A expressão do tempo em português costuma gerar dúvidas até entre falantes experientes. Em conversas informais, é comum ouvir construções como “há dois dias atrás”, “faz três anos atrás” ou “tem cinco minutos atrás”, que se espalham na fala cotidiana, em redes sociais e até em alguns textos escritos, criando insegurança na hora de redigir mensagens profissionais, trabalhos acadêmicos ou conteúdos voltados ao público em geral.
Qual é a forma correta há dois dias ou há dois dias atrás
A expressão “há dois dias” é a forma adequada na norma culta para indicar um fato que ocorreu no passado. O verbo haver, nesse uso impessoal, já carrega a ideia de tempo decorrido, dispensando qualquer complemento adicional como “atrás”.
Por esse motivo, a combinação “há dois dias atrás” é considerada redundante, pois o termo “atrás” também indica passado. Em textos formais, recomenda-se evitá-la e usar construções como “há dois dias, começou o curso” ou “há pouco tempo, leu sobre o assunto”, que mantêm clareza e estão alinhadas à norma-padrão.
- Há uma semana, recebeu a notícia.
- Há três meses, iniciou o projeto.
- Há muitos anos, estudou nesse colégio.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da Fran Nega, que publica no seu perfil @frannegaaa diversas dicas de português para 16 mil seguidores:
@frannegaaa FAZ ou FAZEM dois dias? O correto é “faz dois dias”, pois quando o verbo “fazer” indica tempo decorrido (ou clima, preço), ele é impessoal e fica sempre no singular, não concordando com “dias”. A forma “fazem” só seria usada se “eles/elas” fossem o sujeito, como em “Eles fazem os bolos”. Verbo Impessoal: Em expressões de tempo, o verbo “fazer” não tem sujeito, funcionando como um verbo impessoal (assim como “haver” no sentido de existir). Invariável: Por ser impessoal, ele permanece na 3ª pessoa do singular (“faz”), independentemente da quantidade de tempo mencionada (faz um dia, faz dois dias, faz dez anos, etc.).#fyp#aprender#gramatica#linguaportuguesa#viral ♬ som original – frannegaaa
Como evitar a redundância em expressões de tempo
Para evitar construções como “há dois dias atrás”, é útil observar que, em português, geralmente se escolhe um único elemento para marcar que algo ficou no passado. Quando o verbo já cumpre essa função, não é necessário acrescentar outra palavra com o mesmo sentido, sob pena de criar frases prolixas e pouco objetivas.
No uso formal, alguns modelos se consolidaram como os mais recorrentes para se referir a tempo passado, tanto na escrita acadêmica quanto em documentos profissionais. Eles podem ser organizados de forma clara conforme o tipo de construção escolhida pelo falante ou escritor.
- Com o verbo “haver”: “Há dois dias, terminou o prazo.”
- Com o verbo “fazer”: “Faz dois dias que terminou o prazo.”
- Com advérbio ou locução adverbial: “Dois dias atrás, terminou o prazo.”
Quando usar há dois dias e quando usar dois dias atrás
A escolha entre “há dois dias” e “dois dias atrás” depende sobretudo do registro de linguagem e do estilo do texto. Em contextos que exigem maior aderência à norma-padrão, o uso do verbo haver no sentido de tempo transcorrido é o mais recomendado, por soar mais formal e tradicional.
Em textos informais, como conversas em redes sociais ou diálogos do dia a dia, “dois dias atrás” é amplamente entendido e bastante frequente. O importante é evitar sempre combinações como “há dois dias atrás”, “faz dois dias atrás” e “tem dois dias atrás”, que repetem a mesma informação temporal sem necessidade.
- Forma recomendada: “Há dois dias, ocorreu a reunião sobre o novo projeto.”
- Alternativa correta: “Dois dias atrás, ocorreu a reunião sobre o novo projeto.”
- Construção a evitar: “Há dois dias atrás, ocorreu a reunião sobre o novo projeto.”

Quais cuidados ter com o verbo haver em expressões de tempo
Além da redundância com “atrás”, o uso do verbo haver em expressões temporais exige atenção ao fato de ele ser um verbo impessoal. Nessa função, ele não tem sujeito e permanece sempre no singular, o que torna inadequadas formas como “Houveram dois acidentes ontem” quando se fala de existência ou tempo decorrido.
Em construções temporais, a orientação é manter o verbo no singular, respeitando a norma culta e garantindo maior precisão em textos que exigem correção gramatical rigorosa. Esse cuidado contribui para evitar erros recorrentes, diminuir ambiguidades e transmitir informações de maneira mais direta, sem repetições desnecessárias na indicação do tempo.
- Há dez anos, a situação era diferente.
- Há muitas décadas, discute-se esse tema.
- Havia pouco tempo, o serviço funcionava de outra forma.









