A 20 km do centro da quarta maior cidade do Paraná, esculturas de pedra avermelhada desafiam a lógica. Formadas quando a região era fundo de um mar interior do supercontinente Gondwana, elas são o cartão-postal de Ponta Grossa, a Princesa dos Campos Gerais, onde 375 mil pessoas vivem entre trilhas, cervejarias artesanais e um dos maiores entroncamentos rodoferroviários do Sul.
O que faz dos arenitos de Vila Velha um patrimônio geológico?
As formações rochosas do Parque Estadual de Vila Velha remontam ao Período Carbonífero, há cerca de 300 milhões de anos. A areia de um antigo oceano foi compactada, soerguida por movimentos tectônicos e esculpida por vento e chuva ao longo de 1,8 milhão de anos. O resultado são torres de até 30 metros que lembram figuras como a célebre Taça, símbolo da cidade.
Criado em 1953, Vila Velha foi o primeiro parque estadual do Paraná. Seus 3.122 hectares abrigam também as Furnas, crateras verticais de até 100 metros de profundidade, e a Lagoa Dourada, com águas tão cristalinas que é possível ver os cardumes a olho nu. O parque foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual em 1966.

Como é a qualidade de vida na Princesa dos Campos?
O IDH de Ponta Grossa é de 0,763, classificado como alto pelo IBGE. A taxa de escolarização entre 6 e 14 anos chega a 98,2%. A presença da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) garante formação de qualidade e movimenta a vida cultural.
Multinacionais como DAF, Heineken e Tetra Pak mantêm operações na cidade, o que gera empregos qualificados e mantém o custo de vida mais competitivo que o de Curitiba, a apenas 103 km pela BR-376.
A “Princesa dos Campos” é um dos maiores polos industriais e de lazer do Paraná, combinando desenvolvimento e natureza exuberante. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 30 mil inscritos, e apresenta Ponta Grossa, destacando o Parque Estadual de Vila Velha, o Buraco do Padre e a força da sua economia:
O que os moradores fazem no fim de semana?
A rotina dos ponta-grossenses inclui opções que misturam natureza e cultura a poucos minutos do centro.
- Buraco do Padre: furna com cachoeira de 30 metros formada pelo Rio Quebra Perna. A trilha de 1 km é acessível a cadeirantes e leva a um anfiteatro natural.
- Cachoeira da Mariquinha: queda de 30 metros cercada por arenitos e mata nativa, ideal para trilhas e acampamentos.
- Represa dos Alagados: lago artificial a 20 km do centro, usado para remo, pesca e windsurf desde a década de 1940.
- Lago de Olarias: parque urbano com pistas de caminhada, ciclovias e quadras, ponto de encontro das famílias ao pôr do sol.
- Estação Saudade: antigo prédio ferroviário restaurado que funciona como centro cultural com biblioteca e eventos gratuitos.

Capital da cerveja e da alcatra na pedra
Ponta Grossa carrega o título de Capital Paranaense da Cerveja. A tradição cervejeira começou com a antiga Cervejaria Adriática e se renovou com dezenas de microcervejarias que produzem mais de 45 estilos diferentes. A Rota da Cerveja leva visitantes a conhecer o processo de fabricação e a história do setor na região.
O prato oficial da cidade é a Alcatra na Pedra, servida com cortes nobres sobre pedra quente, herança da tradição tropeira que marcou os Campos Gerais. A Münchenfest, Festa Nacional do Chope Escuro, acontece desde 1990 e reúne cerca de 100 mil pessoas com gastronomia alemã, bandas típicas e shows nacionais.

Das tropas de mula ao maior entroncamento do Paraná
O nome da cidade vem de uma grande colina coberta por capão de mato, visível de longe pelos tropeiros que conduziam gado entre São Paulo e o Rio Grande do Sul. A Prefeitura de Ponta Grossa registra que a ocupação começou em 1704, com sesmarias concedidas a fazendeiros paulistas. A freguesia foi criada por decreto de Dom Pedro I em 15 de setembro de 1823.
Com a chegada da ferrovia no final do século XIX, a cidade se tornou o principal nó logístico do estado. Imigrantes ucranianos, alemães, poloneses, italianos e sírios transformaram Ponta Grossa em uma das cidades mais plurais do Paraná. Essa diversidade aparece nas festas, na culinária e na arquitetura de casarões e estações ferroviárias preservadas.
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Quando visitar ou se mudar para os Campos Gerais?
O clima subtropical (Cfb) garante estações bem definidas. O inverno pode ser rigoroso, com geadas frequentes nos campos abertos, enquanto o verão traz tardes quentes e chuvas típicas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Princesa dos Campos Gerais?
Ponta Grossa fica a 103 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 1h30 de viagem. A BR-277 conecta a cidade ao oeste do estado e ao litoral. O Aeroporto Santana recebe voos comerciais para Campinas e São Paulo pelas companhias Azul e VoePass.
Viva a cidade onde a história tem 300 milhões de anos
Ponta Grossa entrega o que poucas cidades brasileiras conseguem: um patrimônio geológico de relevância mundial a minutos de uma vida urbana completa, com universidades, indústria forte e uma cena cervejeira que cresce a cada ano. A paisagem dos Campos Gerais, com seus campos ondulados e capões de araucária, dá o tom de um cotidiano que equilibra natureza e desenvolvimento.
Você precisa caminhar entre os arenitos ao entardecer e brindar com um chope escuro para entender por que a Princesa dos Campos conquista quem chega.










