A 65 km de Cuiabá, um planalto de arenito vermelho a 811 metros de altitude guarda paredões, cavernas e quedas d’água que contam 500 milhões de anos de história geológica. Chapada dos Guimarães nasceu como missão jesuíta em 1751 e hoje reúne cerrado, vestígios marinhos e o ponto equidistante dos oceanos Atlântico e Pacífico em um único destino.
O passado de mar e deserto gravado nos paredões
As rochas que formam os 157 km de paredões da chapada guardam registros de tempestades marinhas do período Devoniano e fósseis de invertebrados que habitaram um oceano raso há mais de 400 milhões de anos. Sobre essa camada, o arenito da Formação Botucatu foi depositado por ventos de um deserto que cobriu a região no Mesozoico. Quem caminha pelas trilhas do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães pisa, literalmente, sobre fundo de mar e areia de deserto.
Esse mesmo arenito protege as nascentes do rio Cuiabá, um dos principais alimentadores do Pantanal mato-grossense. A criação do parque, em 1989, preservou 32.630 hectares de cerrado, 46 sítios arqueológicos e uma fauna com espécies ameaçadas como o lobo-guará e a onça-pintada.

O que visitar dentro do Parque Nacional?
A entrada no parque é gratuita e os atrativos ficam abertos todos os dias. Alguns passeios são autoguiados, enquanto outros exigem condutor cadastrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e agendamento prévio.
Explore as belezas naturais no coração do Mato Grosso. O vídeo é do canal Rolê Família, que realiza uma volta ao mundo, e apresenta um roteiro de 4 dias na Chapada dos Guimarães, explorando a Cidade de Pedra, cavernas e a famosa Lagoa Azul:
Quais atrações ficam fora do parque?
A cidade e seus arredores oferecem experiências que complementam o roteiro dentro da unidade de conservação. O Mirante Morro dos Ventos, a 1 km do centro, tem uma plataforma de aço fixada na rocha com vista para a planície pantaneira. Já a Caverna Aroe Jari, a 46 km da cidade, estende-se por 1,5 km com entrada de 60 metros de largura e abriga a Lagoa Azul, onde feixes de luz solar desenham uma ampulheta entre teto e água.
No centro histórico, a Igreja de Sant’Ana do Sacramento preserva o último exemplar do barroco mato-grossense. Construída em 1779 com taipa de pilão, ela foi o primeiro monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no estado, em 1957. Seus azulejos portugueses chegaram da Bahia em lombo de mula no final do século XVIII.
Quais pratos experimentar na chapada mato-grossense?
A mesa de Chapada dos Guimarães reflete a culinária pantaneira e cerratense servida em panelas de ferro. Os peixes de rio dividem espaço com pratos de herança sertaneja, e a farofa de banana da terra acompanha quase tudo.

Quando o clima favorece a visita?
A altitude de 811 metros deixa Chapada dos Guimarães alguns graus mais amena que Cuiabá. A estação seca concentra céu aberto e cachoeiras com menor volume, enquanto o verão chuvoso enche as quedas d’água, mas traz risco de trombas d’água que podem interditar trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.

Como chegar à Chapada dos Guimarães saindo de Cuiabá?
A cidade fica a 65 km da capital pela rodovia MT-251, cerca de 1h de carro. Os paredões já aparecem no caminho e balneários à beira da estrada convidam a paradas. Ônibus partem da rodoviária de Cuiabá a cada meia hora. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, a 75 km do centro da chapada.
Suba a serra e veja o Brasil de cima
Poucos lugares no país reúnem tanta história geológica, patrimônio colonial e natureza de cerrado em um raio tão curto. A chapada mato-grossense entrega cachoeiras, paredões de meio bilhão de anos e o silêncio de quem está no ponto mais central do continente.
Você precisa subir a MT-251, parar no mirante e entender por que Chapada dos Guimarães faz qualquer viajante querer ficar mais um dia.










