No fim do século XIX, quem andava pelas ruas de Sorocaba, no interior de São Paulo, ouvia o ritmo das fábricas. Os apitos chamavam os operários para o turno, as chaminés soltavam fumaça e os teares não paravam. A cidade que tinha crescido com o comércio de mulas virou um grande centro têxtil e ganhou o apelido de Manchester Paulista, em referência à cidade inglesa símbolo da Revolução Industrial. Parte dessa história ainda pode ser vista em prédios, vilas e museus.
Como Sorocaba virou a Manchester Paulista?
Com a chegada das tecelagens. A primeira grande fábrica foi a Nossa Senhora da Ponte, inaugurada em 1882, segundo o portal ipatrimônio. Logo depois vieram outras. Um artigo publicado na revista História e Cultura, da Unesp, registra que as fábricas Votorantim e Santa Rosália surgiram em 1890 e a Santa Maria, em 1896.
A cidade cresceu ao redor das fábricas. Segundo o Jornal Cruzeiro do Sul, estima-se que, nos anos 1920, Sorocaba tivesse 164 estabelecimentos industriais e cerca de 18 mil operários, o que fazia dela a segunda maior concentração operária do estado de São Paulo.

Como era uma grande tecelagem da época?
Movida a vapor e com centenas de máquinas. Segundo o portal de turismo da Prefeitura de Sorocaba, a Fábrica de Tecidos Santa Rosália foi fundada em 24 de outubro de 1890 e recebeu o nome de Rosália Oetterer Speers, filha e esposa de seus fundadores. A energia vinha de uma grande caldeira, e as seções da fábrica eram movidas por máquinas a vapor.
Os números impressionam. A Prefeitura registra que, em 1914, a Santa Rosália contava com cerca de 625 teares, 60 máquinas de cardar algodão e 840 operários, com produção mensal de 80 mil quilos de algodão. A fábrica funcionou até 1994, e o prédio foi preservado como patrimônio.
Como viviam os operários das fábricas?
Em vilas operárias e com trabalho pesado. O Jornal Cruzeiro do Sul cita bairros que nasceram como vilas ligadas às fábricas, como Vila Hortência, Vila Santana e Santa Rosália, onde moradores contam que o apito da antiga fábrica podia ser ouvido até por volta dos anos 2010.
O dia a dia era duro. Uma reportagem do Sesc São Paulo descreve o trabalho sob o calor das caldeiras e com algodão suspenso no ar, e reproduz o relato de trabalhadoras que diziam sair “empanado com o suor e o algodão grudado no corpo”. Os operários também se organizaram: segundo a revista da Unesp, a greve de 1917 em Sorocaba começou na Fábrica Santa Maria.
O que ver da Manchester Paulista hoje?
Prédios, vilas e um museu contam essa história. Estes são alguns pontos para conhecer.
Como é o clima de Sorocaba ao longo do ano?
O verão é chuvoso, e o inverno, seco e ameno. Janeiro concentra 222 mm de chuva em média, enquanto agosto registra 35 mm, e julho tem mínima de 12°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que ainda ouve o eco dos teares
Sorocaba guarda na paisagem a memória de um tempo em que o algodão movia a cidade. Fábricas com centenas de teares, vilas operárias e apitos que marcavam as horas transformaram a antiga cidade tropeira na Manchester Paulista, com milhares de trabalhadores e uma intensa vida operária. Hoje, prédios preservados, um museu e um passeio de trem ajudam a revisitar essa época.
Você precisa embarcar no Trem dos Operários, visitar o Museu da Tecelagem e caminhar pelas antigas vilas operárias para entender por que Sorocaba ganhou o apelido de Manchester Paulista.




