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Início Cidades

A serra que abastece um chafariz desde 1749 abriga 128 espécies de libélulas e virou o primeiro refúgio do Brasil para esses insetos, ao lado de uma cidade colonial mineira

Por Maura Pereira
08/10/2026
Em Cidades, Turismo
Com 482 kg de ouro em uma única igreja e a Maria Fumaça mais antiga em operação do Brasil, essa é a Joia do Barroco Mineiro

Tiradentes prova que preservar o passado pode ser o melhor investimento para o futuro. / Créditos: depositphotos.com / Ukrolenochka

Quem visita Tiradentes, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais, costuma se encantar com as igrejas barrocas e as ruas de pedra. Pouca gente repara, porém, no paredão de pedra que emoldura a cidade. A Serra de São José fornece há quase três séculos a água de um dos monumentos mais conhecidos da cidade e abriga uma variedade de libélulas tão grande que levou à criação de uma área protegida dedicada a esses insetos, algo inédito no país.

Por que a Serra de São José é tão importante para as libélulas?

Pela quantidade de espécies que vivem ali. Segundo a revista Ciência Hoje das Crianças, um levantamento feito por cientistas no refúgio registrou 128 espécies de libélulas, um número raro, porque, de acordo com o biólogo que coordenou a pesquisa, são pouquíssimas as áreas no mundo com tantas espécies juntas.

A serra também ganhou uma espécie com o nome da cidade. Durante a pesquisa, os cientistas descreveram uma nova libélula e a batizaram de Heteragrion tiradentense, em homenagem a Tiradentes. Ela foi encontrada em uma das áreas de Mata Atlântica mais conservadas da serra, justamente onde nascem as águas que abastecem o chafariz da cidade desde 1749.

Com 482 kg de ouro em uma única igreja e a Maria Fumaça mais antiga em operação do Brasil, essa é a Joia do Barroco Mineiro
Tiradentes tem centro histórico tombado, Festival de Gastronomia anual e é set de novelas como Hilda Furacão. // Créditos: YouTube @Miapelomundo

Por que as libélulas indicam água limpa?

Porque são sensíveis à poluição. A Ciência Hoje das Crianças explica que os ambientes úmidos da serra, como lagoas, rios e brejos, são o maior atrativo para esses insetos, e que os biólogos usam a presença das libélulas como indicador da qualidade dos ambientes. Onde elas aparecem em grande variedade, há sinal de água em boas condições.

Esse papel tornou a serra um caso especial. Um estudo sobre a conservação das libélulas na região destaca que, em 2004, a Serra de São José se tornou a primeira área protegida do Brasil dedicada à conservação desses insetos e da água doce de que dependem, ao mesmo tempo em que aponta ameaças como incêndios e resíduos da antiga mineração.

Como a Serra de São José é protegida?

Por um conjunto de áreas de conservação. O decreto do Governo de Minas Gerais que organiza a gestão da região registra a criação do Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José, pelo Decreto nº 43.908, de 5 de novembro de 2004, abrangendo áreas de Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves e Prados.

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A proteção começou bem antes. Segundo levantamento publicado no portal São João del-Rei Transparente, a comunidade de Tiradentes pediu o tombamento da serra ao Iphan em 1979, e vieram depois uma Área de Proteção Especial, em 1981, e uma Área de Proteção Ambiental, em 1990. Hoje, as unidades são administradas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).

O que ver na serra e na cidade?

O roteiro une natureza e patrimônio histórico. Estes são alguns dos pontos ligados à Serra de São José.

1
Chafariz de São José Construído em 1749, ainda recebe a água que desce da serra e é um dos monumentos mais conhecidos de Tiradentes.
2
Serra de São José O paredão de quartzito que emoldura a cidade guarda trilhas, nascentes e áreas de Mata Atlântica e Cerrado.
3
Observação de libélulas Os córregos limpos da serra são o ambiente ideal para observar a variedade desses insetos coloridos.
4
Centro histórico Casarões, igrejas e ruas de pedra do período colonial, a poucos passos do chafariz.
5
Maria Fumaça para São João del-Rei O trem a vapor que liga as duas cidades históricas completa o roteiro com vista para a serra.

Como o chafariz de 1749 se liga à serra?

Pela água que desce das nascentes. O Chafariz de São José, construído em 1749, recebe até hoje a água que nasce nas encostas da serra, segundo a Ciência Hoje das Crianças. O monumento é tombado pelo Iphan e fica dentro da área de proteção ambiental, o que une, em um mesmo lugar, o patrimônio histórico e a natureza que o sustenta.

Para o visitante, essa ligação muda a forma de ver o passeio. A mesma água que corre pelo chafariz no centro histórico passa antes pelos córregos onde vivem as libélulas, em uma serra que a comunidade luta para proteger há décadas. Preservar a serra, nesse caso, significa também preservar um dos símbolos da cidade.

A cidade histórica conhecida por transportar seus visitantes ao passado com sua beleza colonial
Pequena cidade com foco em turismo de alto impacto, infraestrutura hoteleira em desenvolvimento e conservação de seu conjunto arquitetônico. // Reprodução: Wikimedia Commons

Como é o clima de Tiradentes ao longo do ano?

O verão é chuvoso, e o inverno, seco e frio. Dezembro concentra 274 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 12 mm, com mínima de 11°C.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 17-26°C
Chuva: Muito alta
Córregos cheios, ótimos para as libélulas.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 13-25°C
Chuva: Média
Chuva em queda e trilhas mais firmes.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 11-23°C
Chuva: Muito baixa
Seca, céu limpo e noites frias.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 14-25°C
Chuva: Média
Volta das chuvas e serra mais verde.
💡 Dica do especialista: no inverno seco, as trilhas da Serra de São José ficam mais firmes, mas o risco de incêndio aumenta, então siga as orientações do IEF e não acenda fogo. No verão, os córregos ficam mais cheios e as libélulas aparecem com mais facilidade.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: A capital goiana tem cerca de 950 mil árvores nas ruas e 94 m² de área verde por morador, quase oito vezes o mínimo recomendado pela ONU para uma cidade.

Uma serra que guarda água, história e libélulas

Tiradentes é famosa pelo barroco, mas parte de sua riqueza está no paredão que a protege. A Serra de São José fornece água ao chafariz de 1749, abriga 128 espécies de libélulas e deu origem à primeira área protegida do Brasil dedicada a esses insetos. Entre igrejas coloniais e córregos cristalinos, a cidade mostra que patrimônio histórico e natureza podem fazer parte do mesmo roteiro.

Você precisa parar diante do Chafariz de São José, olhar para a serra ao fundo e imaginar as libélulas voando sobre os córregos de onde ela vem para entender por que Tiradentes é muito mais do que uma cidade barroca.

Tags: Minas Geraistiradentes
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