Alguns comportamentos ao volante podem funcionar como sinais discretos de que algo não está bem com as capacidades cognitivas de uma pessoa. Estudos recentes indicam que a forma de conduzir, sobretudo em idosos, pode estar associada ao risco de demência e a diferentes tipos de comprometimento cognitivo, reforçando a importância da observação do comportamento de direção como possível indicador precoce de alterações no cérebro, como mostrou a pesquisa “Association of Daily Driving Behaviors with Mild Cognitive Impairment in Older Adults Followed Over 10 Years”.
Como a direção se relaciona com a demência em idosos
A expressão condução e demência ganhou espaço em publicações científicas porque dirigir exige integração de memória, coordenação motora, visão, atenção e julgamento. Em pesquisas com idosos a partir de 65 anos, foram analisados padrões de direção, histórico de saúde e aplicado um conjunto de testes cognitivos padronizados para rastrear alterações sutis.
Em um desses estudos, quase 300 participantes foram monitorados, e uma parte deles apresentou sinais de comprometimento cognitivo leve após a avaliação clínica. Os cientistas observaram que pessoas com alterações cognitivas tendiam a assumir um estilo de condução mais restrito, o que pode refletir tentativas de adaptação a dificuldades ainda pouco percebidas pela própria pessoa.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da Dra. Carla Dal Ponte, que aborda esse cenário:
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Quais sinais na forma de dirigir podem indicar risco de demência
A ideia central dos estudos sobre demência e direção não é rotular qualquer mudança de hábito como doença, mas entender quais padrões, quando somados, merecem investigação médica. De forma geral, especialistas recomendam atenção a mudanças recentes, persistentes e sem explicação prática, que envolvam tanto frequência de uso do carro quanto o estilo de condução.
As pesquisas citam alguns exemplos de sinais que, em conjunto, podem sinalizar comprometimento cognitivo leve ou estágios iniciais de demência, especialmente quando observados por familiares ou cuidadores ao longo do tempo:
- Redução significativa do número de viagens de carro sem motivo prático claro.
- Evitar rotas novas, preferindo apenas trajetos muito familiares e curtos.
- Resistência crescente em conduzir à noite ou em vias movimentadas e complexas.
- Menor uso de alta velocidade, mesmo em estradas em que antes se conduzia com mais confiança.
- Curvas feitas de forma mais brusca ou, ao contrário, excessivamente lenta e hesitante.
- Aumento de travagens súbitas ou manobras inesperadas, como mudanças repentinas de faixa.
Em um trabalho publicado em 2021, pesquisadores utilizaram dados de condução combinados com informações demográficas para treinar um modelo computacional preditivo capaz de indicar se um indivíduo apresentava comprometimento cognitivo leve ou demência. Foram considerados aspectos como a distância média percorrida a partir de casa, a duração das viagens e o número de travagens bruscas, com precisão relatada de cerca de 88%, embora haja necessidade de mais dados e amostras mais diversas.
Como a tecnologia pode ajudar na detecção precoce de problemas cognitivos
Com o avanço da tecnologia veicular e dos smartphones, a monitorização da condução vem sendo estudada como ferramenta complementar de triagem. Sensores do próprio veículo, aplicativos de celular e sistemas de navegação podem coletar dados em tempo real e gerar biomarcadores digitais de condução, acompanhando as mudanças de forma contínua e discreta.
Entre as possíveis aplicações, pesquisadores destacam o uso de algoritmos de aprendizagem de máquina para gerar alertas precoces e apoiar a prática clínica, sempre como complemento aos exames convencionais e à avaliação neurológica especializada.
- Alertas precoces: identificar mudanças graduais no padrão de direção que, somadas, justifiquem uma avaliação médica mais detalhada.
- Apoio à decisão clínica: fornecer dados objetivos para profissionais de saúde avaliarem a aptidão para dirigir em pessoas com suspeita de declínio cognitivo.
- Educação personalizada: sugerir estratégias de condução mais segura, como evitar determinados horários, rotas ou condições de tráfego.
- Acompanhamento ao longo do tempo: medir se o padrão de condução se mantém estável, melhora ou piora após intervenções médicas ou mudanças de rotina.

Como equilibrar direção em idosos segurança e qualidade de vida
A discussão sobre condução e demência envolve também questões práticas, como segurança no trânsito, autonomia e qualidade de vida. Dirigir, para muitas pessoas mais velhas, representa independência e facilidade de acesso a consultas, compras e convívio social, mas o declínio cognitivo pode aumentar o risco de acidentes para o motorista, passageiros e terceiros.
Por isso, especialistas defendem que o tema seja abordado de maneira gradual e planejada, envolvendo família, profissionais de saúde e, quando necessário, órgãos de trânsito. A identificação precoce de alterações cognitivas permite planejar alternativas de mobilidade, adaptar rotinas e reduzir riscos sem decisões abruptas, e a tendência é que a análise de dados reais de condução ganhe espaço em políticas públicas de segurança viária e cuidado ao idoso.









