O cheiro de tucupi chega antes da paisagem. Quem desembarca em Belém sente a Amazônia no ar, nos rios que cercam a cidade e nas cuias de tacacá servidas nas esquinas. A capital do Pará, fundada em 1616, é a porta de entrada para a maior floresta tropical do planeta e, desde 2015, carrega o título de Cidade Criativa da Gastronomia concedido pela UNESCO.
Uma cidade erguida entre rios e a floresta
Belém nasceu com a construção do Forte do Presépio, erguido pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco às margens da Baía do Guajará. A posição estratégica na foz do Rio Amazonas transformou a cidade em entreposto das chamadas drogas do sertão, especiarias amazônicas que alimentavam o comércio europeu.
No final do século XIX, o ciclo da borracha trouxe riqueza e uma arquitetura que imita Paris. O Theatro da Paz, inaugurado em 1878, é o maior exemplo desse período. Com fachada neoclássica sustentada por seis colunas coríntias e um teto pintado pelo italiano Domenico de Angelis, o teatro recebeu companhias de ópera europeias e segue em atividade. A Belle Époque paraense deixou casarões, praças e bulevares que hoje formam o centro histórico da Metrópole da Amazônia.

O que não pode ficar fora do roteiro em Belém?
Os principais pontos turísticos concentram-se nos bairros da Cidade Velha, Campina e Nazaré. Em dois ou três dias, é possível cobrir o essencial a pé e de barco.
- Mercado Ver-o-Peso: maior feira a céu aberto da América Latina, tombada pelo IPHAN desde 1977. Por dia, cerca de 20 mil pessoas circulam entre barracas de peixes, frutas, ervas e artesanato. A Feira do Açaí, que funciona de madrugada, define o preço do fruto para o país inteiro.
- Complexo Feliz Lusitânia: reúne o Forte do Presépio (marco zero da cidade), o Museu do Encontro e a Casa das Onze Janelas, com arte contemporânea e vista para a baía.
- Estação das Docas: antigos armazéns do porto transformados em complexo gastronômico e cultural com 500 metros de orla. De lá saem os passeios de barco ao pôr do sol.
- Mangal das Garças: parque ecológico de 40 mil m² com viveiro de aves, borboletário, lago de vitórias-régias e um mirante panorâmico da cidade.
- Basílica de Nazaré: réplica da Basílica de São Paulo em Roma, inaugurada em 1909. Ponto de chegada do Círio de Nazaré.
- Ilha do Combu: a 10 minutos de barco do centro. Restaurantes à beira do rio servem pratos paraenses e chocolate artesanal feito com cacau da própria ilha.
Belém se transformou em um destino moderno e vibrante, mantendo suas raízes amazônicas profundas. O vídeo é do canal Estevam Pelo Mundo, que conta com mais de 2 milhões de inscritos, e detalha o novo hotel Tivoli, a gastronomia do Ver-o-Peso e a revitalização pós-COP 30:
Por que o Círio de Nazaré atrai 2 milhões de pessoas?
Instituído em 1793, o Círio é a maior manifestação católica do Brasil. No segundo domingo de outubro, a procissão leva a imagem de Nossa Senhora de Nazaré da Catedral da Sé até a Basílica, acompanhada por cerca de 2 milhões de fiéis. A corda dos promesseiros, com aproximadamente 450 metros, é um dos símbolos mais marcantes da celebração.
A festividade foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2013. A chamada quadra nazarena dura 15 dias e transforma Belém em uma festa contínua de procissões, novenas e almoços em família. Na mesa do Círio, pato no tucupi e maniçoba são obrigatórios.
Qual o sabor de uma cidade reconhecida pela UNESCO?
Belém é a única cidade brasileira na lista dos dez melhores destinos gastronômicos do mundo segundo a Lonely Planet. Os ingredientes vêm direto da floresta e dos rios.
- Tacacá: caldo quente de tucupi com goma de tapioca, jambu (erva que adormece a boca) e camarão seco. Servido em cuias nas esquinas da cidade.
- Pato no tucupi: pato cozido no caldo fermentado da mandioca com jambu. Prato símbolo do Círio de Nazaré.
- Maniçoba: a “feijoada paraense”, feita com folha de maniva triturada e cozida por sete dias, misturada com carnes suínas e bovinas.
- Açaí com peixe frito: em Belém, o açaí é grosso, sem açúcar e acompanha peixe frito com farinha d’água. Nada de granola ou banana.
- Sorvetes regionais: sabores como bacuri, cupuaçu e taperebá na Gelateria Damazônia ou nas sorveterias do Ver-o-Peso.

Leia também: Poucas pessoas sabem, mas o hábito de queimar folhas de louro em casa traz benefícios imediatos para o ambiente.
Quando visitar a capital paraense?
Belém tem clima equatorial úmido, com calor o ano inteiro e chuvas que costumam cair no meio da tarde, fenômeno conhecido como “chuva das duas”. A escolha do período depende do tipo de experiência.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Metrópole da Amazônia?
O Aeroporto Internacional de Val-de-Cans recebe voos diários de todas as regiões do Brasil e conexões internacionais. Fica a cerca de 12 km do centro histórico. Por terra, a principal ligação é a BR-010 (Belém-Brasília). Belém também é ponto de partida para a Ilha de Marajó, a maior ilha fluviomarítima do mundo, acessível por balsas e lanchas rápidas que saem do terminal hidroviário.
Vá com todos os sentidos abertos
Belém é uma capital que se prova pela boca, se ouve pelo carimbó e se sente pelo calor úmido que escorre entre mangueiras centenárias. Poucos lugares no Brasil oferecem tanta autenticidade em cada esquina, do tacacá servido na cuia ao pôr do sol dourado sobre a Baía do Guajará.
Você precisa chegar a Belém sem pressa, caminhar pelo Ver-o-Peso de manhã cedo e deixar a Amazônia invadir o seu roteiro.









