A 155 km do Rio de Janeiro, Cabo Frio guarda uma das histórias mais antigas do litoral brasileiro entre praias de areia branca e mar em tons de azul-turquesa. É o tipo de lugar onde o passado colonial convive com a orla agitada e os frutos do mar frescos chegam direto do barco à mesa.
Por que a cidade se chama Cabo Frio mesmo no verão?
Em 1503, o navegador Américo Vespúcio ancorou na região e notou correntes de água gelada vindas do fundo do oceano. Ele batizou o lugar de Cabo Frio ali mesmo. Hoje, esse fenômeno tem nome científico: ressurgência. Correntes profundas sobem à superfície carregadas de nutrientes, reduzem os sedimentos em suspensão e deixam o mar com uma transparência comparável à do Caribe.
A mesma ressurgência que resfria a água alimenta cardumes que abastecem os restaurantes da orla e sustentam a pesca artesanal da região. A cidade deve ao mar frio não apenas o nome, mas boa parte de sua identidade gastronômica e turística.

Uma cidade com 400 anos de história à beira-mar
Cabo Frio foi fundada oficialmente em 13 de novembro de 1615, quando o governador Constantino Menelau expulsou franceses e ingleses da costa e ergueu a Vila de Santa Helena. É a sétima cidade mais antiga do Brasil, e esse peso histórico ainda se vê nas ruas.
O bairro da Passagem foi o primeiro núcleo urbano da cidade, em 1616, e preserva ruas de paralelepípedo e casarões coloniais com janelas baixas e coloridas. Uma curiosidade: algumas coberturas ainda guardam telhas do período colonial. O local se tornou o centro gastronômico de Cabo Frio, com restaurantes à beira do Canal do Itajurú e uma atmosfera que mistura história e agito.
Cabo Frio é um destino cinematográfico na Região dos Lagos, conhecido pela sua rica história colonial e praias de areias branquíssimas. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com mais de 160 mil inscritos, e apresenta um roteiro completo de 1 a 3 dias detalhando as melhores praias, centros históricos e o melhor pôr do sol da cidade:
O que fazer nas praias da Costa do Sol
Cabo Frio é a maior cidade da Região dos Lagos e oferece praias para perfis diferentes, todas com acesso fácil ao centro.
- Praia do Forte: cartão-postal da cidade, com 7,5 km de areia branca, mar cristalino e o Forte São Mateus em uma extremidade. Infraestrutura completa com quiosques e calçadão. A areia é composta por grãos de quartzo que refletem a luz e não aquecem ao sol.
- Praia do Peró: 7,2 km de extensão certificados pelo selo internacional Bandeira Azul, dentro dos limites do Parque Estadual da Costa do Sol (PECS). Ondas disputadas por surfistas e dunas que lembram os Lençóis Maranhenses.
- Praia das Conchas: 600 metros de baía fechada, águas calmas e piscinas naturais formadas pelas rochas na Ponta do Arpoador. Ótima para mergulho amador e stand up paddle.
- Ilha do Japonês: ilhota no Canal do Itajurú com águas tranquilas e cristalinas. Acessível por barco saindo do canal, com quiosques e vegetação nativa.
Passeios além da praia: história, cultura e náutica
Quem reserva alguns dias para a cidade encontra muito mais que praias. O roteiro histórico e os passeios náuticos completam a experiência no Caribe Brasileiro.
- Forte São Mateus: concluído em 1620, é um dos monumentos coloniais mais antigos do país. Foi erguido com óleo de baleia e conchas trituradas como argamassa. Fica sobre uma rocha na ponta da Praia do Forte, com vista panorâmica da orla.
- Convento Nossa Senhora dos Anjos: construção franciscana concluída em 1696, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Abriga o Museu de Arte Religiosa e Tradicional, com pinturas originais na capela-mor.
- Morro da Guia: ponto mais alto da cidade, com vista em 360 graus da orla, do canal e dos arredores. Chegando ao topo, a Capela Nossa Senhora da Guia, de 1740, fecha o passeio.
- Rua dos Biquínis: no bairro Gamboa, mais de 100 lojas que vendem no varejo, no atacado e exportam para Europa, Ásia e Américas. Na alta temporada, o comércio funciona das 8h à meia-noite.
- Passeios de barco: o Boulevard Canal tem um terminal de embarcações de passeio, réplica do original de 1917, com saídas para explorar a costa, a lagoa e os pontos de mergulho.

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O que comer na cidade mais antiga da Região dos Lagos
A gastronomia de Cabo Frio tem base nos pescados que chegam direto das embarcações locais. Camarão, garoupa, robalo, lula e lagosta compõem os cardápios da orla e do bairro da Passagem. Os pratos típicos misturam influência portuguesa, indígena e africana em receitas bem temperadas e fartas.
- Moqueca de camarão ou peixe: prato mais pedido nos restaurantes do Canal do Itajurú e da Praia do Forte. Servida com arroz, pirão e azeite de dendê.
- Peixe frito com aipim: presença garantida nos quiosques da orla. Simples, fresco e ideal para comer com os pés na areia.
- Casquinha de siri e pastel de camarão: petiscos vendidos nas barracas de praia e nos bares do Largo São Benedito.
- Escondidinho de camarão na telha: especialidade do bairro da Passagem, servido borbulhando com catupiry.

Quando ir a Cabo Frio e o que esperar de cada época
O clima tropical atlântico garante sol durante boa parte do ano. A ressurgência mantém a temperatura da água entre 18°C e 25°C, mais fria que a maioria do litoral fluminense.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Região dos Lagos saindo do Rio
Cabo Frio fica a 155 km do Rio de Janeiro pela Via Lagos (RJ-124), com pedágio e trajeto médio de 2 horas. Ônibus saem da Rodoviária Novo Rio com frequência ao longo do dia. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o Galeão, a cerca de 160 km, com opções de transfer ou ônibus até a cidade. Para quem vem de São Paulo, são aproximadamente 9 horas pela Dutra com conexão pelo Rio.
Uma cidade que guarda quatro séculos no litoral fluminense
Cabo Frio é rara: tem praias de água gelada e cristalina, fortes coloniais do século XVII, frutos do mar que chegam frescos da pesca artesanal e uma Rua dos Biquínis que exporta moda praia para o mundo inteiro. Tudo isso a duas horas do Rio.
Você precisa conhecer o Caribe Brasileiro e entender por que Américo Vespúcio ficou tão impressionado com aquelas águas que colocou o frio no nome da cidade.










