Geadas no inverno, chimarrão na varanda e araucárias em cada horizonte. Lages ocupa o topo do ranking territorial de Santa Catarina e oferece um cotidiano que mistura tradição tropeira com infraestrutura de cidade média consolidada, a 916 metros de altitude no coração da Serra Catarinense.
De pouso tropeiro a maior cidade em área do estado
Em 1766, o bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo fundou a povoação de Nossa Senhora dos Prazeres das Lajens às margens do rio Carahá. O objetivo era proteger os tropeiros que conduziam gado do Rio Grande do Sul a São Paulo e frear o avanço dos castelhanos sobre o planalto. A rota comercial moldou a identidade local: até hoje, monumentos espalhados pelo centro homenageiam esses condutores de tropas.
Lages integrou a República Juliana durante a Guerra dos Farrapos e, em 1888, viu nascer na Coxilha Rica o lageano Nereu Ramos, único catarinense a ocupar a Presidência da República (1955-1956). Seu memorial no centro da cidade reúne cerca de 3 mil fotografias e objetos pessoais.

Como é o dia a dia de quem mora na Princesa da Serra?
O ritmo é sereno, mas não parado. A cidade reúne dois campi universitários, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), hospital de referência regional e um centro revitalizado com calçadão, Mercado Público e comércio diversificado. O Lages Garden Shopping, inaugurado em 2014, complementa a oferta de serviços.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município registra 164.981 habitantes (Censo 2022), IDHM de 0,770 (alto) e PIB per capita de R$ 50.561. A escolarização de crianças de 6 a 14 anos alcança 98,57%. Para uma cidade do interior serrano, a estrutura educacional e de saúde funciona como âncora de toda a região.
O encanto da “Princesa da Serra”, a capital nacional do turismo rural e um dos destinos mais frios do sul do país. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 30 mil inscritos, e apresenta Lages, destacando a sua história, a famosa Festa Nacional do Pinhão e as suas fazendas centenárias:
Quais parques e espaços de lazer o morador frequenta?
Lages se destaca pela quantidade de áreas verdes abertas no perímetro urbano. Moradores utilizam esses espaços o ano inteiro, do piquenique no verão à roda de chimarrão nas manhãs geladas.
- Parque Jonas Ramos (Tanque): lago com carpas, pedalinhos, academia ao ar livre e biblioteca pública. O local foi construído por volta de 1770 pelo próprio fundador da cidade.
- Parque Ecológico Municipal João José Theodoro da Costa Neto: trilhas entre araucárias e abriga espécies em risco, como a gralha-azul.
- Morro da Cruz: escadaria de 500 degraus, mirante com vista panorâmica e rampa de parapente.
- Salto Caveiras: lago formado pela barragem de uma usina hidrelétrica a 20 km do centro, usado para esportes náuticos e pesca.

A cidade que inventou o turismo rural no Brasil
Em 1984, a Fazenda Pedras Brancas abriu suas porteiras para receber visitantes, criando o modelo de turismo rural que se espalhou pelo país. Lages carrega desde então o título informal de Capital Nacional do Turismo Rural. A Prefeitura de Lages estima que mais de 50 mil pessoas visitam fazendas e atrativos do município a cada ano.
Para o morador, essa vocação se traduz em acesso fácil a cavalgadas, trilhas na Coxilha Rica e jantares campeiros em fazendas centenárias cercadas por taipas de pedra, tudo a menos de meia hora do centro. Nos fins de semana, famílias lageanas trocam o sofá por essas propriedades com a naturalidade de quem vai à padaria.

Festa Nacional do Pinhão e a mesa serrana
Desde 1973, Lages celebra o pinhão com uma festa que já chegou à 35ª edição em 2025. O evento durou 17 dias, com mais de 100 atrações distribuídas por quatro palcos e público recorde de 22.500 pessoas em uma única noite, segundo a Prefeitura. Para o lageano, a festa não é apenas turismo: é reencontro comunitário, sapecada na grimpa e chimarrão no calçadão.
No dia a dia, a gastronomia serrana aparece no entrevero (mistura de carnes e legumes na panela de ferro), na paçoca de pinhão, no charque com mandioca e nas cervejarias artesanais que vêm ganhando espaço no Mercado Público. O pinhão entra em pratos doces e salgados entre março e julho, época da colheita.
Quando o frio define a rotina na serra
O clima subtropical de altitude é a marca de Lages. A média anual gira em torno de 15°C a 16°C. No inverno, geadas são frequentes e a temperatura pode chegar abaixo de zero.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à maior cidade da Serra Catarinense?
Lages fica a 231 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 3h de carro. A BR-116 também corta o município, ligando-o a Curitiba (360 km) e Porto Alegre (340 km). O Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto (25 km), opera voos regionais pela Azul Linhas Aéreas.
Uma cidade que cresce sem perder o cheiro de pinhão
Lages combina o sossego da serra com a estrutura que uma família precisa para viver bem: universidades, hospitais, parques abertos e uma identidade cultural que poucos municípios brasileiros conseguem manter tão viva. O frio de junho, a fumaça da sapecada e o som de uma chula no calçadão fazem parte do cotidiano, não do folheto turístico.
Se você busca um lugar onde o inverno tem personalidade e o ritmo do dia respeita o seu, a Princesa da Serra merece uma visita que pode virar endereço.










