Jeffrey Archer vendeu mais de 300 milhões de livros, foi deputado, ganhou título de lorde e chegou a ser cotado para prefeito de Londres. Também quase faliu, foi condenado por mentir à Justiça e passou dois anos na prisão. O escritor britânico morreu em 5 de outubro, aos 86 anos, em casa, na véspera do lançamento do romance que ele mesmo anunciou como o último. A vida dele parecia saída de um de seus best-sellers.
Quem foi Jeffrey Archer e por que ele começou a escrever?
Archer nasceu em Londres, em 1940, e cresceu em Weston-super-Mare, cidade litorânea no sudoeste da Inglaterra. Antes da literatura, veio a política. Em 1969, aos 29 anos, foi eleito deputado pelo Partido Conservador e virou uma das promessas da legenda. A carreira parou em 1974, quando ele perdeu quase tudo ao investir em uma empresa que se revelou uma fraude.
Endividado e fora do Parlamento, ele decidiu escrever para pagar as contas. O primeiro romance, “Not a Penny More, Not a Penny Less“, lançado em 1976, contava justamente a história de homens enganados em um golpe financeiro e que decidem recuperar o dinheiro.
Como Archer chegou a 300 milhões de livros vendidos?
O grande salto veio em 1979, com “Kane e Abel”, saga de dois homens nascidos no mesmo dia, em mundos opostos, que se tornam rivais. O livro virou fenômeno mundial e minissérie de TV. A partir daí, Archer manteve um ritmo de produção raro, com romances, contos e peças de teatro. Entre as marcas de sua obra estão:
- tramas longas, que atravessam décadas e gerações;
- personagens que sobem do nada ao topo do poder;
- golpes, disputas políticas e reviravoltas no tribunal;
- séries como “As Crônicas de Clifton”, em sete volumes;
- livros traduzidos para dezenas de idiomas, inclusive o português.

Por que o escritor foi condenado e preso?
A virada começou em 1986. Um jornal sensacionalista afirmou que Archer, então vice-presidente do Partido Conservador, tinha pago uma prostituta. Ele deixou o cargo, processou o tabloide por difamação e, em 1987, venceu e recebeu 500 mil libras de indenização. Em 1992, ganhou o título de lorde e uma cadeira vitalícia na Câmara dos Lordes.
Em 1999, quando concorria à prefeitura de Londres, um ex-amigo revelou que Archer havia pedido a ele um álibi falso para aquele processo. Em 2001, um júri concluiu que o escritor mentiu à Justiça. Ele foi condenado por perjúrio e obstrução da Justiça a quatro anos de prisão, cumpriu metade e saiu em 2003. A trajetória pode ser resumida assim:
| Ano | Acontecimento |
|---|---|
| 1969 | Eleito deputado conservador. |
| 1974 | Perde a fortuna em fraude e deixa o Parlamento. |
| 1976 | Lança o primeiro romance. |
| 1979 | Publica “Kane e Abel”. |
| 1987 | Vence processo por difamação. |
| 1992 | Recebe o título de lorde. |
| 2001 | É condenado por perjúrio. |
| 2003 | Deixa a prisão. |
| 2026 | Morre aos 86 anos. |
O que Archer fez com a experiência na cadeia?
Transformou em livro, como fazia com quase tudo. Na prisão, ele escreveu diários que depois viraram uma trilogia, com relatos da rotina dos presos, das celas e dos guardas. Ao sair, voltou à Câmara dos Lordes, onde ficou até se aposentar, em 2024, e seguiu lançando best-sellers. Algumas lições da sua trajetória chamam atenção:
- a falência de 1974 foi o motivo para começar a escrever;
- a disciplina diária de escrita o acompanhou até o último dia;
- os escândalos não afastaram os leitores, que seguiram comprando seus livros;
- a própria vida virou matéria-prima para tramas sobre poder e queda.
Como foram os últimos dias do autor de Kane e Abel?
Archer trabalhou até o fim. Segundo a editora HarperCollins, ele morreu “de repente e em paz, em casa, entre duas sessões de escrita”. Na véspera, havia participado de um evento lotado em um teatro de Londres e autografado livros para centenas de fãs. O romance final, “Adam and Eve”, seria apresentado por ele no Festival de Literatura de Cheltenham dias depois, como relatou o The Irish Times.
Ele deixa a mulher, Mary, com quem completou 60 anos de casamento em 2026, dois filhos e cinco netos. A executiva-chefe da HarperCollins no Reino Unido e sua editora, Kate Elton, o definiram como “o mestre contador de histórias e o sonho de qualquer editor”.
Já leu algum livro de Jeffrey Archer? “Kane e Abel” segue como a porta de entrada mais indicada para conhecer a obra do autor.




