Em situações formais de comunicação, algumas frases podem causar estranhamento ao ouvido, mesmo estando corretas de acordo com a gramática normativa. Um exemplo frequente é a construção “terá de dividir entre mim e você”. A forma pode soar artificial para quem está acostumado a ouvir “entre eu e você”, mas a norma-padrão do português orienta de maneira diferente, pois a escolha adequada dos pronomes nesse contexto está diretamente ligada à função que desempenham na frase e à distinção entre linguagem formal e linguagem coloquial.
Qual é a forma correta entre eu e você ou entre mim e você
Na expressão “entre mim e você”, a preposição “entre” exige que os termos seguintes exerçam função de complemento, e não de sujeito. Por esse motivo, emprega-se a forma oblíqua, conforme estabelece a gramática tradicional para os casos em que o pronome aparece após uma preposição.
Quando alguém diz “entre eu e você”, utiliza uma forma típica de sujeito em uma posição que pede complemento da preposição. A norma culta considera essa construção inadequada em contextos formais, ainda que seja frequente na fala cotidiana. Essa diferença entre o uso informal e a prescrição gramatical ajuda a explicar por que a frase “terá de dividir entre mim e você” pode soar estranha para alguns falantes, mesmo estando de acordo com a regra.

Por que se usa mim e não eu depois de preposição
Na estrutura da língua portuguesa, o pronome eu é classificado como pronome pessoal do caso reto, tradicionalmente associado à função de sujeito. Já o pronome mim é um pronome pessoal oblíquo, usado principalmente como complemento de verbo ou de preposição. Em construções como “para mim”, “sem mim”, “de mim” ou “entre mim e você”, o termo que vem depois da preposição não exerce papel de sujeito, mas de objeto.
De forma simplificada, a norma-padrão segue a orientação de que não deve haver verbo depois de mim. Essa diretriz ajuda a diferenciar casos em que o pronome exerce função de sujeito da forma em que aparece apenas como complemento. Compare os exemplos a seguir, que ilustram bem essa diferença de função sintática:
- Correto: “Ele falou para mim.” (mim como complemento da preposição “para”)
- Correto: “Ele falou para eu sair.” (há verbo depois de “eu”, que é sujeito de “sair”)
- Correto: “Terá de dividir entre mim e você.” (mim e você como complementos de “entre”)
- Inadequado na norma-padrão: “Terá de dividir entre eu e você.” (eu usado como se fosse complemento)
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do professor Noslen, em seu próprio perfil @professornoslen que conta com quase 950 mil seguidores:
@professornoslen "Entre mim e você" ou "entre eu e você"? Qual é o certo? ⠀ A forma correta é: entre mim e você. ⠀ 💡 Sabe por quê? Porque depois de preposição (como “entre”) a gente não usa pronome do caso reto (como “eu”). ⠀ Ou seja, nada de “entre eu e você”! O certo é com o mim, que é pronome oblíquo. ⠀ ✅ Português com explicação simples 🎯 Dica rápida pra você nunca mais errar ⠀ Curtiu? Então já salva e compartilha com aquele amigo que ainda fala errado! #portugues #gramatica #dicasdeportugues #linguaportuguesa #estudar #portuguesparaconcursos #enem #concursos #aprendanotiktok ♬ som original – professornoslen
Como aplicar essa regra no dia a dia da língua portuguesa
A expressão “entre mim e você” é apenas um dos contextos em que a escolha do pronome pode gerar dúvida. Em situações de fala formal, em textos acadêmicos, documentos profissionais e comunicações oficiais, o uso coerente dos pronomes pessoais contribui para a clareza e para a adequação linguística, reforçando a diferença entre o registro coloquial e o registro culto.
Algumas orientações práticas podem ajudar na aplicação da regra na rotina, evitando deslizes em contextos que exigem maior correção gramatical. Observe que essas dicas se baseiam na identificação da preposição, da presença de verbo e da função que o pronome exerce na frase:
- Identificar a presença de preposição: termos como “de”, “para”, “por”, “sem”, “em”, “entre” costumam exigir pronomes oblíquos.
- Verificar se há verbo em seguida: se o pronome estiver ligado a um verbo que vem depois, tende a funcionar como sujeito desse verbo, favorecendo o uso de “eu”, “tu” ou “ele”.
- Observar a função do pronome na frase: se estiver recebendo a ação ou completando o sentido da preposição, o uso de “mim” e outros pronomes oblíquos é o mais adequado na norma-padrão.
A partir dessa lógica, frases como “isso ficará entre mim e você”, “ele contou para mim” e “depende de mim” seguem a mesma estrutura: preposição seguida de pronome oblíquo, sem verbo depois dele. Já em construções como “ele pediu para eu avisar”, o pronome “eu” retoma sua função típica de sujeito do verbo “avisar”, mantendo-se alinhado à gramática normativa vigente em 2025.







