Se você sempre achou que aquele colega de classe genial em exatas tinha um “dom natural”, a ciência pode ter uma explicação mais lógica — e ela está no calendário. Um levantamento que cruza dados de desempenho escolar com datas de nascimento aponta que as crianças nascidas logo após o início do ano letivo (ou da data de corte para matrícula) tendem a apresentar desempenho superior em matemática e ciências.
Não se trata de astrologia, mas de um fenômeno conhecido por educadores e estatísticos como “Efeito da Idade Relativa”.
De acordo com uma pesquisa publicada pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, os alunos que são os “mais velhos” da turma — nascidos, por exemplo, em setembro (no hemisfério norte) ou nos primeiros meses do ano (no modelo brasileiro) — levam uma vantagem biológica sobre os colegas mais novos.
A vantagem dos “mais velhos”
A lógica é o desenvolvimento. Aos 6 ou 7 anos de idade, uma diferença de 11 meses de vida representa uma vantagem enorme em termos de maturação cerebral e capacidade de concentração.
O estudo, intitulado “School Starting Age and Cognitive Development” (Idade de Início Escolar e Desenvolvimento Cognitivo), analisou dados de milhares de estudantes e concluiu que essas crianças mais velhas pontuam, em média, percentuais mais altos em testes padronizados de matemática durante o ensino fundamental.
“A maturação extra permite que esses alunos assimilem conceitos abstratos com um pouco mais de facilidade no início da vida escolar, criando um ciclo de confiança e melhor desempenho que pode durar anos”, sugerem os autores na análise.

O cenário no Brasil
No Brasil, onde a data de corte para ingresso no ensino fundamental é geralmente 31 de março, as crianças nascidas em abril, maio e junho tendem a ser as mais velhas da classe. Elas entram na escola com a idade completa e meses de vantagem sobre os colegas nascidos em fevereiro ou março do ano seguinte, que são os caçulas da turma.









