Paredões de rocha em tons alaranjados, que podem chegar a 50 metros de altura, formam um corredor natural em torno de um lago esverdeado no meio da Caatinga. Esse cenário surpreendente é o Cânion de Xingó, localizado no alto sertão do Nordeste, em Sergipe, a cerca de 213 km de Aracaju, resultado da interação entre o rio, as formações geológicas e a intervenção humana.
Como um lago surgiu no meio do sertão?
Até 1994, o trecho do Rio São Francisco onde hoje está o Cânion de Xingó era um cenário de pedras expostas e corredeiras naturais. Tudo mudou com a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, que represou o rio e formou um imenso lago com cerca de 65 km de extensão, cercado por formações rochosas com milhões de anos.
A transformação também impactou a vida local, já que a antiga comunidade de Canindé de Baixo precisou ser removida para a construção da barragem, sendo substituída por uma cidade planejada do zero. Com o tempo, a região ganhou importância turística e passou a integrar o Monumento Natural do Rio São Francisco, criado em 2009 e protegido entre Sergipe, Alagoas e Bahia.

O que fazer no Cânion de Xingó e arredores?
O passeio mais conhecido começa no píer do restaurante Karrancas, em Canindé de São Francisco, de onde sai o catamarã que percorre o Rio São Francisco por cerca de três horas. O roteiro inclui navegação entre os paredões, parada para banho e contemplação e retorno pelo mesmo trajeto, com música ao vivo e serviço de bordo durante a viagem.
- Gruta do Talhado: acessada por canoas guiadas por moradores da região, forma um corredor natural entre rochas altas, com efeitos de luz na água que mudam ao longo do dia.
- Rota do Cangaço: passeio que combina navegação pelo rio e trilha na Caatinga até a Grota do Angico, local onde Lampião e Maria Bonita foram mortos em 1938, com explicações de guias caracterizados.
- Prainha de Canindé: área de lazer na orla do rio, com restaurantes, vista aberta para o São Francisco e estrutura para banho e descanso.
- Usina Hidrelétrica de Xingó: visita guiada de aproximadamente 50 minutos que apresenta o funcionamento da usina e sua importância na transformação da região, sendo uma das maiores do Nordeste.
- Museu de Arqueologia de Xingó (MAX): ligado à Universidade Federal de Sergipe, reúne um grande acervo com milhares de peças arqueológicas e vestígios humanos com até 9 mil anos, incluindo esqueletos do Sítio Justino.
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O vídeo é do canal Diego Berlitz, com mais de 85 mil inscritos, e avalia se o passeio de barco pelo Rio São Francisco vale a pena:
O que comer às margens do Velho Chico
A culinária da região mistura tradição sertaneja com peixes do São Francisco. Os restaurantes ao redor do píer e na orla de Canindé servem pratos que acompanham bem o calor do sertão.
- Surubim frito ou na brasa: peixe nobre do São Francisco, servido com baião de dois e vinagrete.
- Carne de sol com macaxeira: clássico nordestino presente em praticamente todos os cardápios da região.
- Queijo coalho assado: acompanhamento de beira de rio, servido em espetinhos nos quiosques da orla.
- Doces de passa: goiaba, caju e mamão desidratados, vendidos em paradas na estrada entre Aracaju e Canindé.

Quando o clima favorece o passeio pelo cânion?
O sertão sergipano tem clima semiárido com temperaturas altas o ano inteiro. A chuva se concentra entre abril e julho, mas raramente impede os passeios de barco.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao Cânion de Xingó saindo de Aracaju?
O acesso até Canindé de São Francisco parte de Aracaju, em um trajeto de aproximadamente 213 km pelas rodovias BR-235 e SE-230, com duração média de 3 horas em estrada asfaltada. Também há opção de ônibus diário operado pela empresa Rota, saindo da rodoviária da capital. O aeroporto mais próximo é o de Aracaju (AJU), localizado a cerca de 167 km da região do cânion. Outra alternativa é chegar pelo lado alagoano, via Piranhas, que também oferece hospedagem e acesso ao passeio.
O cenário do Cânion de Xingó surpreende por quebrar a imagem tradicional do sertão nordestino. Em vez de paisagem seca, o Rio São Francisco forma um lago cercado por paredões rochosos, arqueologia milenar e uma cultura ribeirinha presente no dia a dia das comunidades locais, refletida na culinária, na música e nos passeios de barco.










