No topo de uma colina a 618 metros de altitude, uma igreja com torres de 65 metros domina a paisagem de parreirais que se estendem até o vale do rio das Antas. Monte Belo do Sul, a “Pequena Itália” no Rio Grande do Sul, é o maior produtor per capita de uvas finas da América Latina, com 16 toneladas por habitante ao ano, e concentra a maior produção de vinhos naturais do Brasil.
Imigrantes italianos que transformaram a colina em vinhedo
Os primeiros colonos chegaram em 1877, vindos de cidades como Udine, Veneza, Treviso e Bérgamo. Plantaram videiras nas encostas, construíram capelas de pedra e mantiveram o dialeto vêneto no cotidiano. Monte Belo foi distrito de Bento Gonçalves até 1992, quando se emancipou com pouco mais de 2 mil moradores.
Hoje, quase 40% da área do município é coberta por vinhedos. Em 2013, a Embrapa Uva e Vinho reconheceu a Indicação de Procedência (IP) Monte Belo, formada exclusivamente por vinícolas familiares de pequeno porte. A cidade também faz parte da Denominação de Origem (D.O.) Vale dos Vinhedos, a primeira certificação do tipo para vinhos no país.

Quais vinícolas visitar em Monte Belo do Sul?
São cerca de 20 vinícolas abertas ao enoturismo, todas familiares e com produção artesanal. O visitante é recebido, muitas vezes, pelo próprio enólogo ou pelo dono dos parreirais. Agende com antecedência, já que as vagas são limitadas.
- Vinícola Monte Bello: degustação harmonizada com focaccia, queijo brie e presunto parma, conduzida pelo enólogo da casa. Produção limitada a 20 mil garrafas por ano.
- Somacal Vinhos e Licores: fundada em 2018, oferece flight de licores da marca Splendore, produzidos 100% com frutas naturais, no jardim da propriedade.
- Casa Marques Pereira: nasceu como hobby familiar e hoje apresenta degustação orientada de cinco rótulos das linhas Reserva e Gran Reserva.
- Vinícola Avvocato: experiência intimista com tábua de queijos e frios para duas pessoas, harmonizada com vinhos das linhas jovem e reserva.
Escondida nas colinas da Serra Gaúcha, esta pequena cidade preserva a essência mais pura da imigração italiana. O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1 milhão de inscritos, e detalha as tradições de Monte Belo do Sul, como o dialeto Talian, o Polentaço e o artesanato local: mais de 1 milhão de subscritos.
Uma tanoaria artesanal que faz barris para a Miolo
A arte de fabricar barricas de carvalho está praticamente extinta no Brasil, mas sobrevive em Monte Belo do Sul. A Tanoaria Mesacaza, fundada na década de 1960, já produziu mais de três mil barricas apenas para a Vinícola Miolo. Três gerações da família trabalham no ofício: o fundador Miguel Arcângelo, o filho Eugênio e o neto Mauro.
O visitante acompanha cada etapa da produção, da curvatura das aduelas ao tostamento interno da madeira. A tanoaria é uma das únicas do país que importava carvalho francês para fabricar barris artesanalmente.
Onde comer na menor cidade gastronômica da serra?
A gastronomia de Monte Belo do Sul preserva receitas trazidas pelos imigrantes e servidas com ingredientes da própria terra.
- Casa Olga: instalada na casa onde viveu a avó Olga, serve massas artesanais em ambiente que mistura sala de jantar e museu familiar. O cappellacci de abóbora com manteiga e sálvia é assinatura da casa.
- Francesco Trattoria: em um casarão de 1938 na praça central, o chef Francisco Ferri combina receitas italianas com vinhos locais. O ossobuco ao molho de vinho tinto com risoto de açafrão é referência.
- Bello Sapore: piquenique entre parreirais com tábuas coloniais, geleias artesanais e espumantes da região. Funciona também como armazém colonial.
- Famiglia Tasca: sucos e geleias artesanais com museu que conta a história da imigração. Piquenique na sportola com produtos da família.

O Polentaço que entorna 800 kg de polenta na praça
Todo ano, geralmente entre maio e agosto, Monte Belo do Sul celebra o Polentaço, festival que transforma a Praça Padre José Ferlin em palco gastronômico. O momento mais esperado é o tombo da polenta gigante: 800 kg de farinha de milho cozida são entornados de uma só vez e distribuídos gratuitamente ao público.
A comunidade monta esculturas feitas inteiramente de polenta, expostas durante o evento. Barraquinhas ao redor da praça vendem preparos variados da iguaria, vinhos, espumantes e artesanato local. O outro grande evento é o Vieni Vivere la Vita Festival, em novembro, que celebra a cultura italiana com música, gastronomia e degustações.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O outono traz as cores mais bonitas aos vinhedos e temperaturas amenas para caminhar entre as propriedades. No inverno, o frio intenso combina com degustações junto à lareira. A vindima acontece entre janeiro e março.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao borgo italiano da serra gaúcha?
Monte Belo do Sul fica a 18 km de Bento Gonçalves pela RS-444, cerca de 25 minutos de carro. De Porto Alegre, são 133 km pela ERS-122, em torno de 2 horas. O aeroporto mais próximo é o Regional de Caxias do Sul, a 45 km. Não há transporte público direto, mas ônibus saem de hora em hora de Bento Gonçalves até o centro da cidade.
Viva a vida entre vinhedos e polenta
Monte Belo do Sul condensa em 56 km² o que a serra gaúcha tem de mais autêntico: vinícolas familiares, gastronomia de raiz italiana, paisagens de vale e uma comunidade que preserva tradições com orgulho. O slogan turístico da cidade, Vieni Vivere la Vita, resume a experiência de quem sobe a colina.
Você precisa estacionar o carro na praça, pedir um espumante da IP Monte Belo e olhar os parreirais descendo a encosta, para entender por que essa cidade de 2.500 pessoas conquista quem chega sem pressa.










