No alto da Serra Catarinense, a 1.500 metros de altitude, Urubici reúne cânions, araucárias e o endereço mais frio já registrado no Brasil. É ali na “Suíça Catarinense” que fica o Morro da Igreja, o ponto habitado mais alto da região Sul.
O lugar onde o Brasil bateu seu recorde de frio
Em 29 de junho de 1996, o Morro da Igreja marcou -17,8°C, a menor temperatura já registrada em território brasileiro, segundo o portal Morro da Igreja. O registro não é oficial, mas virou parte da identidade da cidade.
A estação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divide espaço, no topo do morro, com uma base da Aeronáutica que monitora o tráfego aéreo do sul do país. O cume fica a 1.822 metros de altitude e serve de mirante para o cartão-postal da região.

Por que o Morro da Igreja precisa de agendamento?
O acesso ao mirante é controlado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) porque o morro fica dentro do Parque Nacional de São Joaquim, criado em 1961 para proteger as matas de araucárias da Mata Atlântica.
São 49.800 hectares de área protegida, com altitudes que variam de 300 a 1.822 metros, segundo o ICMBio. A autorização é gratuita e precisa ser agendada pelo site, com retirada presencial na sede em Urubici. A permanência no mirante é limitada a 15 minutos.
Urubici, na Serra Catarinense, é um dos destinos mais procurados por quem busca contato direto com a natureza, oferecendo paisagens que misturam montanhas, cachoeiras e estradas sinuosas. O canal “Fabi Cassol | Minha Praia Viajar” apresenta um roteiro completo pela região:
Quais são as atrações imperdíveis da Serra Catarinense?
A cidade reúne cachoeiras, cânions e mirantes em um raio de poucos quilômetros. Algumas atrações ficam em propriedades particulares e cobram ingresso, outras são de livre acesso.
- Pedra Furada: formação rochosa em formato de janela, com cerca de 30 metros de circunferência, cartão-postal do Parque Nacional de São Joaquim.
- Cascata do Avencal: 100 metros de queda livre no Parque Mundo Novo, com mirantes suspensos e um deles com piso de vidro.
- Cânion Espraiado: um dos cânions mais imponentes da região, a 42 km do centro, com vistas que abrem para a Serra Geral.
- Serra do Corvo Branco: maior corte em rocha do Brasil, com 90 metros de profundidade, entre dois paredões de pedra.
- Inscrições Rupestres: registros deixados há pelo menos 4.000 anos no Morro do Avencal, entre os mais importantes vestígios arqueológicos de Santa Catarina.
A gastronomia de montanha que aquece o inverno
O frio moldou a mesa local. Pratos herdados dos imigrantes italianos e alemães convivem com produtos do campo colhidos a poucos quilômetros do centro.
- Truta: criada em pesqueiros da região, servida grelhada, ao molho de alcaparras ou defumada nos restaurantes do centro.
- Pinhão: semente da araucária presente em paçocas, sopas e risotos, símbolo da Serra Catarinense.
- Queijos artesanais: produzidos em sítios da região e vendidos em empórios da cidade, muitas vezes com embutidos caseiros.
- Vinhos de altitude: pequenos vinhedos locais aproveitam o clima frio para produzir brancos e tintos com perfil distinto do restante do país.

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Qual é a melhor época para visitar a cidade mais fria?
O inverno é a alta temporada e o motivo principal da fama de Urubici. A chance de neve entre junho e agosto atrai visitantes de todo o país.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao coração da Serra Catarinense?
Urubici fica a 175 km de Florianópolis, cerca de 3 horas de carro pela BR-282 e SC-370. O aeroporto Hercílio Luz, na capital catarinense, é o mais próximo, a cerca de 170 km. Não há linhas diretas de ônibus interestaduais: a maioria dos visitantes chega pela rodovia.
Suba a serra e descubra o frio brasileiro
Urubici reúne o ponto habitado mais alto do Sul, o recorde nacional de frio e um parque nacional com quase 50 mil hectares de Mata Atlântica. Poucos destinos brasileiros entregam tanta altitude, história geológica e mesa farta em tão poucos quilômetros.
Você precisa subir a serra e conhecer Urubici, a cidade onde as cachoeiras congelam e o Brasil mostra que também sabe ser europeu.









