O contato físico afetuoso, como o abraço, tem sido investigado por diferentes áreas da ciência como um possível aliado no manejo do estresse e na promoção do bem-estar. Em estudos recentes, o abraço aparece como uma forma de toque interpessoal capaz de modular respostas fisiológicas e emocionais, especialmente em situações de tensão, atuando como sinal de apoio social e de conexão entre as pessoas.
Como o abraço se relaciona ao estresse e ao cortisol
Em 2021, um ensaio clínico randomizado avaliou o impacto do toque de autoconsolo e do ato de ser abraçado sobre as respostas de cortisol em situações de estresse induzido. Tanto o toque realizado pela própria pessoa quanto o abraço recebido foram associados a níveis mais baixos desse hormônio após uma condição estressante, sugerindo um possível efeito de regulação fisiológica, como trouxe a pesquisa “Self-soothing touch and being hugged reduce cortisol responses to stress: A randomized controlled trial on stress, physical touch, and social identity”
Do ponto de vista neuroendócrino, a hipótese mais discutida é a de que o toque afetuoso estimule a liberação de substâncias como a oxitocina, ligada a comportamentos de vínculo social. A combinação de menor secreção de cortisol e sensação de acolhimento contribui para um efeito amortecedor diante de ameaças, fazendo do abraço contra o estresse uma estratégia complementar a outras formas de enfrentamento.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da psicologia Cláudia Saegusa (@claudiasaegusapsi):
@claudiasaegusapsi Importância do abraço #psicologia #família ##educação #educaçãoinfantildequalidade #paisefilhos ♬ som original – Claudia Saegusa
Como o abraço varia em duração, estilo e contexto relacional
Outra linha de pesquisa se concentra em características específicas do comportamento de abraçar, analisando fatores como duração, estilo, gênero e proximidade emocional. Estudos indicam que abraços um pouco mais prolongados tendem a ser percebidos como mais agradáveis, desde que ocorram em um contexto de conforto e consentimento, e que alguns segundos já são suficientes para serem vistos como significativos.
Pesquisas também mostram que o estilo de cruzar os braços costuma se estabilizar como um padrão individual, enquanto a proximidade emocional funciona como moderador central. Para ilustrar como esses elementos se combinam na experiência cotidiana do abraço, alguns pontos costumam ser destacados em estudos experimentais:
- Abraços mais longos tendem a ser avaliados como mais acolhedores.
- A relação entre as pessoas influencia se o abraço será bem-vindo.
- Normas sociais e culturais determinam quando o gesto é considerado aceitável.
- O estilo de braço cruzado costuma ser um hábito automático e consistente.
O abraço pode estar ligado à saúde em fases mais avançadas da vida
Entre pessoas idosas, a maior disponibilidade de abraços foi associada a melhor autoavaliação de saúde em estudos com adultos em idade mais avançada. Nessa fase da vida, o abraço se destaca não apenas como gesto de afeto, mas como um indicador indireto de rede de apoio social ativa e de presença de vínculos significativos no cotidiano.
Essa associação não implica que o abraço, isoladamente, produza melhores resultados clínicos, mas sugere que ele funciona como marcador de conexões sociais estáveis. Em idades mais altas, manter laços próximos relaciona-se a menor sensação de isolamento, maior engajamento em atividades e melhor percepção de bem-estar subjetivo, integrando o abraço a um conjunto de comportamentos de contato social.
- Presença de relações próximas que permitem o abraço.
- Maior sensação de apoio emocional no dia a dia.
- Associação com melhor avaliação subjetiva de saúde.

Como o abraço varia entre culturas e tipos de relacionamento
Uma extensa investigação internacional sobre toque interpessoal afetivo examinou abraços e outros gestos de carinho em diferentes países e contextos culturais. Os resultados indicaram que, embora o abraço seja um comportamento amplamente reconhecido, a frequência, a intensidade e as situações em que ele ocorre variam bastante entre culturas, de usos diários a práticas restritas a ocasiões especiais.
O estudo também diferenciou tipos de relacionamento, como parceiros românticos, familiares, amigos, colegas de trabalho e conhecidos. Em geral, abraços mais frequentes e prolongados aparecem em vínculos mais estreitos, enquanto contextos formais tendem a privilegiar cumprimentos mais distantes; ainda assim, em datas comemorativas ou situações de apoio emocional, o abraço ressurge como símbolo de proximidade, redução do estresse e percepção de apoio social ao longo da vida.







