Cidades do interior costumam ser conhecidas pelo que plantam ou fabricam, e raramente pelo que leem. Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, cercada por lavouras do planalto gaúcho, tornou-se exceção. Uma ideia surgida em uma conversa em 1981 deu origem a um encontro de escritores que cresceu ao longo de décadas, premiou nomes como Chico Buarque e Mia Couto e levou a cidade a receber, por lei federal, o título de Capital Nacional da Literatura.
Como nasceu a Jornada Nacional de Literatura?
De uma conversa entre uma professora e um escritor. Segundo o Portal das Jornadas Literárias, da Universidade de Passo Fundo, a ideia partiu da professora Tania Rösing, então coordenadora dos cursos de Letras da universidade, em uma conversa com o escritor Josué Guimarães, em abril de 1981. O entusiasmo do escritor levou a professora a buscar o apoio da instituição para organizar o evento.
A primeira edição saiu do papel poucos meses depois. Ainda de acordo com o portal, em agosto de 1981, a 1ª Jornada de Literatura Sul-Rio-Grandense reuniu cerca de 750 inscritos. Com o tempo, o encontro ganhou alcance nacional, passou a se chamar Jornada Nacional de Literatura e se tornou o principal símbolo cultural da cidade.

Quem venceu o prêmio literário de Passo Fundo?
Alguns dos principais escritores da língua portuguesa. O Portal das Jornadas Literárias registra que, durante uma das edições, a Prefeitura anunciou por lei municipal a criação do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, no valor de R$ 100 mil, destinado ao melhor romance escrito em língua portuguesa. O primeiro vencedor foi o gaúcho Sinval Medina, com Tratado da altura das estrelas.
Os nomes seguintes deram projeção internacional ao prêmio. Segundo o portal especializado PublishNews, o romance Budapeste, de Chico Buarque, conquistou o prêmio em 2005, e o moçambicano Mia Couto venceu em 2007, com O outro pé da sereia. Naquela edição, de acordo com o mesmo portal, participaram escritores de 17 estados brasileiros e de países como Inglaterra, Moçambique, Portugal e Tailândia.
Como Passo Fundo virou Capital Nacional da Literatura?
Por lei federal, depois de décadas de Jornadas. O Portal das Jornadas Literárias informa que, por proposição do deputado Beto Albuquerque, aprovada na Câmara e no Senado, a Lei Federal nº 11.264, de 2 de janeiro de 2006, deu à cidade o título de Capital Nacional da Literatura, em reconhecimento ao trabalho das Jornadas.
O reconhecimento se repetiu no estado. Segundo a Universidade de Passo Fundo, a cidade também recebeu o título de Capital Estadual da Literatura, pela Lei nº 12.838/2007. A universidade descreve as Jornadas Literárias como uma das maiores movimentações literárias da América Latina, realizadas em parceria entre a instituição e a Prefeitura.
Onde a literatura aparece em Passo Fundo?
Nos eventos, nos espaços públicos e na universidade. Estes são alguns dos marcos ligados ao título de capital da literatura.
Quem passou pelas Jornadas Literárias?
Escritores e pensadores de diferentes países. O PublishNews registrou, na programação de 2009, a presença confirmada de nomes como o filósofo francês Pierre Lévy, a ensaísta argentina Beatriz Sarlo, a escritora Nélida Piñon e o jornalista Zuenir Ventura, entre outros convidados nacionais e internacionais.
A presença de autores desse porte ajudou a mudar a forma como a cidade se vê. Segundo a Universidade de Passo Fundo, desde janeiro de 2006 Passo Fundo é conhecida pelo título de Capital Nacional da Literatura, concedido por ser sede de um dos maiores debates literários da América Latina, realizado a cada dois anos desde 1981. Para quem visita, a cidade oferece a chance de conhecer um lugar em que a leitura virou parte da identidade local.

Como é o clima de Passo Fundo ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, e o inverno é frio. Outubro é o mês mais chuvoso, com 248 mm em média, e julho tem mínima de 9°C e máxima de 18°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que escolheu os livros como identidade
Passo Fundo mostra que uma ideia simples pode mudar a imagem de uma cidade inteira. O encontro planejado por uma professora e um escritor em 1981 cresceu, atraiu autores de vários países, premiou romances de Chico Buarque e Mia Couto e terminou reconhecido por lei federal. No meio do planalto gaúcho, conhecido pelas lavouras, a cidade fez da literatura uma marca que vai muito além das próprias Jornadas.
Você precisa visitar Passo Fundo, conhecer os espaços dedicados à literatura e acompanhar uma edição das Jornadas para entender por que essa cidade gaúcha ganhou o título de Capital Nacional da Literatura.




