A dúvida entre “tão pouco” e “tampouco” é comum na escrita em português e costuma aparecer em contextos de negação ou de intensidade. A diferença entre as duas formas está diretamente ligada ao sentido da frase e ao papel que cada expressão desempenha dentro do enunciado, e entender esse uso ajuda a evitar equívocos em redações acadêmicas, comunicados formais e textos do dia a dia.
O que significa “tampouco” e quando essa forma é adequada
A palavra “tampouco” é um advérbio de negação que acrescenta uma nova informação negativa a algo que já foi negado antes. Em geral, pode ser substituída por “também não” ou “nem sequer” sem alterar o sentido básico da frase, sendo comum em construções que apresentam duas ações que não aconteceram ou duas características que não se aplicam.
Alguns exemplos ajudam a visualizar melhor o uso dessa forma de negação encadeada:
- “Não respondeu à mensagem, tampouco retornou a ligação.”
- “Ele não apresentou o relatório, tampouco justificou o atraso.”
- “A empresa não cumpriu o prazo, tampouco ofereceu uma explicação.”
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Como escolher entre “tão pouco” e “tampouco” em frases negativas
Na construção “Não compareceu ao trabalho, tampouco justificou sua ausência”, a forma correta é “tampouco”, pois a frase apresenta duas ações que não ocorreram: a pessoa não foi ao trabalho e não apresentou justificativa. Ao empregar “tampouco”, o enunciado indica que a segunda ação também não foi realizada, o que mantém a coerência com a estrutura negativa.
Se fosse usada a expressão “tão pouco” nesse contexto, a frase ficaria incoerente, pois sugeriria ideia de quantidade pequena ou intensidade reduzida, e não de negação. De modo geral, sempre que a frase trouxer uma negação inicial e, em seguida, mais um elemento que também é negado, a escolha tende a ser “tampouco”, funcionando como um reforço da negação.
Quando “tão pouco” é a forma correta na língua portuguesa
A expressão “tão pouco” é formada pelo advérbio de intensidade “tão” acompanhado do adjetivo/pronome “pouco”, transmitindo o sentido de quantidade muito pequena ou intensidade reduzida. Não se trata de negação, mas de medida, podendo referir-se a salário, tempo, esforço, recursos ou qualquer elemento mensurável dentro do contexto.
Alguns exemplos ilustram esse uso específico de escassez ou baixa intensidade:
- “Trabalha tanto e recebe tão pouco.”
- “Havia tão pouco tempo que a reunião precisou ser encurtada.”
- “O projeto avançou tão pouco ao longo do ano.”

Como evitar erros entre “tão pouco” e “tampouco”
Para evitar confusões entre as duas expressões, é importante observar o contexto e aplicar testes de substituição em frases com negação ou com ideia de quantidade. Essa atenção é especialmente relevante em textos profissionais, acadêmicos ou jurídicos, em que a precisão linguística é fundamental para garantir clareza e correção.
Algumas orientações práticas podem ser resumidas da seguinte maneira para facilitar a revisão e o uso adequado:
- Verificar o tipo de ideia: se a frase trata de negação, a tendência é o uso de “tampouco”.
- Aplicar o teste da substituição: se couber “também não”, utiliza-se “tampouco”; se couber “muito pouco”, a escolha adequada é “tão pouco”.
- Observar o encadeamento: em sequências com duas informações negativas, a segunda costuma vir introduzida por “tampouco”.
Com essa distinção, a frase permanece alinhada à norma padrão: “Não compareceu ao trabalho, tampouco justificou sua ausência.” Já em contextos de quantidade ou intensidade, a forma recomendada é “tão pouco”, como em “ganham tanto, mas recebem tão pouco”, o que contribui para uma escrita mais clara, precisa e adequada às regras da língua portuguesa em 2025.








