A frase “houveram muitos problemas” está tão presente na fala cotidiana que muitas pessoas nem desconfiam de que, segundo a gramática normativa do português, ela está errada. No ambiente profissional, em provas e até em situações formais do dia a dia, esse tipo de deslize pode causar estranhamento. Por isso, entender o uso correto do verbo haver faz diferença na construção de textos mais claros, adequados à norma culta e alinhados à concordância verbal exigida em contextos formais.
Por que a frase houveram muitos problemas está errada
Quando se fala em concordância verbal, o verbo haver costuma gerar dúvidas, principalmente porque, em alguns contextos, ele se comporta de maneira diferente dos demais verbos. Em especial, quando tem sentido de existir ou acontecer, ele passa a seguir uma regra própria e deixa muita gente em dúvida na hora de escrever ou falar em situações mais formais.
Na frase “houveram muitos problemas”, o falante imagina que “muitos problemas” é o sujeito e tenta fazer a concordância no plural. No entanto, nessa construção, o verbo haver tem sentido de existir, o que o torna um verbo impessoal. Verbo impessoal é aquele que não possui sujeito e, por isso, deve permanecer sempre no singular, independentemente da palavra que o acompanha.

Como funciona o verbo haver impessoal
De acordo com a norma-padrão, o correto é dizer “houve muitos problemas”. A palavra “problemas” funciona como objeto direto, e não como sujeito. Essa mesma regra vale para outras frases semelhantes, como “houve desentendimentos”, “houve mudanças importantes” ou “houve dificuldades no processo”, em que o verbo permanece obrigatoriamente no singular.
Quando o verbo haver significa “existir”, “acontecer” ou indica tempo decorrido, ele é impessoal e fica obrigatoriamente no singular. Esse uso é muito comum em notícias, documentos oficiais e textos acadêmicos, nos quais se exige aderência à norma culta e à concordância formal.
Quais são exemplos corretos do verbo haver impessoal
Alguns exemplos ajudam a visualizar a aplicação prática dessa regra e a diferenciar o uso correto de formas consideradas inadequadas na norma culta. Observe como o verbo haver permanece no singular mesmo diante de termos no plural que indicam quantidade ou variedade de elementos.
- Houve muitos protestos durante a reunião. (e não: “houveram muitos protestos”)
- Havia dúvidas sobre o resultado. (e não: “haviam dúvidas”)
- Haverá novas etapas no processo seletivo. (e não: “haverão novas etapas”, com sentido de existir)
- Há relatos divergentes sobre o caso. (e não: “hão relatos”, na acepção de existir)
Quando a forma houveram é usada de modo correto
Embora “houveram muitos problemas” esteja inadequado na norma culta, a forma “houveram” existe e pode ser usada em contextos específicos. Isso ocorre quando o verbo haver deixa de ter sentido de “existir” e passa a ser um verbo pessoal, isto é, com sujeito definido, permitindo a concordância no plural.
Isso acontece, por exemplo, quando o verbo é auxiliar ou quando retoma um sujeito explícito, geralmente em construções ligadas a obrigações ou ações realizadas por pessoas. Nessas situações, o verbo integra a locução “haver de + infinitivo”, que expressa ideia de necessidade, compromisso ou probabilidade futura:
- Houveram de reconhecer os próprios erros. (sujeito implícito: “eles”)
- Os participantes houveram de concordar com as novas regras.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da professora Daiane, publicado no perfil @dai.professora que conta com mais de 26 mil seguidores nas redes:
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Como evitar erros com o verbo haver no dia a dia
Uma forma simples de evitar equívocos com o verbo haver é substituí-lo, mentalmente, por “existir”. Se a troca fizer sentido e você estiver diante de uma estrutura impessoal, lembre-se de que a norma culta geralmente exige o verbo no singular. Ainda assim, é importante saber que o uso popular muitas vezes diverge dessa regra, especialmente na linguagem falada.
- Identificar se o verbo indica existência, acontecimento ou tempo decorrido.
- Verificar se há sujeito explícito ou implícito na oração.
- Manter o verbo no singular sempre que ele tiver valor de “existir” ou “acontecer”.
- Permitir a concordância no plural apenas quando haver for verbo auxiliar ou pessoal.
Com esse cuidado, expressões como “houve muitos problemas”, “houve acidentes na estrada” e “há diversos motivos para a decisão” passam a ser usadas de forma consistente em textos formais e informais. A atenção a esse ponto da gramática contribui para uma comunicação mais precisa, especialmente em contextos em que a norma culta é exigida.








