Os pés afundam na areia assim que se entra em Jericoacoara. Não há calçadas, não há semáforos, e os fios de luz correm sob o chão. A vila brasileira, chamada de Jeri por quem já se apaixonou, fica dentro de um parque nacional de quase 9 mil hectares no litoral oeste do Ceará.
Da toca das tartarugas ao parque nacional
O nome vem do tupi e significa “toca das tartarugas”. Pesquisas arqueológicas apoiadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram que a região já era ocupada há 1.200 anos, oito séculos antes da colonização europeia. Até a década de 1980, Jeri era uma vila de pescadores sem energia elétrica e sem estrada de acesso.
A fama internacional chegou quando o jornalista americano Cal Fussman atravessou as dunas e descreveu a praia no Washington Post. Em 1984, o governo federal criou a Área de Proteção Ambiental. Em 2002, parte do território virou o Parque Nacional de Jericoacoara, com 8.863 hectares de dunas, manguezais, restingas e uma faixa marítima de 1 km de largura.

O que torna a Pedra Furada tão especial?
O arco de rocha esculpido pelo mar existe há cerca de 2,6 milhões de anos, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). A caminhada até a Pedra Furada dura cerca de 30 minutos pela praia, na maré baixa, passando por grutas e formações rochosas. Entre 15 de julho e 15 de agosto, o sol se põe exatamente dentro do arco, um alinhamento que atrai fotógrafos do mundo inteiro.
Quais atrações não podem ficar de fora do roteiro?
O parque reúne praias, dunas, lagoas de água doce e mirantes. Passeios de buggy, cavalgadas e esportes de vento completam o roteiro. A Praia do Preá, a 17 km da vila, é referência mundial de kitesurf.
- Duna do Pôr do Sol: a oeste da vila, é o ponto mais disputado ao entardecer. Turistas e moradores sobem a areia para aplaudir o sol mergulhando no mar.
- Lagoa do Paraíso: água doce cristalina com redes dentro d’água e restaurantes na margem. Fica a 15 km da vila, na sede de Jijoca de Jericoacoara.
- Lagoa Azul: mais rústica e reservada, cercada por dunas brancas e vegetação nativa.
- Serrote e Farol: a formação rochosa de 95 m de altitude abriga o farol e oferece vista do nascer do sol e da lua sobre o oceano.
- Nova Tatajuba: vilarejo reconstruído depois que dunas soterraram a antiga vila. Moradores contam a história da “Velha Tatajuba”, ainda enterrada sob a areia.
Frutos do mar e sabores do litoral cearense
A culinária segue o ritmo da pesca artesanal. Lagosta, camarão e peixe fresco saem direto das jangadas para as mesas dos restaurantes de areia. Os becos da vila, iluminados por velas à noite, servem desde peixadas tradicionais até pratos autorais com ingredientes do cerrado e do sertão.
- Camarão com abacaxi: combinação agridoce que virou clássico nos restaurantes de Jeri.
- Lagosta grelhada: servida inteira, fresca do mar, durante a temporada permitida.
- Baião de dois: arroz com feijão-de-corda, queijo coalho e nata, herança sertaneja que chegou à praia.

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Quando o vento e o sol favorecem cada experiência?
O clima é quente o ano inteiro, com temperatura média de 27 °C. A escolha do período depende do tipo de viagem: lagoas cheias ou ventos para kitesurf.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à vila entre as dunas?
Jericoacoara fica a 300 km de Fortaleza pela CE-085. O trecho final de cerca de 15 km, a partir de Jijoca, é percorrido em veículos 4×4 autorizados, as chamadas jardineiras. O Aeroporto Regional de Jericoacoara, em Cruz, recebe voos diretos de algumas capitais brasileiras.
Tire os sapatos e entre em Jeri
Poucas vilas no mundo conseguem equilibrar fama internacional e ruas de areia, parque nacional e vida de pescador. Em 2024, Jericoacoara foi o terceiro parque nacional mais visitado do Brasil, com 1,2 milhão de registros. O número impressiona, mas o silêncio da Duna do Pôr do Sol ao entardecer faz parecer que você é o único ali.
Você precisa tirar os sapatos e sentir a areia de Jeri, a vila que escolheu não ter asfalto para não perder a alma.










