O fim do relacionamento de Mariana e Rafael deixou uma situação preocupante: nenhum dos dois queria assumir os cuidados dos dois cães que viviam com o casal. Os animais permaneceram sozinhos na residência por vários dias, até que vizinhos perceberam a ausência dos moradores e começaram a desconfiar de um possível abandono.
A separação deixou dois cães sem ninguém para cuidar deles
Mariana e Rafael haviam adotado os cães Thor e Mel durante o relacionamento. Depois de decidirem morar em casas separadas, passaram a discutir quem ficaria com os animais, mas nenhum demonstrou disposição para assumir essa responsabilidade. Enquanto resolviam a divisão dos móveis e outros assuntos pessoais, os dois cachorros permaneceram no imóvel.
Inicialmente, cada um acreditava que o outro retornaria para alimentar os animais e verificar suas condições. O problema é que não houve uma combinação clara sobre visitas, alimentação ou retirada dos cães. Com o passar dos dias, a falta de organização se transformou em uma situação de possível negligência, colocando o bem-estar dos animais em risco.

Vizinhos começaram a desconfiar depois de ouvir latidos constantes
Os primeiros sinais apareceram quando moradores próximos perceberam que a casa continuava fechada, embora os cachorros estivessem no interior do imóvel. Latidos frequentes e a ausência de movimentação chamaram a atenção da vizinhança. Sem saber se os animais tinham acesso a água e comida, alguns moradores decidiram procurar informações sobre os antigos ocupantes.
A preocupação aumentou quando ficou evidente que ninguém havia assumido uma rotina de cuidados. Diante da possibilidade de os cães estarem sem alimentação adequada, os vizinhos consideraram procurar os órgãos de proteção animal. A situação levantou uma questão que ultrapassa o conflito entre os ex-companheiros: o que acontece quando um casal se separa e deixa os animais sem assistência?
Abandonar cães após uma separação pode ser considerado crime?
No Brasil, o abandono de animais pode caracterizar maus-tratos, dependendo das circunstâncias. O artigo 32 da Lei nº 9.605/1998 prevê punição para atos de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilações contra animais. O parágrafo 1º-A estabelece, especificamente para cães e gatos, pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda.
A proteção também está prevista no artigo 225, parágrafo 1º, inciso VII, da Constituição Federal, que determina a proteção da fauna e proíbe práticas que submetam animais à crueldade. Deixar cachorros sem os cuidados necessários pode resultar em investigação, mas a responsabilidade criminal precisa ser apurada individualmente, considerando as condutas, as provas e as condições encontradas.
Quem deve ficar com os animais quando o casal termina?
A separação não significa que os animais possam ser tratados como objetos sem necessidade de assistência. Quando ambos participaram da criação dos cães, é recomendável estabelecer quem ficará responsável pelos cuidados, despesas veterinárias e alimentação. Na ausência de consenso, a situação pode exigir uma solução judicial, especialmente quando existe disputa sobre a permanência dos animais.
O Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, em determinadas circunstâncias, a possibilidade de regulamentar visitas a animais de estimação após o fim de uma união estável. Na decisão divulgada pelo STJ em 2018, a Corte considerou o vínculo afetivo e as necessidades dos animais. Isso não significa que exista guarda compartilhada automática, pois as soluções dependem das particularidades de cada caso.

O que os vizinhos podem fazer ao perceber animais abandonados?
Quando existem indícios de que cães permanecem sozinhos, sem acesso adequado a água, alimentação ou assistência, a prioridade deve ser proteger os animais. Os vizinhos não precisam resolver sozinhos o conflito entre os responsáveis. O mais indicado é reunir informações e procurar os órgãos competentes, principalmente quando houver risco imediato à saúde dos cachorros.
- Registrar os sinais: anotar há quanto tempo o imóvel parece estar desocupado e reunir fotos ou vídeos obtidos legalmente.
- Procurar os responsáveis: quando possível e seguro, informar os moradores ou proprietários sobre a situação dos animais.
- Comunicar às autoridades: procurar a polícia, a fiscalização ambiental ou o serviço municipal de proteção animal.
- Evitar entrar no imóvel: não invadir a residência nem tentar retirar os cães por conta própria, buscando orientação das autoridades para um eventual resgate.
A Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina orienta que denúncias envolvendo animais domésticos sejam encaminhadas ao órgão municipal competente ou à unidade policial local, incluindo o telefone 190. Os canais específicos podem variar conforme o município e o estado. Em ocorrências urgentes, o acionamento rápido pode evitar que os animais permaneçam expostos a riscos por mais tempo.
História fictícia mostra os cuidados necessários após uma separação
A situação envolvendo Mariana, Rafael, Thor e Mel é uma história fictícia, criada exclusivamente para ilustrar problemas que podem surgir quando um casal encerra o relacionamento sem decidir quem continuará cuidando dos animais. Os personagens, os acontecimentos e as circunstâncias narradas não representam um caso real identificado. O contexto serve apenas para explicar possíveis consequências e apresentar informações sobre a legislação brasileira.
Na vida real, quem não puder permanecer com um animal deve buscar uma alternativa responsável antes de deixar de prestar assistência. Isso pode envolver um acordo entre os ex-companheiros, a ajuda temporária de familiares ou a procura por uma adoção responsável. Enquanto uma nova solução não for estabelecida, os cães precisam continuar recebendo água, alimento, abrigo e cuidados adequados, independentemente do fim do relacionamento de seus tutores.




