Entre Ouro Preto e Congonhas, aos pés de um paredão de quartzito que brilha sob o sol, Ouro Branco espera quem busca arte barroca, cachoeiras e silêncio na Estrada Real de Minas Gerais.
O ouro que deu nome à cidade valia menos que o do vizinho
O povoado de Santo Antônio de Ouro Branco nasceu por volta de 1694, quando bandeirantes encontraram ouro de tonalidade clara nos rios da região. O metal, menos puro que o extraído em Ouro Preto, tinha valor inferior e rendeu à vila o apelido que virou nome. Em 1724, o arraial foi elevado a freguesia por alvará da Rainha Maria I.
A mineração logo perdeu fôlego, mas a posição estratégica na Estrada Real manteve a cidade viva como ponto de pouso para tropeiros. Em 1953, Ouro Branco se emancipou de Ouro Preto e começou a escrever sua própria história, agora com siderurgia e turismo dividindo o protagonismo.

O que visitar no centro histórico de Ouro Branco?
O casario setecentista ocupa poucas quadras e pode ser percorrido a pé em uma manhã. As construções ficam ao longo da Rua Santo Antônio, trecho original da Estrada Real.
- Igreja Matriz de Santo Antônio: construída a partir de 1717, tem fachada com influência de Aleijadinho (executada pelo pedreiro Domingos Coelho) e forro pintado por Mestre Ataíde com cores translúcidas que retratam Santo Antônio, a Virgem e o Menino Jesus.
- Fazenda Carreiras (Casa de Tiradentes): antigo ponto de cobrança do Quinto da Coroa Portuguesa. A tradição local a associa aos inconfidentes, embora não haja comprovação histórica da passagem de Tiradentes pelo local.
- Capela Nossa Senhora Mãe dos Homens: erguida em 1865 no alto da serra, com vista do vale inteiro. Tombada pelo IEPHA/MG.
- Praça Santa Cruz: centro da vida local, com feirinha aos domingos e casarões coloniais ao redor.
O encanto de Holambra, a “Cidade das Flores”, um pedaço da Holanda no interior de São Paulo. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 70 mil inscritos, e apresenta um roteiro apaixonante visitando o Moinho Povos Unidos, os campos de flores coloridos e o charmoso centro gastronômico da cidade:
Por que o distrito de Itatiaia merece uma parada?
Uma única rua concentra bares, restaurantes de comida mineira e a Igreja Matriz de Santo Antônio de Itatiaia, considerada uma das mais antigas de Minas Gerais, com registros de 1714. O vilarejo fica aos pés da serra, e o pôr do sol visto dali, com o paredão de quartzito ao fundo, é um dos mais fotografados da região.
A comunidade preserva o ritmo de interior. Cavalos dividem a rua com carros, e o cheiro de feijão tropeiro escapa das cozinhas. Para quem vem de cidades maiores, Itatiaia funciona como uma pausa no tempo.

A serra que divide águas de três rios e assustava tropeiros
A Serra de Ouro Branco é o marco inicial sul da Cadeia do Espinhaço, cordilheira que se estende por Minas Gerais e Bahia. O Parque Estadual Serra do Ouro Branco protege cerca de 7.520 hectares de campos rupestres, mata atlântica e nascentes que abastecem a cidade inteira.
No século XVIII, a serra era conhecida como Deus-te-livre, por causa dos assaltos que viajantes da Estrada Real sofriam na travessia. Hoje o perigo deu lugar a mirantes, trilhas e cachoeiras. O Mirante do ET, a 1.568 m de altitude, permite avistar Ouro Branco, Congonhas e Conselheiro Lafaiete ao mesmo tempo. O Lago Soledade, formado pelas nascentes da serra, completa a paisagem com águas calmas cercadas de verde.
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Quando o clima favorece os passeios na serra?
A altitude ameniza o calor do interior mineiro. O inverno seco é a melhor época para trilhas e mirantes, enquanto o verão traz chuvas fortes que alimentam as cachoeiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Ouro Branco saindo de BH?
A cidade fica a cerca de 100 km de Belo Horizonte pela BR-040 até Congonhas, seguindo pela MG-443. O trajeto leva aproximadamente 1h30. De Ouro Preto, são apenas 33 km pela MG-129, trecho que acompanha a Estrada Real com paisagem serrana o caminho inteiro. Ônibus partem da rodoviária de BH com parada em Ouro Branco.
Visite a cidade que nasceu do ouro que ninguém queria
Ouro Branco oferece o que as vizinhas mais famosas nem sempre conseguem: arte barroca de Aleijadinho e Ataíde, serra com mirantes de tirar o fôlego e a tranquilidade de quem ainda não foi tomada pelo turismo de massa. Tudo isso a pouco mais de uma hora de BH, no coração da Estrada Real.
Você precisa subir a serra, olhar o vale do Mirante do ET e entender por que essa cidade, nascida de um ouro que valia menos, guarda tesouros que não cabem em cofre nenhum.










