Em 1859, Dom Pedro II chegou de barco pelo Rio São Francisco, olhou as casinhas coloridas e chamou o lugar de “Lapinha do Sertão”. Quase 80 anos depois, em 1938, as mesmas ruas exibiram as cabeças de Lampião e Maria Bonita na foto que correu o país inteiro. Piranhas, a 280 km de Maceió, é o terceiro destino mais visitado de Alagoas e a porta de entrada para os Cânions do Xingó.
De Porto de Piranhas à primeira cidade do semiárido tombada pelo IPHAN
A história de Piranhas começa no século XVI, quando o povoado ainda se chamava Tapera e depois virou Porto de Piranhas. A posição às margens do Velho Chico fez da cidade ponto vital para a navegação e o comércio no Baixo e Médio São Francisco. Casarões em estilo colonial, neoclássico e eclético foram erguidos ao longo dos séculos e formam o sítio histórico que o IPHAN tombou como Patrimônio Cultural do Brasil, tornando Piranhas a primeira cidade do semiárido a receber essa proteção.
A prefeitura e o IPHAN orientam os moradores com um manual de cores para manter as características originais das fachadas. O resultado é um centro histórico vibrante, com ruas de pedra, lojas de artesanato e uma vida noturna concentrada nos bares ao ar livre da famosa Cachaçaria Altemar Dutra.

A Rota do Cangaço e a Grota do Angico
Piranhas ficou conhecida nacionalmente em julho de 1938, quando o bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi emboscado e decapitado na Grota do Angico, fazenda próxima ao rio. Os despojos foram expostos na cidade antes de seguir para a Bahia, e a foto tirada ali se tornou um dos registros mais famosos da história do cangaço.
Hoje, a Rota do Cangaço é um dos passeios mais procurados. Parte-se de catamarã do atracadouro de Piranhas até o povoado de Entremontes, onde uma trilha pela caatinga leva ao local exato da emboscada. No Cangaço Eco Parque, guias caracterizados de cangaceiros recebem os visitantes. A trilha do Espaço Angicos, mais curta (700 m), passa pela casa do coiteiro que traiu Lampião.
O vídeo é do canal Vou na Janela, que conta com mais de 300 mil incritos, e detalha um roteiro por Piranhas, incluindo os Canyons de Xingó e a Rota do Cangaço: mais de 300 mil subscritos.
Cânions do Xingó e o que mais visitar?
Piranhas é ponto de partida para um dos cenários naturais mais espetaculares do Nordeste. Os paredões rochosos alaranjados do Rio São Francisco formam cânions que contrastam com a água esmeralda do reservatório da Usina de Xingó.
- Cânions do Xingó: passeio de catamarã ou lancha entre paredões de pedra, com parada para banho em piscinas naturais protegidas e visita à Gruta do Talhado.
- Usina Hidrelétrica de Xingó: visita guiada de cerca de 40 minutos pela maior usina do Nordeste.
- Museu do Sertão Marília Rodrigues: instalado na antiga Estação Ferroviária de arquitetura neoclássica, com acervo sobre o cangaço, a navegação e o homem sertanejo.
- Torre do Relógio: construída em 1879, abriga o Café da Torre e mirante no alto.
- Mirante da Igreja do Bonfim: 250 degraus íngremes até a igrejinha com vista do Velho Chico e dos telhados coloridos.
- Mirante Secular: antigo farol que guiava embarcações, hoje abriga restaurante com pôr do sol sobre o rio.

Pituzada e a cozinha ribeirinha do Velho Chico
A gastronomia de Piranhas gira em torno dos peixes e camarões do São Francisco. Os restaurantes da orla fluvial servem pratos frescos com vista para o rio.
- Pituzada: prato emblemático feito com pitu, o camarão de água doce da região, servido inteiro ou em moquecas.
- Moqueca de surubim: peixe do rio preparado com leite de coco, azeite de dendê e temperos locais.
- Carne de sol com macaxeira: clássico sertanejo presente em todas as mesas da cidade.
Leia também: Rochas de 1 bilhão de anos e mais de 300 cachoeiras, fazem parte da chapada que a UNESCO reconheceu no coração do Cerrado.
Quando o sertão está mais bonito para visitar?
Piranhas tem clima quente o ano todo. O período seco, de setembro a fevereiro, é o mais indicado para passeios de barco e trilhas. No inverno chuvoso, o rio sobe e os cânions ficam mais verdes.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Lapinha do Sertão?
Piranhas fica a 280 km de Maceió e a 217 km de Aracaju. O acesso é por rodovia, em trajeto que revela a transição entre a zona da mata e o sertão alagoano. Não há aeroporto na cidade. Os aeroportos mais próximos são o Zumbi dos Palmares (Maceió) e o Santa Maria (Aracaju). De lá, o percurso de carro leva entre 3 e 4 horas. Duas a três diárias são suficientes para conhecer os principais passeios.
Navegue o Velho Chico e ouça o sertão contar sua história
Piranhas é o raro destino onde cânions de tirar o fôlego, história do cangaço e arquitetura colonial convivem em poucas ruas de pedra às margens do rio mais lendário do Brasil. O sertão que Dom Pedro II chamou de Lapinha segue colorido, acolhedor e cheio de histórias para contar.
Você precisa descer o São Francisco de catamarã, caminhar até a Grota do Angico e sentar em um mirante ao pôr do sol para entender por que essa cidade pequena se tornou o terceiro destino mais visitado de Alagoas.










