Na esquina do continente sul-americano, onde a costa faz a curva mais próxima da África, uma cidade fundada no dia de Natal de 1599 reúne praias de água morna, dunas que parecem deserto, um forte em forma de estrela e o maior cajueiro do mundo. Natal, a Cidade do Sol, tem cerca de 300 dias de sol por ano e recebe mais de 2 milhões de turistas anualmente, segundo a Prefeitura de Natal.
Fundada no Natal e batizada pelo calendário
A cidade nasceu junto com o Forte dos Reis Magos, cuja construção começou em 6 de janeiro de 1598 (Dia de Reis) e foi concluída no mesmo período da fundação oficial do povoado, em 25 de dezembro de 1599. O forte, em formato de estrela de cinco pontas, foi erguido com pedras calcárias e óleo de baleia para resistir ao clima e aos ataques.
A posição geográfica de Natal mudou o rumo da Segunda Guerra Mundial. O Departamento de Guerra dos Estados Unidos classificou a cidade como “um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo” pela proximidade com a África. Natal virou base militar aliada e ganhou o apelido de Trampolim da Vitória, ponto de partida para tropas e aviões que cruzavam o Atlântico. Conta-se que a palavra “forró” teria nascido aqui, dos bailes abertos que os americanos chamavam de “for all” (para todos).

Praias urbanas com dunas e o Morro do Careca
O litoral de Natal vai de praias agitadas com vida noturna a refúgios naturais com recifes de coral.
- Ponta Negra: a mais famosa, com calçadão, quiosques, restaurantes e o icônico Morro do Careca, duna de 120 metros na ponta da praia (acesso à duna proibido para preservação).
- Praia dos Artistas: no centro, com bares, o Complexo de Lazer Chaplin e o tradicional Forró com Turista às quintas-feiras.
- Via Costeira: rodovia entre o oceano e o Parque das Dunas, com 8,5 km de orla que conecta as praias de Areia Preta a Ponta Negra. Inaugurada em 1985, transformou o turismo da cidade.
- Maracajaú: a 55 km de Natal, com parrachos (piscinas naturais de coral) ideais para mergulho com snorkel e observação de peixes e tartarugas.
Natal encanta pelo sol e praias. O vídeo é do canal Viagens Cine, com 321 mil inscritos, e apresenta o roteiro de Fábio e Cleber por Ponta Negra e Genipabu.
Dunas de Genipabu: buggy com ou sem emoção?
A 20 km do centro de Natal, as dunas de Genipabu formam um cenário que mistura areia dourada, lagoas de água doce e vegetação de restinga. As formações alcançam 50 metros de altura. O passeio clássico é feito de buggy com motorista credenciado, que pergunta a frase mais famosa do turismo potiguar: “com ou sem emoção?”.
O roteiro inclui descida de esquibunda nas dunas, banho em lagoas como a Pitangui e a Jacumã, travessia sobre dromedários (exclusividade de Genipabu no Brasil) e a aerobunda, tirolesa invertida com vista panorâmica das dunas. É possível combinar o passeio com a visita ao Maior Cajueiro do Mundo, em Pirangi.

O cajueiro que ocupa um quarteirão inteiro
Plantado em 1888 por um pescador, o Maior Cajueiro do Mundo ocupa cerca de 8.500 m² na praia de Pirangi do Norte, no município vizinho de Parnamirim. A árvore sofre de uma anomalia genética: seus galhos crescem para baixo até tocar o solo e criar novas raízes, fazendo o cajueiro se expandir indefinidamente como se fosse um pomar inteiro.
Em 2015, o cajueiro foi reconhecido pelo IPHAN como patrimônio cultural do Rio Grande do Norte. A copa cobre uma área equivalente a 70 cajueiros comuns. O local tem passarelas de madeira entre os galhos, loja de produtos derivados de caju e estrutura de visitação com ingressos.

Ginga com tapioca e o “comedor de camarão”
O gentílico “potiguar” vem do tupi e significa “comedor de camarão”. A gastronomia de Natal confirma o nome. Frutos do mar dominam os cardápios: camarão preparado de dezenas de maneiras, lagosta, peixe fresco e a famosa ginga com tapioca, reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade desde 2003. O prato é servido nos barracões do Mercado da Redinha, na foz do Rio Potengi.
O Centro Histórico, nos bairros da Ribeira e Cidade Alta, abriga o Teatro Alberto Maranhão (inaugurado em 1904), a Igreja do Rosário dos Pretos (construída por escravizados, única do estado que celebra missas em latim) e o Beco da Lama, rua grafitada por artistas locais com homenagens ao folclorista Câmara Cascudo. A Praça André de Albuquerque, chamada de Praça Vermelha, é o marco zero da cidade.
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Quando ir a Natal e como é o clima na Cidade do Sol?
O clima tropical com ventos constantes garante sol praticamente o ano todo. O período mais seco (setembro a fevereiro) é o mais indicado para praias e passeios de buggy.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Cidade do Sol
O Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, a 30 km do centro, recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras capitais. Natal fica a 180 km de João Pessoa pela BR-101 e a 300 km de Recife. A Praia de Pipa, um dos destinos mais procurados do Nordeste, está a 85 km ao sul.
Deixe o sol de Natal aquecer o roteiro
Natal é a capital brasileira onde o sol quase nunca falta, o forte tem formato de estrela, o cajueiro ocupa um quarteirão e o buggy pergunta se você quer emoção. A cidade que nasceu no dia de Natal e serviu de trampolim para uma guerra mundial hoje recebe milhões de turistas em busca de algo mais simples: areia branca, água morna e um prato de camarão.
Você precisa pedir um buggy com emoção em Genipabu, comer ginga com tapioca na Redinha e assistir ao pôr do sol do Forte dos Reis Magos para entender por que os potiguares não trocam essa cidade por nenhuma outra.









