Marina e Carlos pagaram R$ 9 mil por móveis planejados para ocupar uma parede inteira da cozinha e ganhar espaço de armazenamento. Neste relato fictício, porém, a surpresa apareceu somente na montagem: uma das portas do novo armário avançava sobre a área da geladeira e impedia a abertura normal do eletrodoméstico.
Projeto buscava aproveitar cada espaço da cozinha
Na história fictícia, Marina e Carlos moravam em um apartamento com uma cozinha relativamente estreita e queriam aproveitar melhor uma parede inteira. O plano era instalar armários superiores, gavetas, nichos e um módulo alto ao lado da geladeira, substituindo móveis soltos que deixavam espaços vazios.
O casal procurou uma empresa de móveis planejados, apresentou as medidas do ambiente e escolheu acabamento, puxadores e divisões internas. O orçamento ficou em R$ 9 mil, valor que incluía fabricação e montagem dos módulos previstos no projeto.
Geladeira já estava no local durante a medição
A geladeira não era uma compra futura. No relato, o aparelho já estava instalado na cozinha quando as medidas foram tiradas, o que fez o casal acreditar que sua posição e sua abertura haviam sido consideradas no desenho dos móveis.
O projeto reservava um espaço para o eletrodoméstico e, olhando a composição de frente, tudo parecia encaixar. O problema é que as dimensões externas da geladeira eram apenas uma parte da questão. Também era necessário considerar o movimento das portas dos móveis e do próprio aparelho.
Fabricantes orientam que condições de instalação sejam verificadas conforme cada modelo. A Electrolux, por exemplo, cita a necessidade de conferir se o ambiente está preparado para receber determinados refrigeradores e recomenda seguir as orientações específicas do manual do fabricante.

Problema apareceu quando a porta foi colocada
Durante a montagem fictícia, os primeiros módulos foram instalados sem dificuldade. A situação mudou quando os montadores colocaram a porta do armário alto localizado imediatamente ao lado da geladeira.
Ao abrir essa porta, Marina percebeu que ela ocupava parte do espaço necessário para movimentar a porta da geladeira. Dependendo de qual delas estivesse aberta primeiro, uma batia na outra. Na prática, o móvel estava encaixado na parede, mas não funcionava corretamente junto com o eletrodoméstico.
Medida do espaço não é a mesma coisa que área de uso
O caso fictício mostra uma diferença importante entre fazer um móvel caber fisicamente e garantir que ele funcione no cotidiano. Além de largura, altura e profundidade, um planejamento precisa observar áreas de abertura, circulação e interferências entre elementos próximos.
Isso também varia conforme o equipamento. Algumas geladeiras permitem alterar o lado de abertura da porta, enquanto outras não oferecem essa possibilidade. A própria Consul informa que a reversão depende do modelo da geladeira e orienta o consumidor a consultar o respectivo manual.
Por isso, apenas desenhar um retângulo representando o refrigerador pode não ser suficiente. É preciso considerar o modelo real, posição das dobradiças, abertura necessária para acesso interno e qualquer móvel, parede ou bancada que possa interferir nesse movimento.
Casal precisou escolher entre alterar o móvel e perder espaço
Na narrativa, a primeira alternativa sugerida foi limitar parcialmente a abertura do armário. Marina e Carlos rejeitaram a ideia porque isso significaria pagar por um móvel planejado que já começaria com uma restrição de uso.
A segunda possibilidade era refazer a porta do módulo, reduzindo sua largura e alterando a divisão frontal. Essa solução exigiria uma nova peça e modificaria parte do desenho que havia sido aprovado inicialmente.
Também foi cogitado deslocar a geladeira alguns centímetros, mas isso diminuiria a passagem na cozinha. O impasse deixou evidente que corrigir uma interferência depois da fabricação costuma ser mais trabalhoso do que testar os movimentos ainda na fase de projeto.

Projeto de mobiliário precisa considerar os objetos que já existem
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil define projeto de mobiliário como a atividade ligada à criação de móveis planejados, seja por projeto enviado à marcenaria ou por módulos pré-fabricados. Em outro conteúdo, o conselho também aponta que conhecer as medidas dos objetos ajuda a evitar incompatibilidades de dimensão no ambiente.
No caso fictício de Marina e Carlos, as medidas básicas estavam disponíveis, mas faltou verificar como os componentes se comportariam quando abertos. A diferença só apareceu quando o projeto deixou o desenho e passou a funcionar em tamanho real dentro da cozinha.
O que conferir antes de autorizar a fabricação
Quem pretende instalar móveis planejados pode pedir que o projeto mostre não apenas onde geladeira, forno, gavetas e armários ficarão, mas também o sentido de abertura de cada porta. Quando já houver eletrodomésticos no imóvel, informar fabricante e modelo ajuda a comparar o desenho com as especificações reais.
Também é útil verificar interferências antes de aprovar definitivamente o projeto: portas totalmente abertas, gavetas puxadas, passagem entre móveis e espaço necessário para usar equipamentos. Uma visualização bonita não substitui a conferência da funcionalidade cotidiana.
No relato fictício, os R$ 9 mil não foram perdidos, mas parte do móvel precisou ser revista para que geladeira e armário pudessem funcionar juntos. O episódio serve como alerta simples: em uma cozinha planejada, alguns centímetros e o sentido de uma dobradiça podem mudar completamente o resultado da montagem.




