O nome vem de um povo que viveu aqui há 4 mil anos e deixou montanhas de conchas como testemunho. Rio das Ostras, no litoral norte fluminense, tem 28 km de praias, um sambaqui preservado no centro da cidade e um festival de música que atrai artistas de quatro continentes.
Quatro mil anos de história enterrados na areia
Antes dos portugueses, antes dos Tamoios e dos Goitacases, outros habitantes ocuparam essa faixa de litoral. Os Sambaquis, caçadores e coletores semi-nômades, acumulavam conchas de ostras em montes que hoje chegam a vários metros de altura. O termo “sambaqui” vem do tupi-guarani e significa “amontoado de conchas”, e foi justamente esse hábito que batizou o município séculos depois.
O Museu do Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba, inaugurado em 1998, é um dos únicos museus arqueológicos in situ do Brasil: o visitante caminha sobre o próprio sambaqui, vendo esqueletos, objetos de adorno e conchas no lugar exato onde foram encontrados. O sítio foi registrado pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) em 1967. O município só foi criado formalmente em 1992, desmembrado de Casimiro de Abreu pela Lei Estadual nº 1984, mas a ocupação humana de seu solo é uma das mais antigas do estado do Rio de Janeiro.

Quais praias visitar nos 28 km de litoral?
São 15 praias distribuídas por um litoral contínuo, com perfis bastante distintos. Da praia urbana agitada à enseada tranquila encravada entre costões, o balneário oferece opções para diferentes ritmos de viagem.
- Praia de Costazul: a mais movimentada, com 2,3 km de extensão oceânica, ciclovia, academia ao ar livre e 15 mil m² de restinga preservada. Frequentada por surfistas e pescadores de caniço.
- Praia da Joana: entre dois costões, mar azul e calmo, amendoeiras que fazem sombra sobre a areia dourada. Ótima para crianças e para quem busca tranquilidade.
- Praia do Mar do Norte: a cerca de 15 km do centro, é uma das maiores e menos frequentadas da cidade, com rochas metamórficas de 2 bilhões de anos nos costões.
- Praia das Areias Negras: recanto pequeno com areia de coloração escura por concentração de monazita e piscinas naturais formadas entre as pedras.
- Boca da Barra: onde o rio encontra o mar, própria para crianças, com quiosques e restaurantes à beira d’água.
Rio das Ostras é um destino vibrante na Região dos Lagos, conhecido por suas belas praias, eventos musicais de renome internacional e crescimento acelerado. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 310 mil inscritos, e apresenta a história, a infraestrutura e os principais pontos turísticos da cidade:
O que visitar além das praias?
Rio das Ostras guarda atrações que vão muito além da orla. A zona urbana tem pontos históricos, unidades de conservação e uma herança imperial pouco conhecida.
- Figueira Centenária: árvore à beira-mar que, segundo registros históricos, serviu de abrigo para Dom Pedro II em 1847, além do Príncipe Maximiliano e do Presidente Getúlio Vargas. Fica no calçadão da Praia do Centro.
- Monumento Natural dos Costões Rochosos: faixa de rochas e praias entre a Praia da Joana e a Praça da Baleia, transformada em unidade de conservação municipal, com fauna e flora diversas.
- Lagoa de Iriry: área de proteção ambiental com água salobra de coloração caramelo, causada pela vegetação de restinga. Tem mirante de 20 m com vista para o mar, trilhas e quiosques.
- Centro Ferroviário de Cultura Guilherme Nogueira: funciona na antiga Estação Ferroviária de Rocha Leão, construída entre 1877 e 1887 com pedras brutas e mão de obra escrava, parte da Estrada de Ferro Leopoldina.
- Píer de Costazul: 200 m sobre o mar, ideal para fotografar a orla ao nascer do sol e para pesca de caniço.
Onde a Mata Atlântica ainda tem trechos primários
A cerca de 25 km do centro de Rio das Ostras, a Reserva Biológica União guarda 7.756 hectares de Mata Atlântica que pesquisadores consideram a área de maior riqueza vegetal entre todos os remanescentes estudados no estado do Rio de Janeiro. A reserva abriga o mico-leão-dourado, primata endêmico e símbolo da conservação brasileira, além de bugio, lontra, preguiça-de-coleira e jaguatirica.
Administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a unidade aceita visitação guiada de segunda a sexta mediante agendamento. A trilha interpretativa do Pilão tem trecho acessível para pessoas com mobilidade reduzida.

Leia também: A Califórnia Brasileira tem água de 230 mil anos na torneira e o 1º lugar em qualidade de vida no Brasil.
O jazz que transformou uma vila de pescadores
Em 2003, uma apresentação nas areias da Praia de Costazul deu início ao que se tornaria o maior festival de jazz e blues da América Latina. O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival já chegou à 20ª edição, contabilizando mais de 600 shows para um público total superior a 1,2 milhão de espectadores. Todos os shows são gratuitos.
Realizado no feriadão de Corpus Christi, o festival espalha cinco palcos por pontos estratégicos da cidade: a Concha Acústica da Praia do Centro, o anfiteatro da Lagoa de Iriry, a Boca da Barra, o Espaço Arthur Maia e o palco principal na Cidade do Jazz, em Costazul. Nomes como Spyro Gyra, Richard Bona, Kenny Brown e dezenas de músicos nacionais já passaram pelos palcos. O evento rendeu ao município o título de Capital Estadual do Jazz & Blues e consta entre os dez maiores festivais do gênero no mundo, segundo a organização e o Sesc RJ, parceiro do circuito.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O litoral norte fluminense tem clima tropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos, ideais para caminhadas e ecoturismo. A temperatura média anual gira em torno de 23°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio das Ostras saindo do Rio?
A cidade fica a cerca de 160 km do Rio de Janeiro pela BR-101 (Via Dutra até Além Paraíba, depois BR-101 Norte), com tempo médio de 2h30 de carro. Ônibus da empresa Autoviação 1001 saem regularmente da Rodoviária Novo Rio com destino a Macaé, passando por Rio das Ostras. O aeroporto mais próximo é o de Macaé, a cerca de 25 km.
Uma vila que cresceu sem perder o cheiro do mar
Rio das Ostras tem a rara combinação de um passado arqueológico com 4 mil anos, praias pouco conhecidas fora do estado e um festival de música que projeta uma antiga vila de pescadores no calendário cultural internacional.
Você precisa conhecer Rio das Ostras antes que o resto do Brasil descubra o que está escondido entre os costões e as conchas dessa orla do norte fluminense.










