Novas descobertas científicas mostram que a inteligência infantil não é apenas um traço com o qual a criança nasce, mas algo que pode ser significativamente influenciado pelas experiências e crenças dos cuidadores desde os primeiros meses de vida. Um estudo publicado pela Harvard Gazette revela que a forma como os pais pensam sobre o potencial de crescimento das capacidades influencia diretamente o desenvolvimento cerebral.
O que o estudo real descobriu sobre inteligência infantil?
Pesquisadores descobriram que uma mentalidade de crescimento materna pode ter efeitos positivos no desenvolvimento cerebral das crianças desde muito cedo. Ao contrário da visão tradicional de que a inteligência é um traço fixo, a pesquisa indicou que crenças sobre o desenvolvimento das habilidades são importantes para o resultado cognitivo da criança.
O estudo envolveu 33 mães e seus bebês com 12 meses de idade, investigando a relação entre o mindset materno, os níveis de estresse e como isso se refletiu na atividade cerebral registrada por eletroencefalografia.
Quais fatores foram analisados no estudo real?
A pesquisa liderada pelo professor Charles Nelson, da Harvard Medical School, examinou vários fatores relacionados à experiência da mãe e ao impacto no desenvolvimento infantil. Eles observaram:
- Mindset fixo versus mindset de crescimento das mães em relação às capacidades dos filhos
- Níveis de estresse materno no primeiro ano de vida da criança
- Atividade cerebral dos bebês por meio de eletroencefalografia
- A associação entre estímulos parentais e impacto no cérebro mesmo em crianças muito pequenas
- A influência do ambiente emocional que cerca o desenvolvimento dos primeiros meses
Esses elementos foram fundamentais para compreender quando e como os fatores externos podem moldar trajetórias cognitivas.

O que é “mentalidade de crescimento” no contexto desse estudo?
No estudo, uma mentalidade de crescimento é definida como a crença de que habilidades e capacidades podem se expandir com esforço, atenção e prática. Isso significa que a mãe acredita que ela pode efetivamente ajudar o bebê a aprender e desenvolver novas habilidades ao longo do tempo.
Ao contrário, uma mentalidade fixa pressupõe que a inteligência da criança é inalterável, independentemente dos estímulos ou interações. A pesquisa mostrou que crianças cujas mães apresentavam essa mentalidade de crescimento eram menos afetadas pelos efeitos negativos do estresse materno.
Quanto impacto isso teve no cérebro das crianças no estudo?
A evidência mostrou que bebês de mães com altos níveis de estresse, mas que também tinham uma mentalidade de crescimento, não apresentaram os efeitos negativos observados em bebês de mães com pensamento fixo. Ou seja, mesmo sob condições estressantes, o mindset positivo atuou como um fator protetor no desenvolvimento cerebral.
Isso sugere que as crenças dos cuidadores influenciam a maneira como o cérebro dos bebês reage ao ambiente, mostrando que intervenções simples que promovem um mindset de crescimento podem ter benefícios tangíveis.
Quais são as implicações reais dessa pesquisa?
Os pesquisadores enfatizam que embora a mentalidade de crescimento por si só não resolva todas as dificuldades enfrentadas por novas famílias, ela pode ser uma ferramenta útil para promover melhores resultados cognitivos. Eles destacam que:
- Intervenções educacionais simples podem ajudar pais a adotar uma mentalidade de crescimento
- Apoio adicional como licença parental estendida e sistemas públicos de suporte ainda são essenciais
- Tornar os ambientes emocionais e educativos mais positivos pode impactar o cérebro desde os primeiros meses de vida
- Práticas parentais influenciam mais do que se pensava anteriormente
Essas conclusões mostram um novo passo na compreensão de como fatores ambientais e psicológicos moldam capacidades cognitivas desde os primeiros anos.
No geral, o estudo evidencia que inteligência não é um atributo estático com o qual nascemos, mas que pode ser influenciado através de crenças, interações e apoio no ambiente inicial de desenvolvimento da criança, abrindo caminhos para novas práticas e políticas educacionais profundas.










