Quem visita Tiradentes, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais, costuma se encantar com as igrejas barrocas e as ruas de pedra. Pouca gente repara, porém, no paredão de pedra que emoldura a cidade. A Serra de São José fornece há quase três séculos a água de um dos monumentos mais conhecidos da cidade e abriga uma variedade de libélulas tão grande que levou à criação de uma área protegida dedicada a esses insetos, algo inédito no país.
Por que a Serra de São José é tão importante para as libélulas?
Pela quantidade de espécies que vivem ali. Segundo a revista Ciência Hoje das Crianças, um levantamento feito por cientistas no refúgio registrou 128 espécies de libélulas, um número raro, porque, de acordo com o biólogo que coordenou a pesquisa, são pouquíssimas as áreas no mundo com tantas espécies juntas.
A serra também ganhou uma espécie com o nome da cidade. Durante a pesquisa, os cientistas descreveram uma nova libélula e a batizaram de Heteragrion tiradentense, em homenagem a Tiradentes. Ela foi encontrada em uma das áreas de Mata Atlântica mais conservadas da serra, justamente onde nascem as águas que abastecem o chafariz da cidade desde 1749.

Por que as libélulas indicam água limpa?
Porque são sensíveis à poluição. A Ciência Hoje das Crianças explica que os ambientes úmidos da serra, como lagoas, rios e brejos, são o maior atrativo para esses insetos, e que os biólogos usam a presença das libélulas como indicador da qualidade dos ambientes. Onde elas aparecem em grande variedade, há sinal de água em boas condições.
Esse papel tornou a serra um caso especial. Um estudo sobre a conservação das libélulas na região destaca que, em 2004, a Serra de São José se tornou a primeira área protegida do Brasil dedicada à conservação desses insetos e da água doce de que dependem, ao mesmo tempo em que aponta ameaças como incêndios e resíduos da antiga mineração.
Como a Serra de São José é protegida?
Por um conjunto de áreas de conservação. O decreto do Governo de Minas Gerais que organiza a gestão da região registra a criação do Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José, pelo Decreto nº 43.908, de 5 de novembro de 2004, abrangendo áreas de Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves e Prados.
A proteção começou bem antes. Segundo levantamento publicado no portal São João del-Rei Transparente, a comunidade de Tiradentes pediu o tombamento da serra ao Iphan em 1979, e vieram depois uma Área de Proteção Especial, em 1981, e uma Área de Proteção Ambiental, em 1990. Hoje, as unidades são administradas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).
O que ver na serra e na cidade?
O roteiro une natureza e patrimônio histórico. Estes são alguns dos pontos ligados à Serra de São José.
Como o chafariz de 1749 se liga à serra?
Pela água que desce das nascentes. O Chafariz de São José, construído em 1749, recebe até hoje a água que nasce nas encostas da serra, segundo a Ciência Hoje das Crianças. O monumento é tombado pelo Iphan e fica dentro da área de proteção ambiental, o que une, em um mesmo lugar, o patrimônio histórico e a natureza que o sustenta.
Para o visitante, essa ligação muda a forma de ver o passeio. A mesma água que corre pelo chafariz no centro histórico passa antes pelos córregos onde vivem as libélulas, em uma serra que a comunidade luta para proteger há décadas. Preservar a serra, nesse caso, significa também preservar um dos símbolos da cidade.

Como é o clima de Tiradentes ao longo do ano?
O verão é chuvoso, e o inverno, seco e frio. Dezembro concentra 274 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 12 mm, com mínima de 11°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma serra que guarda água, história e libélulas
Tiradentes é famosa pelo barroco, mas parte de sua riqueza está no paredão que a protege. A Serra de São José fornece água ao chafariz de 1749, abriga 128 espécies de libélulas e deu origem à primeira área protegida do Brasil dedicada a esses insetos. Entre igrejas coloniais e córregos cristalinos, a cidade mostra que patrimônio histórico e natureza podem fazer parte do mesmo roteiro.
Você precisa parar diante do Chafariz de São José, olhar para a serra ao fundo e imaginar as libélulas voando sobre os córregos de onde ela vem para entender por que Tiradentes é muito mais do que uma cidade barroca.




