O uso correto de demais e de mais costuma gerar dúvidas no dia a dia, sobretudo em mensagens rápidas, redes sociais e textos profissionais. Embora visualmente pareçam muito semelhantes, cada forma tem função específica na frase e pode alterar o sentido do que se quer dizer, o que impacta diretamente a clareza, a formalidade e até a avaliação em provas e concursos.
Demais ou de mais? E por que essa distinção importa?
De forma resumida, demais junto costuma funcionar como advérbio de intensidade ou como pronome indefinido, enquanto de mais separado assume papel de locução adjetiva relacionada à ideia de quantidade.
Essa diferença gramatical explica por que as duas formas não são intercambiáveis em qualquer frase. Em textos formais, como redações, petições jurídicas e relatórios técnicos, usar uma no lugar da outra pode gerar ambiguidade de sentido, prejudicando a interpretação e a credibilidade do texto.
Como usar demais corretamente nas frases do cotidiano
Quando aparece junto, demais geralmente expressa intensidade. Em frases como “trabalhou demais”, o termo intensifica o verbo “trabalhar”, sugerindo que a ação foi realizada em grau elevado. Nessa função, pode acompanhar ainda adjetivos e advérbios, como em “tarde demais”, “bonito demais” ou “rápido demais”.
Outra função relevante é a de pronome indefinido, com sentido aproximado de “os outros” ou “as outras”. Exemplos comuns incluem: “Ele chegou na hora certa; os demais atrasaram” ou “As demais turmas terão aula amanhã”. Em ambos os casos, retirar “demais” enfraquece ou altera o enunciado, mostrando que a palavra cumpre papel estrutural ou de intensificador.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da professora Maria Eduarda, publicado em seu perfil @profmaria_eduarda que já conta com mais de 210 mil seguidores nas redes:
@profamaria_eduarda #portugues #gramatica #linguaportuguesa ♬ som original – Maria Eduarda
Quando usar de mais e como o teste do antônimo pode ajudar
Já a forma separada, de mais, costuma indicar quantidade excedente em relação ao necessário ou esperado. Em “Ele trouxe documentos de mais”, a ideia é de que houve documentos em quantidade superior à demanda, funcionando como expressão que qualifica o substantivo “documentos” com noção de excesso quantitativo.
Um recurso bastante citado por professores e gramáticas é o chamado teste do antônimo, que ajuda na prática. Sempre que houver dúvida entre “demais” e “de mais”, é possível tentar substituir a expressão por de menos; se a troca fizer sentido, normalmente o uso adequado é “de mais”, especialmente em frases ligadas a quantidade ou número.
Quais são os erros mais comuns com demais e de mais
Entre os equívocos mais frequentes está o uso de demais em contextos em que claramente há ideia de quantidade ligada a um substantivo. Frases como “Havia convidados demais na festa” podem ser interpretadas tanto como intensidade quanto como quantidade, o que gera certa flexibilidade. Já em “Ele trouxe provas demais para o processo”, muitas gramáticas aceitam “demais” como intensificador do excesso, ainda que haja um substantivo em jogo.
Para reduzir dúvidas no uso cotidiano e em textos profissionais, algumas orientações práticas podem ser seguidas de forma quase mecânica, ajudando a identificar rapidamente a função de cada forma:
- Identificar se há verbo sendo intensificado (“chorar demais”, “falar demais”).
- Verificar se há foco em quantidade de coisas ou pessoas (“coisas de mais”, “gente de mais”).
- Testar a substituição por “de menos” quando a dúvida persistir.
- Observar se “demais” retoma “os outros” ou “as outras” (“os demais alunos”, “as demais pessoas”).

Como fixar o uso de demais e de mais na rotina
Uma forma prática de consolidar o uso correto é criar associações simples: demais = intensidade ou “os demais”; de mais = quantidade a mais, geralmente comparável a “de menos”. Relacionar essas expressões a exemplos concretos do dia a dia — como situações de trabalho, estudos ou conversas — torna o reconhecimento mais automático.
Com o aumento do volume de comunicação escrita em meios digitais em 2025, a atenção a detalhes como demais e de mais passou a ser observada em processos seletivos, avaliações de desempenho e interações corporativas. Dominar essa distinção não é apenas um detalhe escolar: trata-se de uma habilidade linguística valorizada em contextos acadêmicos, profissionais e sociais.









