Fundada em 1549 como primeira capital do Brasil, Salvador guarda o centro histórico mais exuberante do continente. O Pelourinho é Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) desde 1985.
Por que Salvador virou a capital negra do Brasil?
Porque foi o porto de entrada da maior população africana escravizada das Américas, e essa herança moldou a cidade em todos os sentidos. A cultura afro-brasileira está presente na música, na religião, na culinária, no ritmo das ruas e nas manifestações populares que fazem do Pelourinho um palco vivo.
A Bahia guarda quatro dos bens imateriais registrados como Patrimônio do Brasil, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN): a Festa do Senhor do Bonfim, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Ofício das Baianas de Acarajé e a Roda de Capoeira. Todos brotaram ou ganharam corpo em Salvador.

O que visitar no Centro Histórico tombado pela UNESCO?
O centro histórico foi tombado pelo IPHAN em 1984 e, no ano seguinte, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial. A área abrange cerca de 80 hectares entre ladeiras, becos e igrejas. Tudo se visita a pé, de preferência com calçado confortável.
- Largo do Pelourinho: o cartão-postal com casarões coloridos e vista da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída por pessoas escravizadas no século XVIII.
- Igreja e Convento de São Francisco: uma das obras barrocas mais ricas do país, com interior revestido em talhas douradas e azulejos portugueses.
- Terreiro de Jesus: praça onde os jesuítas ergueram seu colégio, hoje rodeada pela Catedral Basílica e pelo Museu Afro-Brasileiro.
- Fundação Casa de Jorge Amado: instalada em casarão azul no Largo do Pelourinho, preserva a obra do escritor baiano mais traduzido do Brasil.
- Elevador Lacerda: liga a Cidade Alta à Cidade Baixa desde 1873 e oferece uma das melhores vistas da Baía de Todos os Santos.
Salvador ganha um guia completo e atualizado para 2026 neste vídeo do canal Sonhe Alto Viagens. O vídeo é do Sonhe Alto Viagens, com cerca de 340 mil inscritos. A apresentadora, que morou na capital baiana por 14 anos, compartilha um roteiro de 5 dias que equilibra os cartões-postais históricos, como o Pelourinho e o Elevador Lacerda, com experiências gastronômicas autênticas e praias paradisíacas tanto na cidade quanto no Litoral Norte:
A cidade de dois planos: Cidade Alta e Cidade Baixa
A fundação de Salvador seguiu o modelo urbanístico ultramarino português, aproveitando o grande desnível da falha geológica. A Cidade Alta recebeu as funções administrativas, religiosas e residenciais. A Cidade Baixa concentrou o porto e o comércio, junto à beira-mar.
Essa divisão ainda molda o turismo. Na parte alta, ficam Pelourinho, Catedral e Palácio Rio Branco. Na parte baixa, o Mercado Modelo, a Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia e o porto. A conexão entre os dois planos é feita pelo Elevador Lacerda ou pelo histórico Plano Inclinado Gonçalves.
Olodum, Michael Jackson e a revolução musical do Pelô
Em fevereiro de 1996, o cantor Michael Jackson gravou o clipe de They Don’t Care About Us no Largo do Pelourinho, acompanhado dos tambores do Olodum. O vídeo rodou o mundo e reposicionou a cidade no mapa turístico internacional.
O Olodum é bloco afro e grupo cultural, nascido no próprio bairro e conhecido pelo samba-reggae que marca a batida das ruas de Salvador. Os ensaios no Pelourinho viraram atração em si, com apresentações abertas que enchem o Largo em noites específicas da semana.

As praias que se estendem por 30 km de orla
A orla soteropolitana começa no Farol da Barra, primeiro farol do continente americano, e segue até a Praia do Flamengo, já no extremo norte. Cada faixa de areia tem personalidade própria, e alguns trechos rivalizam com destinos internacionais.
- Porto da Barra: pequena, protegida e com águas calmas, é a preferida dos moradores para ver o pôr do sol.
- Itapuã: eternizada por Vinicius de Moraes e Toquinho, mistura cultura, bares e mar transparente.
- Flamengo e Stella Maris: praias mais extensas, com ondas boas para surfe e quiosques servindo peixe fresco.
- Praia do Forte: já em Mata de São João, a 80 km do centro, abriga o Projeto Tamar e é conhecida pelas piscinas naturais na maré baixa.
A cozinha baiana e o cheiro que vem da rua
Poucas cidades brasileiras têm uma identidade gastronômica tão forte. O acarajé, vendido por baianas em trajes tradicionais nas esquinas, é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e símbolo da cidade. A bola de massa de feijão fradinho é frita no azeite de dendê e recheada com vatapá, caruru, camarão seco e pimenta.
Outros pratos imperdíveis são a moqueca baiana, o bobó de camarão, a casquinha de siri e o caruru. Para quem quer experimentar de tudo, o Mercado Modelo concentra restaurantes e barracas de comida típica na Cidade Baixa.
O Dique do Tororó e os oito orixás flutuantes
Pouca gente que visita Salvador conhece o Dique do Tororó, o único manancial natural dentro da área urbana e uma das atrações mais simbólicas da cidade. O lago é tombado pelo IPHAN e abriga oito esculturas monumentais de orixás criadas pelo artista plástico Tatti Moreno em 1998.
As figuras de Oxum, Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxalá, Iemanjá, Nanã e Iansã flutuam sobre a água, homenageando o panteão afro-brasileiro. O dique fica na área central, perto da Arena Fonte Nova, e é parada obrigatória para entender a alma religiosa da cidade.

Quando visitar Salvador para aproveitar melhor?
O clima é tropical litorâneo, quente o ano inteiro, com chuvas concentradas entre abril e junho. Os meses mais secos e cheios de eventos vão de setembro a março, quando a cidade ferve em preparação ao Carnaval.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar e se locomover pela cidade?
O Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães recebe voos diretos de várias capitais brasileiras e algumas cidades do exterior, ficando a cerca de 30 km do centro histórico. Dentro da cidade, o Pelourinho deve ser percorrido a pé, já que boa parte das ruas é exclusiva para pedestres. Aplicativos de transporte funcionam bem e são a forma mais prática de circular entre bairros.
O coração afro-brasileiro do país
Salvador é daqueles lugares em que a história, a música, a religião e a culinária caminham juntas pelas mesmas ladeiras de pedra. Entre um tambor do Olodum, um acarajé quente na esquina e o ouro das igrejas barrocas, a cidade entrega uma das experiências mais densas do continente.
Você precisa subir as ladeiras do Pelourinho e entender por que Salvador é chamada de a mais africana das cidades brasileiras, num lugar onde o passado colonial e a resistência cultural convivem a cada esquina.










