A discussão sobre a sociedade do cansaço ganhou força nos últimos anos, especialmente a partir das análises do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han. Ele descreve um cenário em que o rendimento, a produtividade e a autoexigência extrema moldam o cotidiano, produzindo um cansaço que não é apenas físico, mas também emocional, mental e relacional, afetando a forma como trabalhamos, descansamos e nos relacionamos.
O que é a sociedade do cansaço e como ela se organiza
A expressão sociedade do cansaço descreve um modelo em que o sujeito se torna empreendedor de si mesmo, sempre em busca de metas, resultados e aperfeiçoamento contínuo. Não há um chefe visível ordenando; o comando parece vir de dentro, como se cada pessoa fosse a principal responsável por se cobrar mais a cada dia, confundindo realização com desempenho permanente. O lema diz: “O respeito é a cola que mantém a sociedade unida. E se não tivermos isso, estamos a errar”.
Em vez de proibições rígidas, esse tipo de sociedade se baseia em incentivos e comparações: cursos, metas, coachings, métricas de produtividade e uma cultura de “melhorar sempre”. A ideia de crescimento infinito se transforma em exigência sem fim, abrindo espaço para quadros de exaustão prolongada, ansiedade, insônia e para a sensação de que nada é suficiente, por maior que seja o esforço.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @carolhallal:
@carolhallal A sociedade do cansaço de Byung Chul Han #filosofia #burnout #ansiedade #depressao #psicologia ♬ som original – Carol Hallal
Como a sociedade do cansaço afeta o corpo e a mente
Os impactos da chamada sociedade cansada aparecem tanto no corpo quanto na vida psíquica, muitas vezes de forma silenciosa. De um lado, surgem dores musculares, problemas de sono, alterações digestivas e fadiga constante; de outro, dificuldades de concentração, irritabilidade, perda de interesse por atividades antes prazerosas e um estado de alerta contínuo, como se tudo fosse urgente.
Alguns estudiosos destacam a tendência à autoexploração: a própria pessoa aumenta o ritmo, aceita prazos apertados, acumula tarefas e ainda sente culpa quando não dá conta de tudo. Em vez de reconhecer limites, internaliza a ideia de que precisa se “reprogramar” para produzir mais, ignorando sinais do corpo que indicam esgotamento e acreditando que tudo se resolve apenas com força de vontade.
- Sintomas físicos: dores de cabeça, tensão muscular, alterações de sono.
- Sintomas emocionais: apatia, irritação, sensação de vazio.
- Sintomas sociais: isolamento, conflitos recorrentes, impaciência com o outro.
Como redes sociais reforçam o desempenho e o cansaço
As redes sociais ocupam lugar central na dinâmica da sociedade do desempenho e do cansaço, funcionando como uma vitrine permanente. Nelas, há exposição constante de resultados, conquistas pessoais, rotinas de alta produtividade e padrões de sucesso difíceis de alcançar, o que intensifica a comparação diária e leva muitos a medir o próprio valor por curtidas, comentários e seguidores.
A comunicação digital acelerada também reduz o espaço para pausas genuínas, pois mensagens chegam a qualquer hora e demandas de trabalho invadem fins de semana e feriados. Em vez de descanso, o tempo livre se enche de rolagem infinita de telas, contribuindo para a saturação mental e tornando difusa a fronteira entre vida privada e vida pública, o que aprofunda a sensação de cansaço permanente.
- O indivíduo se expõe nas redes como uma marca pessoal.
- Recebe validação ou crítica imediata por meio de interações.
- Passa a ajustar comportamento para manter engajamento.
- Intensifica o ciclo de produtividade, visibilidade e cobrança interna.

Quais caminhos ajudam a enfrentar a sociedade do cansaço
Especialistas apontam que enfrentar a sociedade do cansaço passa por resgatar limites e redescobrir a importância do corpo e do tempo. Isso envolve reconhecer que o organismo não acompanha um ritmo de aceleração infinita: pausas, sono adequado e momentos de silêncio não são obstáculos ao desempenho, mas base da própria capacidade de agir e criar, prevenindo a exaustão crônica.
Outro ponto fundamental é a reconstrução de laços comunitários e de relações menos competitivas. Espaços de apoio, escuta e cooperação funcionam como contrapeso ao isolamento e à agressividade, reforçando a ideia de que ninguém sustenta sozinho todas as exigências atuais. Pequenos gestos de atenção ao outro — e não apenas aos resultados — ajudam a construir formas mais sustentáveis de estar no mundo.
- Estabelecer horários claros de trabalho e descanso.
- Desconectar-se periodicamente de telas e notificações.
- Valorizar atividades sem finalidade produtiva imediata, como leitura ou caminhadas.
- Cuidar de rotinas básicas: alimentação, sono e movimento corporal.
- Buscar apoio profissional quando os sinais de esgotamento persistem.









