O uso das expressões “chegar em” e “chegar a” costuma gerar dúvidas no dia a dia, especialmente em contextos mais formais, como textos acadêmicos, relatórios ou comunicações profissionais. Embora na fala cotidiana muitas pessoas usem as duas formas sem distinção, a norma-padrão da língua portuguesa faz recomendações específicas para cada caso, principalmente quando o verbo “chegar” vem acompanhado de ideia de movimento em direção a um lugar.
Como usar chegar a de forma correta na escrita formal
A forma “chegar a” é considerada a mais adequada pela norma culta quando o verbo indica deslocamento até um ponto de destino. Nesses casos, a preposição “a” introduz o lugar, o evento ou a situação a que alguém se dirige, em contextos que exigem maior correção gramatical.
No exemplo “Os estagiários chegaram atrasados à reunião”, o verbo indica deslocamento até um evento, e por isso se usa a preposição “a”, combinada com o artigo feminino “a”, formando “à”. A mesma lógica vale em “Chegou ao trabalho cedo”, “Chegaram à escola antes do sinal” e “O público chegou ao show com antecedência”.
Como funciona o uso de chegar a em sentidos abstratos
Além de lugares físicos e eventos, “chegar a” também aparece em sentidos mais abstratos, como em “chegar a um acordo” ou “chegar a uma decisão”. Nesses casos, ainda há a ideia de movimento, mas em um plano simbólico, indo de uma situação inicial até um resultado final.
Esse uso é valorizado em textos acadêmicos e jurídicos, em que se fala em “chegar a uma conclusão” ou “chegar a um entendimento”. Mesmo sem indicar deslocamento físico, a preposição “a” marca a noção de meta, resultado ou desfecho em processos de raciocínio ou negociação.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do professor Sidclei Nagasawa (@sidcleinagasawa):
@sidcleinagasawa Chegar a ou Chegar em, qual a forma correta?
♬ som original – sidcleinagasawa
Chegar em é sempre considerado um erro gramatical
A expressão “chegar em” é frequente na fala de diferentes regiões do Brasil e está bastante difundida na linguagem informal. Em conversas cotidianas, é comum ouvir “Cheguei em casa agora” ou “Ele já chegou em São Paulo”, formas associadas à variedade coloquial do português brasileiro.
Gramáticas tradicionais recomendam “chegar a” para indicar destino, mas reconhecem que “chegar em” vem se tornando cada vez mais comum, sobretudo antes de palavras como “casa”, nomes de cidades e países. Ainda assim, em textos oficiais, provas e comunicações profissionais, a forma mais segura continua sendo “chegar a”.
Por que evitar chegar em em contextos formais
Em contextos em que a correção linguística é avaliada, como concursos, vestibulares e textos acadêmicos, o uso de “chegar em” pode ser considerado inadequado. Bancas e corretores tendem a privilegiar a construção com “a”, alinhada à norma-padrão da língua portuguesa.
Por isso, quem deseja evitar problemas em avaliações costuma adotar sistematicamente a construção com “chegar a”, independentemente do tipo de lugar mencionado. Assim, frases como “Cheguei a casa”, “Chegou a Brasília” e “Chegaram a Portugal” seguem o padrão mais formal e recomendado.
Como escolher entre chegar em e chegar a no dia a dia
Na prática cotidiana, a escolha entre “chegar em” e “chegar a” pode ser organizada a partir de alguns critérios simples. Esses critérios ajudam a adaptar o registro da fala ou da escrita ao contexto, sem perder naturalidade nem comprometer a correção.
- Ambiente formal (provas, redações, documentos): priorizar “chegar a”.
- Sentido de movimento até um lugar ou evento: usar “chegar a” + local ou acontecimento.
- Linguagem coloquial e espontânea: “chegar em” é amplamente utilizado, embora menos prestigiado.
- Expressões abstratas (acordo, decisão, conclusão): preferir sempre “chegar a”.
De forma prática, algumas frases servem como referência no uso diário: “Os estagiários chegaram atrasados à reunião”, “O ônibus chegou ao terminal no horário previsto”, “A equipe chegou ao resultado após meses de pesquisa” e “Os convidados chegaram à festa no início da noite”.

Como memorizar a diferença entre chegar em e chegar a
Para evitar dúvidas recorrentes, uma estratégia simples é associar o verbo “chegar” a outros verbos de movimento que exigem a preposição “a”, como “ir a”, “voltar a” e “retornar a”. Se a frase funciona bem com esses verbos, tende a aceitar melhor também “chegar a”.
Outra forma prática de memorização é observar a presença de artigo antes do substantivo: “a + a = à”, “a + o = ao”, “a + as = às”, “a + os = aos”. Expressões como “à reunião”, “ao hospital”, “às aulas” e “aos eventos” indicam que se está diante da construção adequada na escrita formal, permitindo ajustar o uso conforme o contexto.








