a serra gaúcha?
O clima é subtropical úmido, com verões amenos e invernos frios. A temperatura média anual gira em torno de 16°C. Geadas são comuns entre junho e agosto, com registros ocasionais de neve.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital dos cânions gaúchos?
Canela fica a 123 km de Porto Alegre pela RS-020, cerca de 2 horas de carro. O Aeroporto Salgado Filho, na capital, é a principal porta de entrada. O Aeroporto Regional de Caxias do Sul, a 70 km, recebe voos de outras capitais. Ônibus partem de Porto Alegre com frequência diária. De Gramado, são apenas 7 km pela RS-235.
Um destino que vai além da vizinha famosa
Canela reúne cascatas que tiram o fôlego, uma catedral que se vê de longe, fondue no frio da serra e parques para todos os ritmos. A cidade tem personalidade própria e entrega experiências que Gramado, logo ali do lado, não reproduz.
Você precisa separar pelo menos três dias para Canela e sentir como a Paixão Natural da serra conquista quem chega disposto a explorar cada trilha e cada sabor.










